ClimaInfo, 7 de dezembro de 2017

ClimaInfo mudanças climáticas

BELO SUN TERÁ QUE CONSULTAR INDÍGENAS E SEGUE COM LICENCIAMENTO SUSPENSO

O Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF1), em Brasília, manteve suspenso por tempo indefinido o licenciamento da mineradora canadense Belo Sun e ordenou a realização da consulta prévia, livre e informada aos indígenas afetados pelo empreendimento, nos moldes do que é previsto na Convenção 169 da Organização Internacional do Trabalho. De acordo com a decisão unânime do Tribunal, a consulta deve seguir o protocolo elaborado pelos próprios indígenas.

O projeto da empresa canadense Belo Sun pretende instalar a mina a 10 km da barragem de Belo Monte e extrair, em 12 anos, 50 toneladas de ouro. A mina produzirá uma barragem de rejeitos de 35,43 milhões de metros cúbicos, enquanto a barragem de Fundão, em Mariana, que rompeu no maior crime ambiental da história do país, vazou 34 milhões de metros cúbicos de rejeitos.

Em tempo: um dos motivos de preocupação dos indígenas da região é que a empresa que assina os laudos de segurança da Belo Sun, a VogBr, é a mesma que assinou estes laudos da barragem da Samarco.

http://www.mpf.mp.br/regiao1/sala-de-imprensa/noticias-r1/trf1-ordena-consulta-previa-a-indigenas-afetados-pela-mineradora-belo-sun-e-mantem-suspensao-do-licenciamento

 

CONCESSÕES DE INFRAESTRUTURA DESCONSIDERAM RISCOS CLIMÁTICOS

O programa de concessões de infraestrutura do governo Temer não considera riscos climáticos, o que deixa projetos como estradas e ferrovias expostos a eventos climáticos extremos e a prejuízos de bilhões de reais, segundo relatório produzido pelo WWF. A organização levantou perdas anuais superiores a R$ 9 bilhões geradas por desastres naturais que incluem secas e inundações. O relatório cita riscos que recaem sobre hidrelétricas, redes de transmissão, rodovias, ferrovias e portos. Segundo Natalie Unterstell, diretora da área de riscos e oportunidades ambientais da iniciativa Infra2038 e autora do relatório da WWF, “a infraestrutura requer investimentos de longo prazo, e os custos para sua recuperação, quando afetada por desastres e eventos extremos, estão entre os mais elevados”.

A iniciativa Infra2038, criada pela Fundação Lemann, tem como objetivo colocar o Brasil entre os 20 primeiros países no quesito “infraestrutura” do ranking de competitividade do Fórum Econômico Mundial até 2038. Hoje o país ocupa a 116a posição.

https://br.reuters.com/article/businessNews/idBRKBN1DZ36W-OBRBS

www.infra2038.org

 

DURANTE VOTAÇÃO DE DESTAQUES DA MP DO TRILHÃO, ABIMAQ COSTURA PL SOBRE CONTEÚDO LOCAL PARA EXPLORAÇÃO DE PETRÓLEO

Enquanto a oposição e organizações da sociedade civil tentavam na noite de anteontem obstruir a tramitação da MP do Trilhão (795), representantes da Abimaq e do Instituto Aço Brasil faziam um acordo com deputados da base aliada para a derrubada de destaque feito pelo PT que previa que a suspensão dos tributos na importação de equipamentos para pesquisa e exploração de petróleo seria aplicada somente a bens sem similar nacional. O acordo costurado prevê trocar a derrubada do destaque pela apresentação de um PL que deverá diferenciar os índices de conteúdo local entre os projetos submetidos aos regimes de partilha da produção e de concessão, principalmente na fase de desenvolvimento da produção.

Interessante notar que, na linguagem do setor, a MP do Trilhão é conhecida como MP do Repetro.

http://epbr.com.br/abimaq-e-aco-brasil-costuram-pl-para-conteudo-local/

 

PETRÓLEO: O QUE PENSAM OS PRÉ-CANDIDATOS À PRESIDÊNCIA?

A agência E&P Brasil andou investigando – em programas partidários antigos, na imprensa e nas redes sociais – o que alguns dos pré-candidatos à presidência pensam do petróleo. O resultado não é lá essas coisas, talvez porque o quadro eleitoral ainda não esteja definido. As posições expressas por Lula, Alckmin, Meirelles, Doria e Ciro Gomes são mais ou menos nacionalistas, mais ou menos privatistas, mas todas um tanto entusiasmadas com uma eventual contribuição do combustível fóssil à economia no curto prazo. Nenhum deles considera os riscos, sejam econômicos ou ambientais, muito menos a questão climática. Marina Silva segue mais ou menos na mesma linha, mas já twittou dizendo que “O Pré-Sal é fundamental, mas é fundamental também investir em novas fontes de energia”. Não foi encontrada manifestação de Bolsonaro sobre o tema.

http://epbr.com.br/o-que-pensam-os-pre-candidatos-a-presidencia-sobre-o-setor-petroleo/

 

PLATAFORMA SOBRE ADAPTAÇÃO À MUDANÇA DO CLIMA É LANÇADA HOJE

A plataforma colaborativa AdaptaClima será lançada hoje para facilitar a vida de instituições e pesquisadores em busca de materiais diversos sobre adaptação à mudança do clima. Ela trará informações em diferentes formatos sobre temas específicos; publicações e ferramentas por região e por setor indicados pelos próprios usuários; uma interface interativa de acesso a dados climáticos para apoiar tomada de decisão em adaptação; materiais para apoiar no passo a passo a elaboração de estratégias de adaptação; e uma rede de profissionais. A interatividade da plataforma permitirá compartilhar conteúdos.

A proposta da plataforma é disseminar informação de qualidade a atores dos vários segmentos da economia e da sociedade, bem como contribuir com o 1o objetivo do Plano Nacional de Adaptação que prevê, entre suas metas, uma plataforma online de gestão do conhecimento em adaptação criada e disponível à sociedade. Ela resulta do esforço de 65 organizações, 35 das quais foram atores-chave e 15, do Reino Unido, foram envolvidas como atores-referência. O processo teve coordenação do Ministério do Meio Ambiente (MMA), implantação do GVCes e do Instituto Internacional pelo Meio Ambiente e Desenvolvimento (IIED), e apoio do Fundo Newton do Conselho Britânico.

www.adaptaclima.com.br

 

COMISSÃO DE INTEGRAÇÃO NACIONAL DEBATE A RAPIDEZ DAS MUDANÇAS CLIMÁTICAS NA AMAZÔNIA

No mesmo dia em que a câmara dos deputados deu o sinal verde à MP do Trilhão, uma audiência pública da Comissão de Integração Nacional debateu a rapidez das mudanças climáticas na Amazônia. Entre os alertas feitos no evento, está o fato dos cientistas que trabalham sobre a região estarem perdendo o poder de previsibilidade climatológica diante da transição nos padrões amazônicos. Apesar da urgência, o debate mostrou uma falta de visão estratégica e coesa para a região e o silêncio dos representantes do Pará, que sequer são citados na matéria.

http://www2.camara.leg.br/camaranoticias/noticias/550320.html

 

AMBIENTALISTAS PEDEM MAIS TRANSPARÊNCIA

Quarenta e nove instituições da sociedade civil pedem mais transparência e a criação de espaços de diálogos entre o governo e a sociedade para a execução de políticas voltadas para o meio ambiente, com foco em temas florestais. Em carta enviada a órgãos ambientais federais como Ministério do Meio Ambiente, Ibama, Serviço Florestal Brasileiro e ICMBio, o grupo composto, entre outras organizações, pelo Imaflora, Ipam, Artigo 19, ICV, Imazon, Observatório do Código Florestal e Observatório do Clima, apresentou propostas organizadas em quatro eixos: 1) promoção da Lei de Acesso à Informação e da Política do Executivo Federal de Dados Abertos e difusão dos conceitos de transparência ativa, transparência passiva e dados abertos, com especial atenção aos grupos vulneráveis; 2) criação de um sistema de transparência e prestação de contas sobre a implantação, o monitoramento e a avaliação de planos e políticas ambientais; 3) criação de um protocolo de validação de sistemas de informação e bases de dados gerados e mantidos por atores não estatais (ONGs, universidades, centros de pesquisa, etc.); 4) disponibilização, aprimoramento e produção de informações e bases de dados.

http://www.imaflora.org/downloads/biblioteca/5a280ec3b7893_Carta-TransparnciaAmbientaleDadosAbertos-PlanodeAoparaGovernoAberto.pdf

http://www.imaflora.org/downloads/biblioteca/5a27de8f6137c_Anexo1-PropostaseDemandas.pdf

http://www.imaflora.org/downloads/biblioteca/5a27df215d455_Anexo2-ResultadosConsulta.pdf

 

O FORTE CRESCIMENTO DA INSTALAÇÃO DE PAINÉIS FOTOVOLTAICOS SOBRE TELHADOS NA ÍNDIA

A energia solar continua acelerando na Índia. A instalação de painéis fotovoltaicos sobre telhados é o subsetor de crescimento mais rápido, mas que precisa acelerar ainda mais para alcançar o ambicioso objetivo de 40GW para 2022, uma oportunidade de investimentos da ordem de US$ 23 bilhões.

Um relatório da Bloomberg New Energy Finance mostra que a instalação de geração renovável na Índia será maior que a de geração fóssil pela primeira vez em 2017, com um crescimento anual de 66% sobre 2016. Entretanto, mesmo com isso, o país só alcançou 3% da meta estabelecida para 2022.

https://data.bloomberglp.com/bnef/sites/14/2017/11/BNEF_Accelerating-Indias-Clean-Energy-Transition_Nov-2017.pdf

https://about.bnef.com/blog/accelerating-indias-clean-energy-transition/

 

CHUVA DE ATÉ 474,4 MM ESPALHA DESTRUIÇÃO E DEIXA DESAPARECIDOS, FERIDOS E MORTOS EM MINAS GERAIS

Fortes chuvas provocadas pelo estabelecimento da Zona de Convergência do Atlântico Sul no território mineiro reverteram em parte a estiagem dos últimos meses no estado. Rios que minguavam agora extravasam e hidrelétricas que quase secaram agora estão em situação um pouco mais confortável. Nos últimos 15 dias foram registradas chuvas acumuladas de até 474,4 milímetros (em Uberaba).

Com isto, alagamentos, deslizamentos, enchentes e inundações deixaram um grande rastro de destruição, principalmente entre o centro e o leste do estado. Mais de 50 pessoas ficaram feridas, 22 no município de Rio Casca, e 34 municípios decretaram situação de emergência.

http://deolhonotempo.com.br/index.php/nacional/8927-chuva-de-ate-474-4-mm-espalha-destruicao-e-deixa-desaparecidos-feridos-e-mortos-em-minas-gerais

 

QUANTO DEBATE CLIMÁTICO É SUSCITADO POR EVENTOS EXTREMOS?

A Climate Nexus decidiu analisar o volume de discussões relacionadas às mudanças climáticas no Twitter e nas notícias motivadas por eventos climáticos extremos. Para este exercício, o pessoal usou a plataforma de análise de mídia social Crimson Hexagon’s Buzz Monitor Tool que explorou a web para tipos específicos de conteúdo ajustando dez pesquisas de palavras-chave booleanas diferentes. O resultado foi dividido em duas listas: uma global (liderada pela Larsen C, o derretimento do Ártico e as ondas de calor e incêndios ao redor do planeta); e outra com foco em eventos que atingiram os EUA (que começa com os furacões Irma, Harvey e Maria). Vale a pena uma espiada.

http://climatenexus.org/climate-change-news/2017-climate-impacts-around-world/  

http://climatenexus.org/2017-top-climate-events/

 

 

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