ClimaInfo, 11 de janeiro de 2018

ClimaInfo mudanças climáticas

DE NOVO!

A Petrobras anunciou um novo reajuste para os combustíveis, valendo a partir de hoje. O aumento de 1,4% no preço da gasolina nas refinarias e de 1,0% no do diesel faz parte da política da empresa de mexer nos preços sempre que houver mudança no mercado internacional. Não custa lembrar que esse valor não contempla as externalidades causadas pela queima dos combustíveis fósseis.

O Financial Times ajuda a decifrar a escalada dos preços internacionais, que se refletem nos postos de combustível de todo o Brasil. A cotação do Brent cru acaba de alcançar seu nível mais alto nos últimos três anos graças à combinação de alguns fatores como o corte na produção promovido por membros e não membros da OPEP, a queda nas reservas globais de petróleo, as indefectíveis tensões geopolíticas e a onda de frio no hemisfério norte. Embora o corte na produção liderado pela OPEP tenha sido estendido para todo o ano de 2018, essa trajetória ascendente de preços tem limites, pois preços muito altos podem incentivar os produtores de gás de xisto dos EUA – que, no momento, dizem privilegiar lucratividade sobre quantidade – a aumentar sua produção.

https://exame.abril.com.br/negocios/petrobras-sobe-preco-da-gasolina-e-do-diesel-a-partir-de-quinta/

https://www.ft.com/content/0ac6ecac-f606-11e7-8715-e94187b3017e

 

BANCO DOS BRICS ATUARÁ NO BRASIL VIA SANTANDER

O New Development Bank (NDB), criado em 2015 por Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul e, por isso, conhecido também como Banco dos BRICS, anunciou seu primeiro acordo com uma instituição bancária que atua no Brasil. A parceria com o Santander abrange concessão de linhas de crédito voltadas a projetos infraestrutura e desenvolvimento sustentável e serviços como estruturação de emissão de bônus, operações de câmbio e derivativos e transferência de valores. O acordo deve enfatizar projetos de energia renovável – área na qual o NDB já tem uma carteira de projetos de cerca de US$ 300 milhões no Brasil – além de mobilidade urbana, rodovias e ferrovias. A ideia é que a equipe do Santander prospecte as transações e o NDB entre na operação quando houver interesse. O NDB, que também está em estágio avançado de negociação com dois Estados brasileiros para outras transações, começa a parceria com o Santander com um primeiro projeto em negociação, mas as instituições não revelaram os detalhes.

http://www.valor.com.br/financas/5252129/santander-brasil-anuncia-parceria-com-ndb-o-banco-dos-brics

http://epocanegocios.globo.com/Brasil/noticia/2018/01/santander-e-banco-dos-brics-anunciam-parceria-para-projetos-de-infraestrutura-no-brasil.html

 

O ETANOL PARCEIRO DO CARRO ELÉTRICO

A Toyota e a Nissan começaram a experimentar usar etanol nos seus carros híbridos e, assim, carregar as baterias emitindo bem menos gases de efeito estufa. É o primeiro sinal claro de que tem gente buscando a convergência das tecnologias. O plano das indústrias automotivas lá fora é um dia parar de fabricar motores de combustão interna (MCI) e se dedicar ao carro elétrico puro, bem mais eficiente do ponto de vista energético. Estes planos consideram os híbridos, que queimam algum combustível para produzir eletricidade e carregar a bateria, como veículos de transição.

No entanto, aqui no Brasil, existem aqueles que defendem usar os motores de combustão a etanol por muito tempo ainda. Dizem que temos etanol abundante e devemos defender o que é nosso. Essa defesa  tem seus problemas. Ontem demos uma nota dizendo que, em 2018, as usinas produzirão mais etanol porque o preço do açúcar caiu no mercado internacional. Se, seja por ato divino, a cotação do açúcar disparar, ou ficamos sem etanol ou pagaremos fortunas para encher o tanque. Os híbridos a etanol também vão sofrer com isso, mas como o aproveitamento energético é melhor, o baque é menor. Mas melhor mesmo seria poder usar o etanol em sistemas decentes de transporte público e no transporte de carga. Talvez dê para aproveitar esse aprendizado com os híbridos e usá-lo em ônibus e caminhões. E, talvez nem mais pensaremos em carros no futuro.

http://economia.estadao.com.br/noticias/geral,etanol-tenta-se-integrar-ao-carro-eletrico,70002142135

 

A BRIGA PELO SUBSÍDIO À INDÚSTRIA AUTOMOTIVA

Continua o impasse entre a Fazenda e o MDCI (Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior) sobre como incentivar a indústria automotiva. Não se chegou a um consenso sobre o programa Rota 2030 e, ao que parece, Temer vai ter que arbitrar.

As automotivas e o MDIC querem mais subsídios para o setor e topam continuar como no esquema anterior, se comprometendo a investir em pesquisa e desenvolvimento para melhorar a eficiência dos carros. O pessoal da Fazenda não quer mais conceder benesses alegando que o investimento em pesquisa é feito nos laboratórios internacionais da indústria e não aqui no Brasil. Portanto, não faz sentido dar dinheiro do contribuinte para pesquisa internacional. A Fazenda também aponta que já existe a “Lei do Bem” que permite o abatimento de uma parte do investimento em pesquisa do Imposto de Renda e da Contribuição Social, ou seja, sobre os impostos que incidem sobre o lucro da empresa. A indústria não gosta disto porque, diz, o lucro aqui é muito baixo e, portanto, não há vantagem por aí.

Ainda essa semana uma matéria da Folha de São Paulo mostrava o descontrole total que há sobre a efetividade de todos os subsídios dados à economia nacional. É um tal emaranhado que ninguém sabe os resultados obtidos com o dinheiro do contribuinte.

A discussão guarda alguma semelhança com a travada em torno do pré-sal. Tanto a exploração de petróleo como a cadeia automotiva são importantes para o PIB. Mas também provocam o aquecimento global. Do ponto de vista climático, subsidiar o petróleo e a produção de carros a gasolina é usar o dinheiro do contribuinte para aquecer o planeta.

http://www.valor.com.br/brasil/5251747/sem-consenso-entre-fazenda-e-mdic-rota-2030-trava-e-temer-deve-intervir

http://www1.folha.uol.com.br/mercado/2018/01/1948680-governo-nao-controla-efetividade-53-dos-subsidios-de-renuncia-de-impostos.shtml

 

O BRASIL JOGA R$ 7 BILHÕES LITERALMENTE NO LIXO

Bettina Barros, do Valor, escreveu sobre o desperdício de comida ao longo da cadeia, da lavoura até a sacola de compras do consumidor. A estimativa da Abras (Associação Brasileira dos Supermercados) passa de R$ 7 bilhões por ano, ou 2% do faturamento bruto de um setor que opera com margens muito pequenas. Ou, segundo a FAO Brasil, braço da ONU para Agricultura e Alimentação, quase um terço do que é produzido se perde ao longo do mesmo caminho. Uma parte desta gigantesca perda vem dos sistemas de controle de qualidade das cadeias de supermercados que passaram a exigir padrões rigorosos. O produtor acaba sendo obrigado a jogar fora a parcela que não atende a esses padrões. E repassa o custo total da sua produção para a parte “vendável”. Uma solução sendo experimentada é passar a aceitar esses produtos e vendê-los com desconto. Por enquanto não se sabe se vai dar certo, se o consumidor vai valorizar mais o preço ou o aspecto.

Além de prejudicar a economia nacional e a mesa de todos nós, parte do carbono presente nesse lixo todo pode acabar virando metano e esquentando a atmosfera. Fora o diesel desperdiçado para levar produtos que não serão consumidos.

http://www.valor.com.br/agro/5248513/r-7-bilhoes-em-comida-jogados-no-lixo

NOVA YORK VAI DESINVESTIR DA INDÚSTRIA FÓSSIL E PROCESSÁ-LA PELOS IMPACTOS CLIMÁTICOS

O prefeito de Nova York anunciou no final da tarde de ontem que o fundo de pensão da cidade, com ativos de quase US$ 200 bilhões, vai desinvestir quase US$ 5 bilhões em posições de corporações do petróleo. Mais, a cidade vai processar as petroleiras pelo risco gerado pela ambição dessas corporações. Quer fazê-las arcar com parte do custo de proteção da cidade contra as inundações e a erosão causada pela elevação do mar.

https://www.theguardian.com/us-news/2018/jan/10/new-york-city-plans-to-divest-5bn-from-fossil-fuels-and-sue-oil-companies

 

A CENSURA DE TRUMP ÀS INFORMAÇÕES CLIMÁTICAS

A Iniciativa de Dados e Governança Ambiental (EDGI) é uma organização composta por acadêmicos e voluntários que promovem a abertura e a acessibilidade a dados e informações governamentais, juntamente com a elaboração de políticas baseadas em evidências.  A Iniciativa está produzindo uma série de relatórios mostrando como a administração Trump ataca certos temas ambientais. “Mudando o clima digital” (link abaixo) explicita as mudanças na apresentação pública das mudanças climáticas nos sites do governo norte-americano.

Em 2016, a palavra do ano foi “pós-verdade” e em 2017, “fake news”. Seria “censura” a palavra de 2018?

https://100days.envirodatagov.org/changing-digital-climate/#kix.owm5ey217jtg

 

QUASE 100 GW DE FOTOVOLTAICAS NO MUNDO GRAÇAS À CHINA

2018 deve ficar na história como o ano no qual a capacidade instalada de geração elétrica por meio de painéis fotovoltaicos passou a marca de 100 GW. A previsão de analistas do setor vê esta expansão ocorrendo principalmente na China, país que deve fechar o ano com quase 50 GW instalados. Mas a expansão acelerada acontece em outros países também. A Índia tem a meta de chegar aos 100 GW nos próximos cinco anos.

https://www.ambienteenergia.com.br/index.php/2018/01/energia-solar-esta-prestes-atingir-100-gigawatts-gracas-china/33539

 

‘FRACKING’ NO REINO UNIDO: GUARDIAN PEDE QUE ÓLEO PERMANEÇA NO SUBSOLO

Antes do Brexit, anunciava-se que o fracking na Inglaterra e na Escócia livraria o Reino Unido da dependência energética. Os movimentos contrários cresceram e começaram a bloquear o fracking nas áreas de maior potencial, seja por meio de manifestações, seja por meio de ações judiciais. O resultado é que não se extraiu uma gota de óleo do solo inglês. Anteontem, o jornal The Guardian publicou um editorial defendendo a proibição do fracking e que os fósseis sigam para sempre no subsolo. O jornal afirma que a forte queda no preço das fontes renováveis, especialmente das eólicas offshore, tornaram o fracking dispensável. Sem nem precisar levar em conta os impactos climáticos da queima dos fósseis.

https://www.theguardian.com/commentisfree/2018/jan/09/the-guardian-view-on-the-future-of-fracking-keep-it-in-the-ground

 

DESPENCA A VENDA DE CARROS A DIESEL NO REINO UNIDO

Na Europa, os carros a diesel fizeram muito sucesso por consumirem menos combustível por quilômetro rodado (e, portanto, emitirem ligeiramente menos gases de efeito estufa, embora isto seja um tanto controverso quando são consideradas todas as emissões do ciclo de vida). No Reino Unido, em 2012, metade dos autos vendido era movida a diesel. Mas, de 2015 para cá, as vendas vêm caindo. Em parte porque a eficiência dos motores a gasolina melhorou, em parte pelos veículos a diesel serem mais poluentes. E o escândalo da Volks, flagrada falsificando as emissões de seus carros, sujou bastante a imagem do diesel e influiu na decisão dos consumidores. Assim, pesquisadores da Universidade de Aston preveem que, em 2025, eles representarão no máximo 15% das vendas. Os pesquisadores recomendam ao governo aproveitar essa tendência para dar um empurrãozinho para quem quiser trocar seu carro a diesel por um novo elétrico.

http://www.bbc.com/news/bus iness-42615559

 

AS EMISSÕES NADA PEQUENAS DO SETOR DA SAÚDE

Artigo na Lancet, especializada em medicina e saúde, mostra as emissões de gases de efeito estufa do setor de saúde da Austrália. Os autores estimam que as emissões correspondam a 7% de tudo que a Austrália emite. Disso tudo, quase metade sai dos hospitais. O resto se espalha entre produção de remédios, clínicas, serviços de transporte e equipamentos de suporte. Um dos grandes culpados são os gases anestésicos. Os mais usados têm um potencial de aquecimento global milhares de vezes maior do que o CO2. O artigo também diz que, nos EUA, o setor saúde é responsável por 10% do total das emissões do país.

http://www.thelancet.com/pdfs/journals/lanplh/PIIS2542-5196(17)30180-8.pdf

https://www.theguardian.com/australia-news/2018/jan/09/australias-healthcare-system-contributing-to-7-of-nations-carbon-footprint00

 

 

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