ClimaInfo, 6 de março  de 2018

ClimaInfo mudanças climáticas

IPCC PROMOVE MELHOR ENTENDIMENTO SOBRE CIDADES E MUDANÇAS CLIMÁTICAS

Vai até 7 de março a primeira Conferência Cidades e Ciência das Mudanças Climáticas copatrocinada pelo Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC).  A conferência será marcada pelo estabelecimento de uma agenda global de pesquisa que apoiará o novo relatório especial sobre mudanças climáticas e cidades elaborada pelo IPCC.  Na abertura da Conferência, Hoesung Lee, chair do IPCC, disse que: “Algo que irá diferenciar AR6 de nossas avaliações anteriores é um foco particular nos problemas de mudanças climáticas que as cidades enfrentam e suas oportunidades únicas de mitigação e adaptação”.  

Para nós, que acompanhamos de longe, a boa notícia é que o site do evento traz uma parte específica para os papers comissionados que estão sendo lançados ao longo da conferência.  
https://citiesipcc.org/news/recently-released-documents/

https://twitter.com/IPCC_CH/status/970697695529656321

 

ENQUANTO ISSO, EM SÃO PAULO, ASFALTO NO TOPO DAS PRIORIDADES

Em editorial publicado nesta segunda, a Folha de S. Paulo questiona as prioridades do prefeito João Doria, que, mais uma vez, comprova desconhecer (ou ignorar) os desafios das mudanças climáticas (e a responsabilidade das cidades no seu enfrentamento).  De acordo com o jornal, o alardeado programa Asfalto Novo (objeto de maciça campanha publicitária) tem este ano o polpudo orçamento de R$ 550 milhões, valor superior à expectativa de investimento (obras e equipamentos) em educação (R$ 167,7 milhões) e saúde (R$ 544,5 milhões). Ou seja, a julgar pelo orçamento, que diz muito sobre prioridades, o que importa para a atual gestão da maior cidade da América do Sul – e uma das que mais perde com o trânsito, tanto em termos de saúde como de produtividade – é fomentar o transporte individual, maior beneficiado pela reforma do asfalto.  

https://www1.folha.uol.com.br/opiniao/2018/03/preparando-terreno.shtml

 

APROVADO O PRINCÍPIO 10

No último final de semana, 25 países da América Latina e do Caribe aprovaram o tratado que materializa o Princípio 10 – um instrumento que busca fortalecer a democracia ambiental na região. O Princípio 10 vem da Declaração Rio sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento, firmada em 1992, e fala que “todos devem ter acesso adequado a informações sobre o ambiente disponíveis para as autoridades públicas, incluindo informações sobre os materiais e atividades que colocam em perigo suas comunidades, bem como a oportunidade de participar nos processos de tomada de decisão”.  Para este pacto solicitado pela CEPAL entrar em vigor, ele agora precisa ser ratificado por onze nações nos próximos dois anos.

https://www.elespectador.com/noticias/medio-ambiente/historico-america-latina-aprueba-el-primer-tratado-para-proteger-lideres-ambientales-articulo-742484

 

ESTUDO QUESTIONA MDL DE HIDRELÉTRICAS NA AMAZÔNIA

Atualmente, o principal gerador de créditos MDL no país é o setor de energia (representando aproximadamente 25% do total) e apenas três hidrelétricas na Amazônia (Santo Antônio e Jirau, em Rondônia, e Teles Pires, no Mato Grosso) concentrariam cerca de 20% do total desses créditos até 2030.  Por isso, elas foram analisadas a fundo por um recente relatório elaborado pela BVRio, EDF, FAS, ICV e Idesam, com apoio do ISA e iCS. O resultado mostrou uma contabilidade criativa, com emissões de metano (CH4) dos reservatórios subestimadas ou simplesmente ignoradas, e as emissões do desmatamento no entorno igualmente descartadas. A partir deste ponto de partida, Steve Schwartzman, do EDF, aponta que é um erro o Brasil insistir na imposição do MDL como único instrumento de mercado para offsets , em artigo publicado pela Página 22, chamando a atenção para o potencial dos créditos de carbono florestal. Sem entrar no mérito se a conta das gigatoneladas fecha ou não, as hidrelétricas amazônicas merecem ser questionadas também neste aspecto.
http://idesam.org/publicacao/hidreletricas-mdl-amazonia-brasileira.pdf

http://pagina22.com.br/2018/03/05/hidreletricas-na-amazonia-e-posicao-brasileira-nas-negociacoes-para-o-clima/

 

AMAZÔNIA RESISTE

Saíram do forno as três primeiras matérias do projeto Amazônia Resiste, da agência de jornalismo investigativo Pública. Ele vai até maio e visa retratar, por meio de textos, vídeos, infográficos e fotografias, a resistência indígena na maior floresta tropical do mundo. O foco é nos estados do Pará e do Mato Grosso. Nas primeiras reportagens, a palavra está com os Mundukuru e os Ka’apor, que narram a violência que sofrem dos madeireiros, exemplificando porque o Estado não combate a extração ilegal de madeira e contando o que têm feito para se defender.  Vale a pena conferir:

https://apublica.org/especial/amazonia-resiste/

 

PARA EX-ASSESSOR DE TRUMP, PARIS É UM BOM ACORDO REPUBLICANO

O ex-conselheiro-sênior da Casa Branca de Trump para energia e mudanças climáticas disse na semana passada que “o Acordo de Paris é um bom acordo republicano. Era tudo o que o governo Bush queria”.

Banks ficou ao lado de Trump quando este anunciou a retirada dos EUA de Paris, embora nos bastidores defendesse a permanência do país no Acordo. Desde então, grande parte de seu trabalho vinha sendo buscar silenciosamente maneiras pelas quais os EUA pudessem voltar a se juntar ao Acordo.

Banks não saiu por conta desta discussão, mas por ter sofrido restrições de segurança por ter fumado maconha entre 2009 e 2013.

Estranho país os EUA. Estranhos tempos os nossos.

https://www.nytimes.com/2018/02/22/climate/george-david-banks.html

 

INSCRIÇÕES PARA EVENTO SOBRE BALANÇO DE  CARBONO NA PRODUÇÃO AGRÍCOLA FAMILIAR NA AMAZÔNIA ENCERRAM-SE AMANHÃ

O evento faz parte dos Programas de Cacau e Pecuária da Solidaridad, no âmbito da iniciativa “Territórios Inclusivos e Sustentáveis”, que promove o desenvolvimento de uma agricultura de baixo carbono no contexto da agricultura familiar na Amazônia. O foco desse trabalho são produtores de cacau e gado na região da Transamazônica, no Pará. Entre as ações em andamento, a Solidaridad, em parceria com o Imaflora, desenvolveu cenários de balanço de carbono considerando o uso da terra e o manejo de práticas agropecuárias na região.  Interessados devem encaminhar suas inscrições até 7 de março para cilene@solidaridadnetwork.org

https://www.facebook.com/events/1748082465251081/

https://www.solidaridadsouthamerica.org/es/proyectos/agricultura-familiar-de-baixo-carbono-na-amazonia

 

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