ClimaInfo, 30 de janeiro de 2018

ClimaInfo mudanças climáticas

VW FEZ EXPERIÊNCIAS COM HUMANOS E MACACOS RESPIRANDO GASES DO ESCAPAMENTO DE CARROS A DIESEL

A Volkswagen contratou um instituto de pesquisa para fazer uma série de pesquisas – entre 2012 e 2015 – que acabaram por gerar um escândalo (mais um envolvendo a empresa) na Alemanha. Nesse final de semana o escândalo estourou quando veio a público o emprego de macacos e humanos nos experimentos, que foram colocados a respirar os gases de escapamento de carros a diesel. A intenção, segundo se apurou até agora, era estudar os efeitos biológicos de emissões em níveis dentro dos limites permitidos. Os dados seriam usados em campanhas para dizer que o diesel não faz mal à saúde. A direção da VW declarou se sentir horrorizada com as experiências, que nunca teriam sido autorizadas por ela.
Em tempo 1: No Brasil, o presidente da VW disse que quer voltar a ser a maior em vendas no país. Hoje ela está atrás da GM e da Fiat.
Em tempo 2: os campos de extermínio nazistas, com a exceção de Auschwitz, usaram gases de escapamento de motores a diesel para matar mais de 2 milhões de pessoas.
http://www.dw.com/en/german-scientists-involved-in-toxic-diesel-fume-tests-on-humans/a-42346854

https://www.publico.pt/2018/01/29/economia/noticia/pedido-inquerito-interno-para-analisar-estudo-a-emissoes-com-cobaias-animais-e-humanas-1801151

https://www.nytimes.com/2018/01/25/world/europe/volkswagen-diesel-emissions-monkeys.html

https://g1.globo.com/carros/noticia/volkswagen-quer-ser-vice-lider-no-brasil-ja-em-2018-diz-presidente.ghtml


GILMAR MENDES E IRMÃOS SÃO PROCESSADOS POR APLICAR AGROTÓXICOS E TRANSGÊNICOS EM ÁREA DE PRESERVAÇÃO

O ministro Gilmar Mendes e irmãos estão sendo processados pelo Ministério Público de Mato Grosso pela aplicação descontrolada de agrotóxicos e o uso não autorizado de sementes transgênicas em duas fazendas da família. As duas ficam dentro da área de proteção ambiental Nascentes do Rio Paraguai, fundamentais para o bioma Pantanal. Por ser área protegida, o uso de transgênicos é rigorosamente proibido e a aplicação de agrotóxicos é controlada e exige um plano de manejo. Os irmãos tentaram descaracterizar o relatório da fiscalização e evitar um termo de ajuste de conduta. O MP pede o pagamento de uma multa de R$ 8 milhões. Gilmar não respondeu a perguntas da reportagem.
http://www.olhardireto.com.br/juridico/noticias/exibir.asp?id=37602&noticia=gilmar-mendes-e-processado-por-uso-descontrolado-de-agrotoxico-e-transgenicos-em-area-de-preservacao


PARA DIZER QUE AGRICULTURA OCUPA 9% DO TERRITÓRIO, TEMER E MAGGI CONSULTAM A PÁGINA ERRADA DO IBGE

Mais uma vez Temer repete o refrão: o agronegócio brasileiro seria o que mais protege a natureza e faz milagres em apenas 9% do território nacional. Desta vez, ele foi ainda adiante ao afirmar que os ambientalistas deveriam louvar seu governo por ter aumentado em três vezes a área protegida da Chapada dos Veadeiros. Acontece que os tais 9% citados por Temer referem-se, segundo o IBGE, à área dos principais produtos agrícolas. Tivesse o presidente olhado a página sobre Uso da Terra, teria visto que nossas matas e campos naturais ocupam 40% do território, as pastagens, 32%, e a agricultura, 27%. Os outros 2% são da silvicultura e outros tipos de uso da terra. Ou seja, tudo que os ruralistas gostam de proclamar ocupa 59% do território nacional.
Quanto à Chapada dos Veadeiros, é verdade que Temer acrescentou 75 mil hectares à área protegida. Mas, em compensação, trabalhou para tirar a proteção de 600 mil hectares do Jamanxim. E legalizou a grilagem, deu sinais vários que impulsionaram os ataques, até agora impunes, ao Ibama e ICMBio, tentou desmontar a Renca, etc etc.

Vamos nos lembrar de seu governo ainda por muito tempo.
http://www.valor.com.br/politica/5288077/ambientalistas-tem-que-saudar-este-governo-diz-temer

https://ww2.ibge.gov.br/home/geociencias/recursosnaturais/usodaterra/default.shtm


“A INCOMPETÊNCIA DESTE GOVERNO E DOS ANTERIORES PARA LIDAR ATÉ COM DOENÇAS DO SÉCULO 19”

Marcelo Leite escreveu na Folha de São Paulo sobre a declaração dada pelo ministro da saúde no ano, quando este disse que o surto de febre amarela tinha acabado, quando, na verdade, vivia-se o período seco no qual os mosquitos ficam bem menos ativos. Tanto que o surto rebrotou logo que começaram as chuvas. Marcelo também chama a atenção sobre a atual epidemia ser, por enquanto, do tipo silvestre e sobre a transmissão entre humanos, via Aedes Aegypti, ainda não ter aparecido. O título dessa nota é a frase final do artigo.
http://www1.folha.uol.com.br/colunas/marceloleite/2018/01/1953985-ministro-errou-feio-ao-anunciar-fim-do-surto-de-febre-amarela-em-2017.shtml


DIRETOR-GERAL DA IEA APOSTA NO CRESCIMENTO DE FÓSSEIS NO BRASIL

Fatih Birol, o diretor geral do IEA (sigla em inglês da Agência Internacional de Energia), disse em conversa com o ministro das minas e energia, Coelho Filho, em Davos, que o Brasil deu o sinal certo às petroleiras e que os investimentos nos fósseis no país devem aumentar. Segundo Birol, o Brasil verá o segundo maior crescimento da produção de petróleo, atrás apenas dos EUA. O IEA acha que em 2040 o país terá dobrado a produção para 5,2 milhões de barris dia. Este volume, uma vez queimado, emite 800 milhões de toneladas equivalentes de CO2 em um ano. Fosse todo queimado num único país, este seria o 10º maior emissor do mundo.
http://www.valor.com.br/brasil/5287343/brasil-vai-liderar-alta-na-oferta-de-petroleo-fora-da-opep-diz-aie

http://www.valor.com.br/empresas/5287235/petrobras-dara-condicoes-de-contrato-diferenciadas-no-refino


PARTÍCULAS ULTRAFINAS DE POLUIÇÃO AJUDAM A PROVOCAR CHUVAS NA AMAZÔNIA

Um trabalho recém publicado na Science mostra que partículas muito pequenas de poluição são fundamentais para provocar chuvas na Amazônia. Sabe-se há muito da importância de partículas maiores, em cuja superfície o vapor d’água se condensa e se aglutina, mas pensava-se que as realmente pequenas, menores de 50 nanômetros, eram pequenas demais para cumprir este papel. Isto continua valendo para boa parte do planeta, mas não na Amazônia. O novo trabalho coletou dados numa estação científica próxima a Manaus durante o período chuvoso, quando não há incêndios. Assim, a poluição das termelétricas e do trânsito da cidade forneceu as partículas ultrafinas. Os pesquisadores observaram que as nuvens continham um volume grande de vapor supersaturado e que as partículas pequenas neste meio serviam como superfície de condensação e formação de gotículas. Esta condensação reforça o movimento de convecção dentro da nuvem e ela se estica verticalmente. No topo, mais frio, formam-se cristais de gelo e, segundo um dos pesquisadores, “a intensa formação de gelo favorece o desenvolvimento de tempestades, ou seja, de nuvens intensas com raios”.
http://science.sciencemag.org/content/359/6374/411

http://jornal.usp.br/ciencias/ciencias-ambientais/particulas-ultrafinas-de-aerossol-intensificam-as-chuvas-na-amazonia/


A CORRUPÇÃO FAZ PARTE DO MUNDO DO PETRÓLEO

Para quem acha que a Lava Jato destampou o poço de corrupção das empreiteiras, vale um pequeno giro pelo mundo do petróleo. Em março, altos executivos da Shell e da italiana Eni, serão julgados em Milão, no que está sendo considerado o maior caso de corrupção corporativa da história, envolvendo o pagamento de US$ 1,1 bilhão a um ministro nigeriano para ter acesso a um campo de petróleo naquele país. Um ramo da Lava Jato levou duas gigantes americanas de equipamentos fósseis a se declararem culpadas de corrupção na Petrobras e a pagarem uma multa de US$ 660 milhões. A Unaoil, uma “obscura empresa familiar” sediada em Mônaco, pagou milhões de dólares em corrupção nos Iraque, Irã, Angola, Líbia, além de outros países. A Keppel, a maior fabricante de plataformas e torres de petróleo gastou, nos últimos 13 anos, US$ 55 milhões na Petrobras em troca de informações internas e uma mãozinha nos negócios.

As informações da Lava Jato cruzadas com os Panama e Paradise Papers estão abrindo as portas desse escuro poço de sujeira no mundo todo.
http://www.houstonchronicle.com/business/amp/With-corruption-investigations-widening-oil-12528107.php


A ROTA POLAR DA SEDA

Em 2016, a China deu início ao gigantesco movimento Belt and Road, que leva financiamento e projetos de infraestrutura chineses para toda a Ásia. Na 6a feira passada, os chineses divulgaram querer estender a iniciativa para o Ártico e aproveitar as rotas de navegação abertas pelo degelo provocado pelo aquecimento global. Apesar de se situar longe do Círculo Polar, a China participa como observadora do Conselho do Ártico desde 2013. Um dos projetos envolvidos é o do complexo de gás natural liquefeito no Ártico russo, de onde os chineses pretendem importar quatro milhões de toneladas por ano. A rota normal seria levar o gás até o Mar Negro e atravessar o Canal de Suez. A rota Ártica economiza 20 dias. Esta rota também interessa aos chineses por encurtar o caminho para as duas costas do Canadá e dos EUA.
https://www.reuters.com/article/us-china-arctic/china-unveils-vision-for-polar-silk-road-across-arctic-idUSKBN1FF0J8


BALSAS ELÉTRICAS TRANSPORTARÃO CONTÊINERES ENTRE OS PORTOS DO NORTE DA EUROPA

Dica para quem está planejando uma viagem à Holanda na metade do ano: uma passadinha pelo porto de Antuérpia para ver o primeiro navio cargueiro elétrico do mundo. Desenvolvido graças a uma parceria entre o governo da cidade e a Comunidade Europeia, e resultado de investimentos iniciais de pouco mais de 200 milhões de euros, o “Tesla dos Canais” é parte de um projeto que contempla a construção de cinco barcos pequenos, com autonomia de 15 horas, e seis grandes, com autonomia de 35 horas. Estes últimos, para os trajetos entre os portos de Rotterdam, Amsterdam, Antuérpia e Duisburg. A recarga completa dos cargueiros de 52 metros leva quatro horas e o conjunto de baterias poderá ser eventualmente substituído por outro disponível no porto, se necessário. Todos os onze cargueiros estarão prontos no segundo semestre de 2019. Depois disso, a empresa Port-Liner, responsável pela construção dos barcos, pretende encomendar mais quatro. Detalhe: todos já estão totalmente alugados, segundo o CEO da Port-Liner, que afirma que seu custo de construção não é mais alto do que o de um barco movido a diesel.
http://conexaoplaneta.com.br/blog/primeiros-navios-cargueiros-eletricos-do-mundo-comecarao-operar-na-holanda/

https://www.theguardian.com/environment/2018/jan/24/worlds-first-electric-container-barges-to-sail-from-european-ports-this-summer


A CIÊNCIA CLIMÁTICA, AS FAKE NEWS E OS TRADE-OFFS

Duas expressões em inglês, fake news e trade-off, ganharam artigos interessantes no mundo da ciência do clima. O primeiro artigo, sobre as notícias falsas, começa com a frase “a ciência é lenta” para explicar que os tempos envolvidos na pesquisa e no processo de publicação de um artigo são muito diferentes daqueles do mundo da mídia e das redes sociais. E a linguagem usual da ciência é distante da linguagem telegráfica que circula o tempo todo e que vira manchetes e tuítes. O artigo pede aos cientistas que continuem a apurar a comunicação. E toca um ponto interessante ao dizer que a mudança do clima não deve ser reduzida a um único parâmetro, a temperatura media global, porque existem milhares de outros indicadores, às vezes até mais importantes.
O outro artigo trata dos trade-offs, os efeitos e danos colaterais de uma dada ação. O autor usa os trade-offs para criticar discursos que os omitem. Ele dá um exemplo de uma das maiores organizações ambientalistas americanas, a Sierra Club, cujo ramo de Massachusetts comemorou o anúncio do fechamento de uma usina nuclear já antiga. O governo anunciou que iria comprar eletricidade de projetos hidrelétricos canadenses. O pessoal do Sierra atacou a proposta por causa dos impactos socioambientais tanto da usina quanto das linhas de transmissão e contrapropôs dizendo que seria possível gerar a energia perdida com painéis fotovoltaicos em centrais ou sobre os telhados. O autor faz algumas contas com os preços atuais sem subsídios tentando mostrar que a energia fotovoltaica sairia bem mais cara do que a gerada pela velha e quase amortizada nuclear. Ou do que a da hidrelétrica canadense. O autor faz questão de dizer que não é pró-nuclear ou pró-hidrelétrica. Só quer ressaltar que a briga na mídia e nas redes sociais está fazendo com que se perca o quadro completo que deveria embasar decisões, tanto dos agentes econômicos quanto das organizações da sociedade civil.
http://theconversation.com/were-climate-researchers-and-our-work-was-turned-into-fake-news-89999

https://www.vox.com/energy-and-environment/2018/1/27/16935382/climate-change-ugly-tradeoffs

 

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