ClimaInfo, 22 de novembro de 2017

ClimaInfo mudanças climáticas

MINISTÉRIO DA TRANSPARÊNCIA QUER VER RESULTADOS DO INOVAR-AUTO ANTES DE NOVOS INCENTIVOS ÀS MONTADORAS

O Ministério da Transparência quer avaliar os resultados do Inovar-Auto, o programa de incentivo às automobilísticas de Dilma, antes do lançamento do Rota 2030, programa similar que Temer quer implantar. Em 2012, as montadoras prometeram a Dilma que fabricariam carros mais eficientes até 2017, em troca dos incentivos dados por ela para tentar evitar os efeitos da recessão mundial.

Igor Calvet, secretário do MDIC (Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços), admite que as avaliações do Inovar-Auto não foram feitas, mas mesmo assim acredita nas montadoras que dizem ter conseguido um aumento de eficiência maior do que o prometido.

O Rota 2030, como diz o nome, se estende por mais tempo e, pelo menos no papel, não traz um plano de consistente de monitoramento do seu andamento.

http://www1.folha.uol.com.br/mercado/2017/11/1936363-ministerio-cobra-avaliacao-do-inovar-auto-antes-de-nova-proposta.shtml

 

GOVERNO NÃO CONSULTOU COMUNIDADES INDÍGENAS, MAS QUER SEGUIR EM FRENTE COM A FERROGRÃO

Mal colocada no papel, a Ferrogrão já sofre contestações. As audiências públicas marcadas para hoje, para a próxima 2a feira e para o dia 5 de dezembro podem não acontecer porque as comunidades indígenas afetadas pelo projeto não foram informadas e consultadas, conforme reza a Constituição e a Convenção 169, da Organização Internacional do Trabalho, da qual o Brasil é signatário. O Ministério Público Federal do Mato Grosso recomendou à ANTT (Agência Nacional de Transportes Terrestres) que suspenda as audiências.

O traçado da Ferrogrão é paralelo à BR-163 e, como a rodovia, servirá principalmente para levar soja e milho do norte do Mato Grosso aos portos do baixo Tapajós para exportação. A ferrovia deve ser bancada pelas grandes traders Cargill, Amaggi, Dreyfus, ADM e Bunge, e faz parte do PPI, menina dos olhos do ministro Moreira Franco. Até agora o projeto já custou R$ 33 milhões.

Em tempo: o GT-Infraestrutura, um grupo de organizações da sociedade civil, também mandou uma carta à ANTT pedindo o adiamento da consulta pública até que as comunidades indígenas fossem informadas e consultadas quanto ao projeto e, claro, até que suas reivindicações sejam levadas em conta.

http://www.olhardireto.com.br/agro/noticias/exibir.asp?id=25732&noticia=debate-sobre-ferrograo-exclui-indigenas-afetados-por-trajeto-e-pode-ser-anulado-estudos-custaram-r-337-mi

 

PROJETO DE LEI DO RENOVABIO VAI PARA APROVAÇÃO DO CONGRESSO

No último dia 14, o governo finalmente mandou projeto de lei que cria o RenovaBio para o Congresso. O pessoal da Fazenda acabou engolindo o projeto apesar de desconfiar de seu impacto inflacionário.

A intenção do programa é fazer a balança pender para os biocombustíveis, principalmente o etanol, criando um mecanismo de mercado que faça com que as distribuidoras de combustíveis comprem cada vez mais etanol.

O programa é aplaudido em pé pelas associações de classe de usineiros, canavieiros e afins. Já o pessoal das distribuidoras permanece silencioso.

http://www.camara.gov.br/proposicoesWeb/prop_mostrarintegra?codteor=1621979&filename=PL+9086/2017

 

MINISTÉRIO PÚBLICO FEDERAL INGRESSA NA JUSTIÇA COM 757 AÇÕES POR DESMATAMENTO ILEGAL NA AMAZÔNIA

O Ministério Público Federal (MPF) ingressou com 757 ações civis públicas na Justiça nos últimos dez dias, em razão de desmatamentos ilegais na Amazônia cujas áreas totalizam 95,6 mil hectares. As ações cobram indenizações de 725 desmatadores, num total que ultrapassa R$ 1,5 bilhão.

A iniciativa faz parte do programa “Amazônia Protege”, lançado ontem pela procuradora-geral da República, Raquel Dodge. O MPF vai mover uma ação civil pública para cada área desmatada.

Ainda faltam mais 505 ações a serem apresentadas. No total, as ações envolvem 176,7 mil hectares desmatados e 1.155 responsáveis. O valor da indenização a ser solicitado chega a R$ 2,8 bilhões.

https://extra.globo.com/noticias/saude-e-ciencia/mpf-ingressa-com-757-acoes-por-desmatamento-ilegal-na-amazonia-cobra-15-bi-22092813.html

http://www.amazoniaprotege.mpf.mp.br/

 

CONSTRUIR E OPERAR RENOVÁVEIS É MAIS BARATO DO QUE SOMENTE OPERAR USINAS À CARVÃO OU NUCLEARES

A Lazard, uma das líderes do mercado internacional de assessoria financeira e de investimentos, atualizou seu estudo sobre a performance das fontes renováveis de energia comparando seus custos nivelados (levelized costs of energy – LCOE). A consultoria concluiu que construir e operar novas fontes renováveis sai mais barato do que simplesmente operar plantas já existentes a carvão ou nuclear. Nas palavras da empresa: “o custo de todo o ciclo de vida de projetos renováveis caiu e é menor do que apenas o custo operacional de tecnologias convencionais como o carvão e a nuclear”.

Desde 2009, enquanto o preço da eletricidade gerada a carvão permaneceu relativamente constante, a fotovoltaica caiu mais de 70% e a eólica caiu pela metade. A nuclear, no período, aumentou 20% e a eletricidade gerada pela queima do gás natural caiu 25%.

As contas foram feitas para os EUA, mas o relatório indica que os custos de operação de usinas convencionais por lá são menores do que em países em desenvolvimento e que, portanto, a vantagem das renováveis na China, na Índia e muito provavelmente por aqui, são ainda maiores.

https://www.lazard.com/media/450337/lazard-levelized-cost-of-energy-version-110.pdf

https://thinkprogress.org/solar-wind-keep-getting-cheaper-33c38350fb95/

 

CHINA DEVE FECHAR MILHARES DE MINAS DE CARVÃO NO ANO QUE VEM

O vice-diretor da Comissão Nacional para o Desenvolvimento e Reforma da China, Lian Wiliang, disse que o país vai atingir a meta de redução da capacidade de produção de carvão no ano que vem. Das quase 11 mil minas que operavam no país em 2015, serão fechadas quase 4 mil até o fim de 2018.

Antes que se acendam rojões em comemoração: Wiliang disse que a oferta de carvão será coberta pelo aumento da produção nas minas remanescentes.

https://www.reuters.com/article/us-china-coal/china-likely-to-complete-coal-capacity-reduction-target-by-2018-xinhua-idUSKBN1DL0WB

 

PEQUENA CIDADE ALEMÃ MOSTRA COMO GERAR MAIS ELETRICIDADE DO QUE CONSOME

Giovana Girardi, do Estadão, visitou a cidade de Saeberck nas proximidades de Bonn e conta que lá foi construído um parque energético de 29 MW numa área de 90 hectares, com sete turbinas eólicas (total de 21,3 MW), painéis fotovoltaicos (5,7 MW) e a produção de biogás a partir de resíduos da cidade e do campo que é usado para gerar eletricidade (2,1 MW) e calor para a cidade. Além disso, foram instalados painéis fotovoltaicos em tetos de residências e prédios e o gás natural foi trocado por pellets de madeira em uma central que aquece todos os prédios públicos. O investimento total somou, até agora, € 70 milhões.

http://sustentabilidade.estadao.com.br/noticias/geral,como-criar-uma-cidade-verde-em-nove-anos,70002089419

http://www.klimakommune-saerbeck.de/city_info/webaccessibility/index.cfm?item_id=869741

http://www.saerbecker-energiewelten.de/city_info/display/dokument/show.cfm?region_id=408&id=380111

 

A IMPORTÂNCIA DE PROTEGER AS FLORESTAS

Um artigo publicado na PNAS (Proceedings of the National Academy of Science) tenta estimar o potencial de mitigação de 20 tipos de ações de conservação, restauração e melhoria do uso da terra que aumentam o sequestro e o armazenamento de carbono, ou que evitem a emissão de gases de efeito estufa em florestas, mangues, pradarias e lavouras. Os pesquisadores estimam que ações que promovem “soluções climáticas naturais” que levam em conta a segurança alimentar e a conservação da biodiversidade têm o potencial máximo de 24 bilhões de toneladas de CO2 equivalente, um valor 30% maior do que estimado anteriormente. Também estimam que metade disso pode ser alcançada assumindo um preço social para o carbono maior que 100 US$/tCO2e.

Outro artigo publicado na PNAS também vai na linha de mostrar a importância que tem a preservação de florestas e sua restauração como arma para combater o aquecimento global. O trabalho estima que, para limitar o aumento da temperatura global em 2°C, vai ser preciso zerar as emissões de CO2 até 2050 e supercontrolar as emissões dos gases de vida curta como o metano. Isso seria suficiente para evitar que a temperatura global dispare para níveis insustentáveis. Mas para evitar que ela passe do limite em mais longo prazo, será necessário remover da atmosfera cerca de um trilhão de toneladas de CO2, deixando pouco mais de dois trilhões para outros ciclos naturais.

http://www.pnas.org/content/114/44/11645.full.pdf

https://medium.com/world-economic-forum/saving-our-forests-is-worth-as-much-as-taking-600m-cars-off-the-roads-214a67f2ed02

http://www.pnas.org/content/114/39/10315

 

MORATÓRIA DO CACAU É ASSINADA POR CORPORAÇÕES QUE CONTROLAM 80% DO MERCADO GLOBAL

As vinte maiores corporações globais do chocolate, responsáveis por 80% do cacau processado em todo o mundo, assinaram a Moratória do Cacau, se comprometendo com os governos de Gana e da Costa do Marfim a acabar com o desmatamento de vegetações nativas para conversão da área em lavouras de cacau e, também, acabar com a compra de cacau cultivado ilegalmente em parques naturais e reservas a partir de 2018. Dentre as vinte, estão a Cargill, Nestlé, Mars e Sainsbury’s.

http://www.valor.com.br/agro/5199543/industrias-assinam-moratoria-do-cacau-com-gana-e-costa-do-marfim#

 

EL NIÑO AQUECE O OCEANO E ALGAS PROLIFERAM CAUSANDO MORTANDADE DE BALEIAS NA PATAGÔNIA CHILENA

Em 2015, na Patagônia chilena, encalharam mais de 300 baleias-sei mortas em alto mar. Não se sabe ao certo qual foi o tamanho da matança, posto que muitas carcaças nunca chegaram à terra. Pesquisas mostraram que houve uma proliferação de algas que liberaram toxinas que, subindo ao longo da cadeia alimentar, terminaram por envenenar as baleias.

As algas proliferam em águas mais quentes do que as encontradas nas costas da Patagônia chilena. Só que 2015-16 foram os anos do forte El Niño que esquentou o oceano. Pesquisadores verificaram que houve uma enorme mortandade nas fazendas chilenas de salmão, quando mais de 200 mil peixes também foram envenenados pelas toxinas das algas. Muito mais ao norte, nas costas da Califórnia, pesquisadores notaram o aumento no nível dessas toxinas que se espalharam até o arquipélago das Aleutas, no Alasca. E mais baleias, desta vez jubartes, apareceram mortas no litoral. Para não ficar em animais marinhos, em 1987, numa ilha no litoral Atlântico do Canadá, 12 pessoas ficaram doentes depois de comer ostras na sequência de uma proliferação de algas. Três morreram e as outras tiveram amnésia por meses.

A matança passaria para história como um evento excepcional, causado por um El Niño forte. Mas os pesquisadores se mostram extremamente preocupados porque os oceanos tendem a ficar mais quentes por conta do aquecimento global.

https://www.hakaimagazine.com/features/death-killer-algae

https://peerj.com/articles/3123/

 

O DESAPARECIMENTO DAS FLORESTAS DAS ALGAS MARINHAS KELP

As grandes florestas de kelp (algas de uma espécie diferente das da nota acima) estão sendo dizimadas, da Tasmânia à Califórnia, devoradas por ouriços-do-mar. As florestas já tinham murchado nas águas aquecidas pelo El Niño no Pacífico, mas a proliferação da espécie de ouriço de águas quentes está acabando com as algas, formando o que os cientistas estão chamando de “desertos de ouriços”, ambientes marinhos completamente sem vida. As fotos do artigo abaixo são desoladoras.

http://e360.yale.edu/features/as-oceans-warm-the-worlds-giant-kelp-forests-begin-to-disappear

 

AUMENTO BRUTAL DE ELEMENTO RADIATIVO NA ATMOSFERA RUSSA E EUROPEIA

Em outubro o IRSN (sigla em francês do Instituto de Radioproteção e Segurança Nuclear) anunciou a detecção de uma quantidade 100 vezes maior que o normal de um radioisótopo, o rutênio-106. No aviso, afirmava que, se uma emissão semelhante ocorresse na França, todos num raio de vários quilômetros teriam sido evacuados. O IRSN detectou que a fonte da emissão do rutênio deveria estar numa região entre o sul da Rússia e o Cazaquistão. Os russos rapidamente desmentiram tanto o acidente quanto a própria contaminação atmosférica. Mas nesta semana, a agência meteorológica russa confirmou a concentração de rutênio muito acima do normal. Dessa vez, a Rosatom, a agência nuclear russa, confirmou a contaminação, mas negou que tivesse havido qualquer acidente em suas instalações. Os franceses descartaram um acidente em um reator nuclear porque teria havido a emissão de muitos outros radioisótopos, o que não foi detectado até agora. Os russos rapidamente concordaram. O mistério continua. Há suspeitas de instalações de reciclagem de combustível nuclear ou da fabricação de radioisótopos para a indústria e a medicina. A suspeita maior recai sobre a instalação de Mayak, mesmo porque lá houve um acidente sério ainda nos tempos da União Soviética e que foi acobertado durante anos. A Rosatom já avisou que não aconteceu nada em Mayak. Só não disseram uma palavra sobre a origem do rutênio.

https://www.theguardian.com/world/2017/nov/21/russia-radioactivity-986-times-norm-nuclear-accident-claim

https://www.theguardian.com/world/2017/nov/10/nuclear-accident-in-russia-or-kazakhstan-sends-radioactive-cloud-over-europe

http://www.atribuna.com.br/noticias/noticias-detalhe/atualidades/russia-nega-acidente-nuclear-apos-deteccao-de-poluicao-radioativa/

http://www.rosatom.ru/en/press-centre/news/mayak-production-association-is-not-the-source-of-the-exceeded-content-of-ruthenium-106-in-the-atmos/

 

ERRATA:

Erramos ontem na nota Estudo sobre Emissões das Novas Hidrelétricas na Amazônia ao afirmar que “O estudo peca por não mostrar o peso das emissões de materiais e da obra numa usina como Belo Monte”. O trabalho, sim, contabilizou essas emissões. A intenção era salientar que só foram publicados os resultados agregados e não por cada usina estudada. Pedimos desculpas pela informação errada e abrimos o espaço para qualquer comentário que os autores quiserem fazer.