ClimaInfo, 15 de dezembro de 2017

ClimaInfo mudanças climáticas

EÓLICAS REDUZEM CUSTO DE OPERAÇÃO DO SISTEMA ELÉTRICO, INDICA NOVA SIMULAÇÃO

O pessoal de uma das maiores comercializadoras brasileiras de eletricidade, a Comerc, alterou a maneira de simulação das plantas eólicas na operação do sistema elétrico. Esse cálculo é determinante para estimar o custo marginal de operação usado pelo ONS (Operador Nacional do Sistema) e para a tomada de decisão sobre qual usina acionar ou desligar. Na maneira usual de fazer as contas, desconta-se a energia eólica do total a gerar e o resto do sistema, hidrelétricas e térmicas, é simulado com o uso de parâmetros físicos como capacidade de reservação e hidrologia. O pessoal da Comerc “fez de conta” que as eólicas seriam como as hidrelétricas sem reservatório. A energia que elas geram depende do vento (análogo à água dos fios d’água) que está passando. Como já existe uma montanha de dados sobre os ventos, as eólicas passaram a integrar a simulação do sistema como as demais usinas. Como o vento e a água custam menos do que o gás natural, a operação do sistema todo ficou mais barato. E aí sobressaiu uma característica extremamente favorável: no Brasil, as chuvas e os ventos são complementares, ora tem mais de um, ora mais do outro. E, com isso, se reduz a necessidade de acionamento das térmicas mais caras.

http://www.valor.com.br/brasil/5227213/energia-eolica-pode-reduzir-custo-do-setor-eletrico#

 

TCU APONTA FALHAS NAS CONTAS DAS GRANDES HIDRELÉTRICAS

O Tribunal de Contas da União colocou sua lupa sobre as grandes hidrelétricas por saber da importância destas para a matriz energética, pelo volume de recursos e os tempos envolvidos na implantação destas. E, também, em função de desdobramentos da Lava Jato, que apontavam para problemas de governança em todo o processo. O Acórdão tem 68 páginas de uma aula da anatomia do funcionamento do processo de escolha e implantação das hidrelétricas. O TCU analisou aspectos das usinas existentes de Belo Monte, Teles Pires e São Manoel. E toma como eixo condutor a história do Complexo Tapajós, em especial sua estrela, o AHE São Luiz do Tapajós que repousa no limbo de uma gaveta do Ibama. Eles desdobram a análise em três grandes blocos:

– deficiências na estruturação de grandes usinas hidrelétricas sob o enfoque socioambiental;

– deficiências relacionadas à atuação técnica do poder concedente; e

– deficiências na estruturação relacionadas à assimetria de informações.

Em cada uma, uma longa série de investigações e achados. Por exemplo: “outra deficiência avaliada faz referência à outra vertente da assimetria de informações constatada no modelo de estruturação adotado no Brasil… discute-se a discrepância entre o responsável por esses estudos – o qual tem permissão legal para participar dos leilões de concessão – e os demais interessados naquele projeto”.

Em cima do diagnóstico, o relatório dá ao TCU uma série de recomendações centradas da clarificação e reordenação dos processos licitatórios, e distribui tarefas à casa civil e ao ministério de minas e energia.

https://www.canalenergia.com.br/noticias/53044625/tcu-aponta-falhas-na-estruturacao-de-grandes-hidreletricas

 

Curta elétrica 1:

500 PARQUES EÓLICOS EM OPERAÇÃO NO BRASIL

Desde o começo do mês, existem mais de 500 parques eólicos operando no país, com uma capacidade instalada de quase 13 GW, correspondendo a 8% de toda a capacidade de geração nacional. E tudo indica que até 2020, serão mais 4 GW de geração a vento.

http://www.valor.com.br/empresas/5225427/brasil-ultrapassa-marca-de-500-parques-eolicos-instalados#

 

Curta elétrica 2:

LINHÃO DE BELO MONTE FINALMENTE ENTRA EM OPERAÇÃO

A linha de transmissão que liga a hidrelétrica de Belo Monte ao Sistema Integrado Nacional entrou em operação nesta semana. O prazo inicial era agosto do ano passado, mas a Abengoa, contratada para construir o linhão, quebrou e demorou um tempo até o governo relicitar o linhão e a chinesa State Grid, com apoio da Eletrobrás, e ganhar o contrato. A State Grid atrasou um pouco até aprender a trabalhar dentro da Floresta Amazônica, mas acabou adiantando em dois meses a entrega da obra. Com isso, o ONS (Operador Nacional do Sistema) avisou que não vai precisar ligar as térmicas a gás em dezembro.

http://www1.folha.uol.com.br/mercado/2017/12/1943192-linha-de-transmissao-da-usina-de-belo-monte-entra-em-operacao.shtml

 

O SALTO DA DESIGUALDADE NO BRASIL E NO MUNDO

Saiu ontem o Relatório Mundial da Desigualdade mostrando números impressionantes. 76 mil pessoas ou 0,01% da população mundial acumularam 4% de toda riqueza gerada entre 1980 e 2016. Os 0,1% mais ricos acumularam 13% dessa riqueza. Os 50% mais pobres acumularam os mesmos 13%. Os dois países do hemisfério norte nos quais a desigualdade mais aumentou foram Rússia e Estados Unidos. Os 1% de norte-americanos mais ricos acumularam 39% da riqueza só em 2014, o último ano para o qual há estatísticas. E a maior parte ficou com os 0,1% mais ricos.

Os autores, dentre eles o conhecido francês Thomas Piketty, disseram que na África, no Oriente Médio e no Brasil a desigualdade permaneceu relativamente constante em níveis extremamente altos nas últimas décadas. Aqui no Brasil, 55% da riqueza está concentrada nas mãos dos 1% mais ricos. Isso mantém o país entre os três mais desiguais do mundo.

Esta nota não tem relação direta com a mudança do clima exceto pelo fato destas mudanças atingirem desproporcionalmente a camada mais pobre da população brasileira e mundial.

As notas metodológicas e as bases de dados usadas podem ser baixadas no último link.

http://sustentabilidade.estadao.com.br/noticias/geral,no-brasil-55-da-renda-fica-com-1-da-populacao,70002119783

https://www.theguardian.com/inequality/2017/dec/14/world-richest-increased-wealth-same-amount-as-poorest-half

http://wir2018.wid.world/methodology.html

 

REDUÇÃO DE CARDUMES E DA PESCA DE SARDINHA NO LITORAL BRASILEIRO

A sardinha já foi mais popular no Brasil. Na década de 1970, pescava-se 270 mil toneladas de sardinha por ano. Em 2015, foram 90 mil. Depois, veio um El Niño que esquentou as águas e a pesca caiu para 45 mil toneladas no ano passado e 15 mil nesse ano. As empresas processadoras de sardinha estão aumentando a cota importada. A pesca no país está com uma governança aleatória, ora é ministério, ora faz parte da Agricultura, agora está indo para a Presidência e os últimos muito responsáveis não são técnicos da área e sim, indicações políticas feitas em troca das famosas bases aliadas no Congresso. Resulta que, desde 2013, não há dados oficiais de captura de peixes e, portanto, apesar de existirem indicações, não é possível afirmar que está havendo sobrepesca. Aliás, não só da sardinha. Como a temperatura dos oceanos está aumentando, não se tem claro nem o impacto sobre os cardumes nem a velocidade com que estão sendo afetados.

http://www.valor.com.br/agro/5224651/so-importacao-garante-oferta-de-sardinha#

 

COMO QUASE COMETER UM CRIME AMBIENTAL E SE PINTAR DE SUSTENTÁVEL

São Paulo correu o risco de ter ônibus poluentes para sempre por um adendo a um projeto de lei que foi retirado antes de ir à votação. O município aprovou em 2009 uma lei que obrigava a frota de ônibus a não mais emitir gases de efeito estufa até 2018. O tempo passou e os ônibus limpos não apareceram. Em 2017, primeiro a câmara municipal aprovou uma lei que esticava o prazo em vários anos. Ontem, apareceu uma emenda à lei que, se aprovada, permitiria aos donos de frotas compensarem as emissões dos seus ônibus com reduções de emissão em algum outro lugar. Por exemplo, um sujeito na China construiu uma fábrica que iria emitir um dos mais poderosos gases de efeito estufa, nem inaugurou a fábrica e a fechou para ganhar milhões vendendo os créditos de carbono da fábrica que nunca funcionou. Ou de grandes hidrelétricas brasileiras, que ganharam créditos de carbono por evitar que o país tivesse que acionar térmicas, apesar de todo o dinheiro que fizeram.

Em cima desse crime, a emenda cometia um segundo, ao permitir que os ônibus a diesel seguissem empesteando o ar de São Paulo com material particulado fino.

http://sustentabilidade.estadao.com.br/noticias/geral,presidente-da-camara-tenta-flexibilizar-lei-do-onibus-limpo-em-sp,70002120456

 

METADE DO FATURAMENTO DA TOYOTA VIRÁ DE VEÍCULOS ELÉTRICOS ATÉ 2030

No evento de lançamento da parceria entre a Toyota e a Panasonic para o desenvolvimento de baterias para veículos elétricos, o presidente da Toyota, Akio Toyoda, anunciou que a empresa prevê que, até 2030, metade do seu faturamento virá da venda de veículos híbridos e elétricos. Os planos preveem a venda de 4,5 milhões de híbridos e 1 milhão de elétricos plug-in, à bateria.

Em tempo: no ClimaInfo de ontem, usamos um cálculo do Carbon Tracker sobre os barris de petróleo deslocados pelos carros elétricos. O valor mais correto é dez vezes menor do que o estimado pela Carbon Tracker: 100 mil barris de petróleo para cada milhão de carros elétricos colocados no mercado.

http://www.valor.com.br/empresas/5226387/toyota-ve-carro-eletrico-e-hibrido-gerador-de-50-da-receita-ate-2030#

 

A TENTAÇÃO DOS US$ 8 BILHÕES DO MERCADO DE CARBONO DA CALIFÓRNIA

Já faz anos que a Califórnia instituiu seu esquema de cap-and-trade com quotas de emissão (cap) negociáveis (trade). O volume de quotas é regulado pelo governo do estado e vai sendo reduzido ano a ano. O programa todo vai funcionar pelo menos até 2030. No começo, as quotas eram distribuídas em função das emissões de cada empresa, um volume sempre um pouco abaixo das emissões dos anos anteriores. De uns tempos para cá, o governo passou a leiloar quotas para quem acha que vai emitir mais do que devia. Um estudo recente mostrou que a arrecadação do governo nesses leilões anuais deve variar entre 2 e 8 bilhões de dólares, dependendo do aperto nas metas que o governo se propuser a fazer. Os recursos arrecadados são direcionados a programas de redução de emissões e a uma rede ferroviária de alta velocidade que vai ligar San Diego a Sacramento, com o trecho principal ligando Los Angeles a São Francisco.

O “perigo” é a economia californiana passar a emitir substancialmente menos, por exemplo, com a entrada maciça de veículos elétricos e a disparada no aproveitamento das eólicas e fotovoltaicas. No limite, isso faria com que não houvesse compradores nos leilões de quotas e a arrecadação, um dia expressiva, caísse a zero, impactando os programas e o projeto da ferrovia. Esse é um dos bons argumentos dados para desacoplar a precificação do carbono do destino a ser dado com os montantes arrecadados.

http://www.latimes.com/politics/essential/la-pol-ca-essential-politics-updates-california-s-cap-and-trade-climate-1513116841-html

 

ORÇAMENTO PROPOSTO POR TRUMP MANTÉM PROVISÃO PARA EXPLORAÇÃO DE FÓSSEIS NO ÁRTICO

O orçamento enviado ao Congresso por Trump recebeu emendas, cortes e outras mexidas, tanto pelos Senadores quanto pelos representantes republicanos. Um ponto que parece ter passado ileso é o que dedica recursos e autorizações para a abertura de áreas pristinas e protegidas do Alasca para a exploração de petróleo e gás.

Republicanos do estado estão felizes por entenderem que a abertura atrairá investimentos, empregos, mais comércio e, portanto, mais impostos para o estado. O preço será pago pela própria população na forma de perda de terras no litoral quando da elevação do nível do mar, pelo derretimento de geleiras, pela redução da pesca, fonte importante de alimento e recursos para quem mora por lá.

Lá, como aqui, existem muitos políticos que enxergam dividendos eleitorais apoiados pelas petroleiras e uma conta a ser paga pelas gerações futuras. Que podem bem servir de desculpa para pedir mais verbas para o tesouro nacional. Lá e cá.

http://thehill.com/policy/energy-environment/364754-senator-arctic-drilling-provision-remains-in-gop-tax-cut-bill

 

TRUMP PRESSIONA PRUITT PARA PROMOÇÃO DE CIRCO DE PSEUDOCIÊNCIA DO CLIMA

Trump começou a cobrar de Scott Pruitt, o diretor da EPA (Agência de Proteção Ambiental), a promoção de uma disputa entre dois times de cientistas, um negacionista e outro representando os 97% que afirmam que a mudança do clima é causada pela queima de combustíveis fósseis e outras atividades humanas. No jargão norte-americano a competição é chamada de “red team – blue team”. Os conservadores negacionistas compõe o time vermelho, por acaso a cor do Partido Republicano. Pruitt está tomando muito cuidado com o tema por temer uma judicialização que emperraria seus planos. Por trás do pretenso “debate” científico está o entendimento oficial de que a emissão de gases de efeito estufa representa uma ameaça à saúde e ao bem estar da população. Uma ala republicana quer reverter este entendimento porque ele é um obstáculo sério a projetos fósseis. Essa ala pressiona para que o “debate” aconteça porque serviria de base para a reversão do tal entendimento. Pruitt está sendo cauteloso por temer que a questão vá parar na Suprema Corte que, mesmo sendo conservadora, já mostrou que entende os riscos da mudança do clima. O pessoal de Pruitt também não tem muita certeza em como montar o time azul, já que figuras importantes da comunidade científica dos EUA disseram que o debate científico acontece por meio das publicações “peer reviewed”, ou seja, de  trabalhos revistos e validados pela própria comunidade científica. O fato da comunidade negacionista não ter publicações em revistas de peso como a Nature e a Science, é a declaração clara de quem é o vencedor nessa “disputa”. É muito provável que nenhum cientista decente aceite o convite para fazer parte do time azul.

https://www.eenews.net/stories/1060068567

 

Para ler:

FERTILE GROUND – STATE OF FOREST CARBON FINANCE 2017

Para quem acompanha os mercados de carbono e, em especial, os que transacionam créditos florestais, acaba de sair o relatório anual da Ecosystem Marketplace com dados e tendências atualizados.

http://forest-trends.org/releases/p/sofcf2017

 

Para ver:

DEPOIS DE BELO MONTE

Belo Monte provocou uma brutal mudança na vida de centenas de ribeirinhos e indígenas que habitavam a região da Volta Grande do Xingu. Ciro Barros e Iuri Barcelos fizeram uma videorreportagem imperdível sobre a vida dessa gente.

https://apublica.org/2017/11/videorreportagem-depois-de-belo-monte/

 

Para ver:

GROENLÂNDIA SEM GELO

A camada de gelo da Groenlândia tem, em média, 2 km de altura, chegando a 3 km no ponto mais espesso. Cientistas dos EUA pegaram décadas de dados de observações e recriaram a paisagem de uma Groenlândia sem gelo, com suas montanhas, ravinas e rios.

http://www.bbc.com/news/science-environment-42260580

 

Para ver:

ISA – RETROSPECTIVA 2017

Fotoclipe de retrospectiva do trabalho do Instituto Socioambiental (ISA) em 2017, ano marcado por fortes ataques aos direitos indígenas e ao meio ambiente — e pela resistência a esses processos. Assista, compartilhe e fortaleça a luta contra os retrocessos.

https://www.youtube.com/watch?v=44bkgj1Gdng&feature=youtu.be

 

Para bolsas de mestrado e doutoramento

BOLSA DA CÁTEDRA ESCOLHAS DE MESTRADO E DOUTORAMENTO

O Escolhas lançou seu segundo edital do programa da Cátedra para doutorado e mestrado em economia e meio ambiente.

A documentação necessária deve ser enviada para: institucional@escolhas.org.

As inscrições poderão ser realizadas até 4 de fevereiro de 2018.

O edital completo pode ser baixado do link:

http://escolhas.org/mestrado-e-doutorado-edital-de-selecao-ano-de-2018/