ClimaInfo, 16 de maio 2018

ClimaInfo mudanças climáticas

GOVERNO PODE DAR CALOTE NO CALOTE RURAL E SONHA COM RECURSOS DO PETRÓLEO

Sem dinheiro em caixa, o ministério da fazenda se meteu em uma queda de braço com os ruralistas ao determinar aos bancos públicos que não renegociem as dívidas dos produtores rurais beneficiados pela aprovação, no congresso, da lei 13.606/2018, aquela que criou o Refis do Funrural e lhes concedeu descontos de até 95% sobre o saldo devedor. Os descontos, que poderiam chegar a R$ 17 bilhões, deveriam ser bancados pelo Tesouro Nacional, mas não há previsão orçamentária para isso. Temer havia vetado as benesses, mas em abril o congresso derrubou os vetos.

Enquanto isso, o governo Temer sonha levantar R$ 7 bilhões com uma nova rodada de áreas de exploração de petróleo e gás nas Bacias de Campos e Santos do Pré-Sal. A turma de Temer espera levantar R$ 18 bilhões com concessões de exploração de óleo e gás neste ano. Mais ou menos o mesmo tanto que pode ter que transferir aos produtores rurais, se ao fim e ao cabo estes vencerem a queda de braço.

http://economia.estadao.com.br/noticias/geral,governo-proibe-banco-publico-de-renegociar-dividas-rurais-de-r-17-bi,70002308584

http://www.brazilgovnews.gov.br/news/2018/05/government-to-raise-r-7-billion-with-new-round-of-oil-and-gas-auctions

 

REVISÃO CORRIGE DE 16% PARA 12% A QUEDA DO DESMATAMENTO DA AMAZÔNIA NO 1o ANO DE TEMER

Maurício Tuffani chama atenção no Direto da Ciência para a revisão do cálculo do desmatamento da Amazônia no ano passado: o número final chegou a quase 7 mil km2, bem maior que os 6.424 km2 divulgados em outubro. Com isso, o desmatamento do último período ficou 12% abaixo do anterior, e não 16% como divulgado anteriormente. Tuffani argumenta, corretamente, que seria melhor comparar com o período de menor desmatamento, entre 2011 e 2012, quando foram desmatados 4.571 km2. Nesta comparação, o desmatamento do último período é quase 50% maior. Tuffani também lembra bem que todos estes valores dão conta somente do corte raso, no qual os satélites enxergam o solo ou o capim, embora se saiba de há muito que os madeireiros ilegais aprenderam a deixar as copas de árvores o suficiente para fecharem a área e impedirem que os satélites detectem o desmatamento. Por fim, Tuffani consolida mais uma vez o total do estrago: já desmatamos 19,7% da área brasileira da floresta Amazônica, o equivalente a mais de 785 mil km2, uma extensão maior que metade da área do estado do Amazonas ou maior que o triplo do estado de São Paulo.

http://www.diretodaciencia.com/2018/05/15/revisao-corrige-de-16-para-12-queda-de-desmate-na-amazonia-no-1o-ano-de-temer/

 

ANUNCIADO ACORDO PARA O ROTA 2030

O acordo entre as montadoras e o governo ficou a meio caminho entre as posições opostas. As montadoras queriam incluir, além do IPI e do PIS/Cofins, o IRPJ e a CSLL nos abatimentos que ganhariam se investissem em fabricar carros mais eficientes aqui. O governo não tem caixa para tal. No final, as partes concordaram em abrir mão do desconto neste ano, mas com as montadoras se comprometendo com os investimentos. O programa começa para valer a partir do próximo ano, quando as montadoras devem mostrar, aos poucos, que investirão R$ 5 bilhões para ganhar um desconto de R$ 1,5 bilhão no IRPJ e na CSLL. A Fazenda acha que as inovações e melhorias de eficiência são feitas fora do país e vêm parar aqui já prontas e testadas, de modo que não faria sentido abrir mão da arrecadação para algo que não é feito aqui. O MDIC, em defesa das montadoras, acha que o Rota 2030 atrairá o desenvolvimento para cá, porque este ficou mais barato.

Em tempo: o Rota 2030 trata basicamente de veículos com motores de combustão interna a fósseis ou biocombustíveis e dá pouco espaço para os elétricos.

http://www.valor.com.br/brasil/5524713/montadoras-terao-de-investir-r-5-bi-por-ano-com-novo-regime-automotivo

https://motor1.uol.com.br/news/239592/rota-2030-maio/

 

COALIZÃO REFORÇA SUA POSIÇÃO CONTRA A PRORROGAÇÃO DO CAR

A Coalizão Brasil Clima, Florestas e Agricultura​ soltou uma nota reforçando sua posição contrária a qualquer prorrogação do Cadastro Ambiental Rural. O CAR faz parte do “novo” Código Florestal e o produtor que não o fizer perde o direito a empréstimos de bancos públicos. O prazo final para entregar o CAR é no final deste mês, depois de ter sido adiado um monte de vezes, sempre por pressão da bancada ruralista. Como ninguém dá uma declaração destas à toa, tudo leva a crer que os ruralistas estão armando mais uma no congresso. O sistema CAR, no final de março, registrava 4,9 milhões de propriedades que declararam ocupar 429 milhões de hectares. Foram cadastrados 100% do previsto nas regiões Norte, Sul e Sudeste, 97% no Centro-Oeste e 91% no Nordeste. O Serviço Florestal Brasileiro é o encarregado de conferir se as declarações batem com a realidade.

http://www.coalizaobr.com.br/home/index.php/posicionamentos/item/813-coalizao-brasil-reprova-qualquer-nova-tentativa-de-prorrogacao-no-cadastro-ambiental-rural

http://www.florestal.gov.br/numeros-do-car

 

AGORA É A BANCADA RURALISTA QUEM QUER DEBATER O PL DO VENENO

Depois que o Ministério Público publicou um parecer dizendo que o projeto de lei dos agrotóxicos é inconstitucional, depois da pressão de organizações da sociedade civil e de declarações dos ministérios da saúde e do meio ambiente – e até da agricultura – e de pareceres de autarquias como o Ibama, o ICMBio e a Fiocruz contrárias ao PL, a bancada ruralista convocou uma reunião com o MPF para debater o projeto de lei. A bancada ruralista, que insiste em chamar veneno de ‘meu louro’ (ou fitossanitário), concordou em montar um grupo de trabalho com técnicos dos Ministérios da Saúde, da Agricultura e do Meio Ambiente, da Anvisa e do Ibama para buscar resolver a situação atual, que eles acham que é um atraso de vida.

Mesmo assim, deputados ambientalistas estão preocupados com a Comissão Especial que pode colocar o PL em votação a qualquer momento.

https://mailchi.mp/fpagropecuaria/deputado-luiz-nishimori-recebe-ministrio-pblico-para-debater-relatrio-sobre-defensivos-fitossanitrios

http://www.redebrasilatual.com.br/saude/2018/05/bancada-ruralista-quer-votar-pacote-do-veneno-nesta-semana

 

RONDÔNIA: DEPUTADOS VETAM CRIAÇÃO DE NOVAS UCs

O ex-governador de Rondônia, Confúcio Moura, logo antes de renunciar para concorrer às eleições de outubro, baixou um decreto criando ou demarcando 11 unidades de conservação, totalizando 537 mil hectares. Oito dias depois, a assembleia legislativa do estado revogou tudo. Dos 24 deputados estaduais, 23 votaram pela revogação e o 24o não estava presente. Além disso, aprovaram uma lei e alteraram a constituição do estado para dificultar ao máximo a criação de novas áreas protegidas. Ao que se diz, as excelências têm interesses particulares em várias dessas áreas. O deputado Ezequiel Júnior foi explícito ao discursar na Assembleia, dizendo que esta tinha “sabiamente, ouvido o clamor de proprietários rurais da região”. Lembra uma piada na época da ditadura em que congressistas descobriram como escolher o povo que ia votar neles.

http://www.valor.com.br/brasil/5524725/disputa-politica-em-rondonia-ameaca-areas-de-conservacao#

 

MAIS SOBRE O BRASIL NO RELATÓRIO DA ORGANIZAÇÃO INTERNACIONAL DO TRABALHO

O relatório Emprego: Questões Sociais no Mundo-2018, da Organização Internacional do Trabalho (OIT) publicado anteontem, deu grande destaque às mudanças no setor produtivo e seus impactos sobre o emprego no mundo. A OIT montou um cenário no qual o aquecimento global era limitado a 2oC com a entrada das fontes limpas e um aumento na eficiência energética geral. Embora tenha tratado da América Latina como um todo, o relatório aponta que, neste cenário, o Brasil pode criar 620.000 novos empregos até 2030, embora 180.000 empregos sejam eliminados. O setor onde mais cresce o número de empregos é o da geração eólica. O trabalho também examinou o impacto do aquecimento global na produtividade e apontou que haverá uma pequena perda de horas trabalhadas por conta da maior incidência de doenças.

http://www.valor.com.br/brasil/5523333/eficiencia-energetica-pode-gerar-500-mil-empregos-no-brasil-diz-oit#

 

PORTO RICO PÓS-FURACÕES NA 4a MATÉRIA DA SÉRIE CRISE DO CLIMA

A 4a matéria da série “Crise do Clima” traz a história de Porto Rico depois dos devastadores furacões do ano passado. Marcelo Leite e Lalo de Almeida contam que “O aeroporto inundou. O próprio governo entrou em colapso, acompanhando a infraestrutura. Pelo menos 90 mil postes caíram. A maioria da população “boricua”, como se chamam os habitantes de Porto Rico, ficou sem energia elétrica, telefonia celular, combustível e internet por semanas”. A conta dos prejuízos bateu em US$ 90 bilhões. Trump está deixando que a ilha se vire, ao contrário da assistência que correu para prestar para Houston depois da passagem do Harvey, talvez por Porto Rico não ter petróleo e carvão e nem poder votar para presidente. O número oficial de mortos é 64, mas um levantamento do New York Times chegou a mais de 1.000.

Além do furacão Maria, Marcelo e Lalo descrevem uma ilha que perde terreno para a elevação do nível do mar, enquanto pouca coisa é feita a respeito. Como a ilha depende bastante do turismo e os hotéis e resorts ficam na orla, é como pedir para os prejuízos irem se acumulando sem parar. Além disso, mais gente deixou a ilha. Só nos dois meses depois do furacão, mais de 200 mil pessoas migraram para os EUA.

Em tempo: neste ano, a estação dos furacões do Atlântico começa no mês que vem e vai até novembro.

https://arte.folha.uol.com.br/ciencia/2018/crise-do-clima/porto-rico/meio-milhao-de-pessoas-devem-deixar-a-ilha-devastada-pelo-furacao-maria/

 

A NOVA E AMBICIOSA META EUROPEIA DE EFICIÊNCIA ENERGÉTICA

Miguel Cañete, o Comissário Europeu da Ação Climática e Energia, escreveu sobre a decisão europeia de liderar a transição para um mundo de energias limpas. Cañete destaca que os avanços na eficiência energética destravarão essa transição, mais do que as fontes renováveis: “vamos lembrar que a forma de energia mais barata, mais limpa e segura é aquela que não usamos, a que economizamos”. A Europa tem uma diretiva de eficiência elaborada em paralelo às metas climáticas que levou a Paris e que, dentre outras, mirava produzir o mesmo com 30% menos energia até 2030. Partindo do avanço feito até agora, Cañete quer aumentar a ambição para 35% e colocou um foco maior na eficiência das edificações, o que compreende tanto a construção e seus materiais quanto o desempenho ao longo da sua vida útil, aproveitando o que se aprendeu e desenvolveu em termos de ecodesign. Sua preocupação vem da constatação de que 75% das edificações existentes são antigas e ineficientes e que a taxa de renovação é baixa, mas aposta na informatização das edificações em si e dos sistemas de mobilidade que otimizam seu uso. Cañete diz que uma série de iniciativas políticas são fundamentais para alcançar esta ambição, mas que “a verdadeira mudança precisa ser liderada pela própria sociedade”.

https://www.europeanfiles.eu/energy/new-ambition-energy-efficiency-europe-2

 

AQUECIMENTO GLOBAL VAI AUMENTAR O USO DE AR CONDICIONADO QUE AUMENTA O AQUECIMENTO GLOBAL

Uma das ironias do aquecimento global é o círculo vicioso provocado pelo condicionamento ambiental: quanto mais quente fica o planeta, maior a demanda por refrigeração; isto, pelo menos nos países mais ricos, implica ligar os aparelhos de ar condicionado, o que, por sua vez, leva a maior uso de eletricidade e à emissão de mais gases de efeito estufa, o que, por sua, vez aumenta o calor do qual todos querem escapar. A IEA (sigla em inglês da Agência Internacional de Energia) acaba de soltar um estudo sobre o impacto na demanda de energia do crescimento exponencial do frio. Estima-se que, até 2050, quadruplicará o número de aparelhos de ar condicionado instalados em edificações. Isto vai demandar uma capacidade de geração igual à soma das capacidades dos EUA, Europa e Japão. Levando em conta a melhoria de renda de parte importante da população mundial, a demanda por energia para resfriar ambientes deve disparar. Uma das mensagens importantes do trabalho é a necessidade de aumentar a eficiência dos aparelhos, padronizando mundialmente eficiências e aumentando constantemente as metas.

Por falar em ar condicionado, anteontem o Bom Dia Brasil divulgou uma matéria sobre os aparelhos vendidos no Brasil dizendo que eles não podem ser vendidos lá fora porque não atendem requisitos de economia de energia. A matéria entrevistou um especialista do IDEC (Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor) que disse que o Brasil está virando o paraíso da sucata mundial – tudo o que não pode mais ser vendido lá fora, as empresas trazem para cá. Isso vale para o ar condicionado, para os agrotóxicos, para carrões beberrões… Como disse o Comissário Cañete na nota anterior, é a sociedade que tem que liderar a mudança. Consumir sucata não ajuda o clima, não ajuda o mundo, não ajuda o país, nem o bolso dos cidadãos.

https://www.iea.org/newsroom/news/2018/may/air-conditioning-use-emerges-as-one-of-the-key-drivers-of-global-electricity-dema.html

http://www.iea.org/publications/freepublications/publication/The_Future_of_Cooling.pdf

https://www.nytimes.com/2018/05/15/climate/air-conditioning.html

https://globoplay.globo.com/v/6733389/

 

COMO O MUNDO REAL ESTÁ COLOCANDO O ACORDO DE PARIS EM PRÁTICA?

Para o Climate Home, as negociações climáticas estão cada vez mais distantes da explosão de atividade impulsionada pelo Acordo de Paris.  O pessoal do website fala de onze casos nos quais empresas, pesquisadores, governos e cidadãos estão criando novas formas de combater a mudança do clima. O artigo descreve uma variedade de ações, desde os green-bonds e o plano chileno de reforma de seu setor energético intensivo em carvão até o indiano Jadav Payeng, que cultivou quase sozinho uma floresta de 550 hectares, passando pela explosão de casos climáticos nas cortes, cidades que estabelecem zonas livres de carros e proibições de carros a diesel, crescimento do uso de baterias, evolução explosiva da tecnologia solar, crescimento do veganismo e do vegetarianismo e outros exemplos.

A ideia é ótima, mas a realização um tanto preguiçosa. O pessoal deixou de falar das inovações na produção de aço e alumínio, do avanço dos sistemas públicos de transporte e dos veículos elétricos na China, do desenvolvimento de várias técnicas de utilização dos excedentes de energia renovável, dos acordos realizados pela aviação e a navegação internacionais, dos sistemas brasileiros de integração lavoura-pecuária e de muitos outros exemplos.

http://www.climatechangenews.com/2018/05/14/11-ways-paris-climate-deal-working-real-world/

 

Para ir ou acompanhar

AGROPECUÁRIA E A DINÂMICA DE COBERTURA E USO DA TERRA: DADOS CIENTÍFICOS E SUA APLICAÇÃO

Seminário da Coalizão Brasil Clima, Florestas e Agricultura​.

Um debate científico com quem gera, utiliza, comunica e analisa dados relacionados ao uso da terra.

Participação de Carlos Nobre, Marcelo Furtado, Roberto Rodrigues, Britaldo Soares e Eduardo Assad, dentre outros.
Amanhã, 5a feira, 17 de maio, das 8h30 às 19h00, na sede do Banco Santander (entrada do Jardim das Oliveiras), Auditório Mezanino.
Av. Presidente Juscelino Kubitschek, 2235, São Paulo/SP
Confirme sua participação enviando nome completo e CPF para admin@coalizaobrasil.org

Ou acompanhe online:
De manhã: https://bit.ly/2I0EzcO

À tarde: https://bit.ly/2InNUPx

 

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