ClimaInfo, 31 de agosto de 2018

ClimaInfo mudanças climáticas

O CRESCIMENTO DA GERAÇÃO FOTOVOLTAICA

Quase 1 GW fotovoltaicos entraram em operação no Nordeste durante 2017. Lá, no primeiro semestre deste ano, as centrais fotovoltaicas foram responsáveis por 2,3% da eletricidade gerada. De janeiro a junho de 2018, em todo o Brasil, a capacidade de geração fotovoltaica cresceu 35%, gerando mais de 1,5 TWh. De acordo com a CCEE, até junho, a capacidade solar fotovoltaica instalada em 55 unidades operacionais chegou a quase 1,4 GW. Em 2017, só havia 17 plantas em atividade, com capacidade pouco abaixo de 300 MW.

https://brasilenergia.editorabrasilenergia.com.br/geracao-solar-se-mostra-no-nordeste/

 

OS OBSTÁCULOS PARA UM PREÇO PARA AS EMISSÕES BRASILEIRAS

O 3o Fórum Economia Limpa discutiu a precificação do carbono tida como como fundamental para que a economia do país passe a um patamar de menores emissões. Dados do Banco Mundial, mostram a existência de algum tipo de mecanismo de precificação em mais de 50 países. Na América Latina, México, Chile e Colômbia saíram na frente. O Brasil está bem atrasado no processo, e a conjuntura política certamente não permite vislumbrar avanços no curto prazo. No Fórum, Everardo Maciel, ex-secretário-executivo da Receita Federal, em fala sobre a tributação ambiental em geral, disse não haver espaço para um imposto novo e que a saída seria mexer no labiríntico sistema tributário do país. Um caminho alternativo seria a criação de um mercado de permissão de emissões, algo parecido com o que a Europa implantou (mais sobre o mercado europeu em nota mais abaixo), no qual o difícil é “colocar o guizo no gato”: as indústrias mais emissoras estão entre as mais atingidas pela recessão e têm pouco espaço para custos adicionais. O ministério da fazenda vem discutindo e trabalhando modelos e alternativas há anos. O prazo para começar a tirar as coisas do papel termina no próximo ano. Em nota, o ministério diz que não vai comentar o tema.

https://www1.folha.uol.com.br/seminariosfolha/2018/08/brasil-deve-adotar-precificacao-de-carbono-em-2020.shtml

 

FÓRUM DISCUTE A ECONOMIA LIMPA E SEUS PERCALÇOS

Vale registrar outros temas discutidos nas mesas do Fórum promovido pela Folha de São Paulo:

– Cadeia de reciclagem e o papel do setor produtivo;

– O movimento dos sem-lixo e ideias para reduzir, reusar e reaproveitar;

– Reciclagem de lixo acontecerá quando o lixo tiver um valor econômico;

– Como estender a vida do plástico para evitar descarte e como acelerar o reuso de embalagens;

– Créditos de carbono e cotas de área florestal; e

– Crises hídricas: precisa haver mais difusão de conhecimento da importância e como preservar rios e mares.

As matérias podem ser vistas no especial da Folha, no link abaixo.

https://www1.folha.uol.com.br/especial/2018/economia-limpa3/

 

RORAIMA: EFICIÊNCIA ENERGÉTICA, MINIRREDES DISTRIBUÍDAS, GERAÇÃO SOLAR E BATERIAS EM ÁREA DE CONCESSIONÁRIA COMPRADA POR EMPRESAS DA ENERGIA FÓSSIL?

A AES-Tietê, que esta semana foi notícia por ter instalado baterias ao lado de uma hidrelétrica, demonstrou interesse em participar do leilão de eficiência energética que deve acontecer neste ano em Roraima. A ideia da empresa é associar o armazenamento em baterias com sistemas de geração movidos a combustíveis fósseis e a energia solar, e criar minirredes para evitar a dependência da conexão com o Sistema Integrado Nacional.

Mas, ontem, no 1o dos leilões de privatização dos pedaços da Eletrobras, a Boa Vista, concessionária que atende Roraima, foi arrematada por um consórcio formado pelas empresas Oliveira Energia e Atem. A Oliveira é uma das principais fornecedoras e operadoras de geradores diesel na margem esquerda do Amazonas, desde a fronteira com a Colômbia até Manaus; a Atem é uma das principais distribuidoras de petróleo e derivados da região Norte. Com tal portfólio, estas empresas aceitarão a operação de energia limpa e baterias no estado?

https://www.valor.com.br/empresas/5786057/tiete-quer-instalar-geracao-solar-com-baterias-em-roraima

https://www.valor.com.br/empresas/5788673/energisa-arremata-eletroacre-e-ceron-e-consorcio-leva-boa-vista

 

GERADORA MULTINACIONAL INVESTE EM FONTES LIMPAS E GERAÇÃO DISTRIBUÍDA

A Engie (ex-GDF Suez), multinacional francesa de energia, colocou nos seus planos de investimento R$ 300 milhões para projetos de eficiência energética e geração solar distribuída. No tocante à eficiência, pretende oferecer a gama toda de serviços, desde consultoria, passando pela instalação e financiamento, até a operação e manutenção dos sistemas. Também faz parte dos planos o armazenamento em baterias, podendo trazer soluções adaptadas das suas operações nos EUA. A Engie colocou à venda as grandes e antigas térmicas a carvão em Santa Catarina, mas ainda não conseguiu se livrar desses fósseis.

https://economia.estadao.com.br/blogs/coluna-do-broad/engie-preve-investimentos-de-r-300-mi-em-servicos/

 

OPERADORA DE CELULAR INVESTE EM GERAÇÃO DISTRIBUÍDA

A TIM anunciou que reduzirá sua exposição ao mercado cativo de eletricidade. O cativo é aquele dos pequenos consumidores, como os residenciais, que não têm opção senão comprar energia da rede das concessionárias locais. Hoje, a empresa compra 30% da energia utilizada por meio de contratos no mercado livre. A empresa está fazendo parcerias com 15 empresas que farão projetos de geração distribuída em 21 estados. Bruno Gentil, diretor de recursos corporativos, disse à Folha que “até 2020, 60% da nossa demanda será atendida por essas opções fora do mercado tradicional. Isso gera uma economia de até 18% no valor que desembolsamos”. Os projetos cobrem uma gama de fontes: solar, eólicas, pequenas hidrelétricas e térmicas a biomassa.

https://www1.folha.uol.com.br/colunas/mercadoaberto/2018/08/operadora-usara-geracao-distribuida-de-energia-para-reduzir-custos.shtml

 

FACEBOOK QUER SE LIVRAR DOS FÓSSEIS

O Facebook se juntou ao Citicorp e à Ikea e definiu uma data-limite para estar livre de eletricidade gerada por meio da queima de fósseis. Em 2017, a empresa consumiu 2,46 TWh, 34% a mais do que em 2016. Para se ter uma ideia do tamanho disso, uma cidade como Cubatão, em São Paulo, com mais de 110 mil habitantes, consumiu 2,8 TWh em 2016. A operação do Facebook exige segurança máxima de fornecimento durante todo o tempo, sob risco da nuvem e tudo que há nela desabar. Ainda não é viável para a empresa contratar diretamente energia de plantas fotovoltaicas e eólicas e juntar um monte de baterias para garantir o fornecimento. Por enquanto, a empresa compra energia de concessionárias e colabora – no que diz ser o máximo de suas possibilidades – para limpar suas matrizes. Bobby Hollis, diretor global de energia da companhia, disse: “queremos nos certificar de que o novo projeto em energia renovável está sendo acrescentado à mesma rede que nos atende, para que possamos ter certeza de que ele estará de fato agregando novas energias limpas e substituindo os combustíveis fósseis”. Dos 49% de energia fóssil que comprou no ano passado, a empresa quer chegar a 2020 sem comprar mais nada.

https://www.valor.com.br/empresas/5781715/facebook-pretende-abandonar-uso-de-combustivel-fossil-ate-2020

https://www.valor.com.br/brasil/5303555/consumo-de-energia-no-brasil-aumenta-15-em-2017-segundo-ons

 

PREÇO DO CARBONO CONTINUA SUBINDO NA EUROPA

O recente acordo sobre o funcionamento do mercado de carbono europeu está fazendo o preço da permissão de emissão – o preço do carbono – subir expressivamente. Nos últimos 16 meses, o preço simplesmente quadruplicou de valor; e mais que dobrou neste ano. Em janeiro começam a valer os novos mecanismos, especialmente o MSR (sigla em inglês da reserva de estabilidade do mercado). Este mecanismo permite ao regulador atuar com rapidez para enxugar excedentes no mercado. Quando a Europa entrou em recessão há quase dez anos, a demanda de energia caiu e o setor de energia se viu com mais permissões do que emissões. A sobra fez o preço do carbono despencar, e as tais permissões viraram verdadeiros micos. A expectativa de enxugamento destes micos de mercado está sendo suficiente para fazer o preço voltar aos maiores níveis praticados antes da recessão.

Em tempo: antes que alguém por aqui se anime, as diretivas europeias definiram que só são aceitos créditos de carbono vindos dos países menos desenvolvidos e das ilhas ameaçadas de desaparecer. Na América do Sul, só Paraguai e Bolívia fazem parte desse clube. https://www.carbontracker.org/reports/carbon-countdown/

 

OCEANOS ABSORVEM 90% DO EXCESSO DE CALOR GERADO PELO AQUECIMENTO GLOBAL

Na semana passada, numa reunião da ONU sobre o estado dos oceanos, se reafirmou o papel crucial desempenhado por estes no clima do planeta. A humanidade é responsável pela emissão de gases de efeito estufa que impedem que a radiação solar na forma de calor volte ao espaço. 90% deste excesso de calor que é absorvido pelos oceanos, só pouco mais de 2% aquece a atmosfera, enquanto os outros quase 8% derretem o gelo e a neve e esquentam a superfície dos continentes. Água quente ocupa mais espaço fazendo o nível do mar subir. Água quente também afeta a vida marinha, por exemplo, ajudando a branquear os corais. Na reunião, assumiu-se o compromisso de atualizar Relatório Mundial sobre o Estado do Meio Ambiente Marinho até julho do ano que vem.

https://www.efe.com/efe/brasil/varios/oceanos-armazenam-mais-de-90-do-calor-gerado-pelo-efeito-estufa-diz-estudo/50000250-3731377

https://public.wmo.int/en/our-mandate/focus-areas/oceans

 

Para ver

DOCUMENTÁRIO PELAS ÁGUAS DO RIO DE LEITE

O documentário registra lugares sagrados e narrativas de origem dos povos indígenas da família tukano do Alto Rio Negro (AM) e contou com o apoio do ISA (Instituto Socioambiental) e da Foirn (Federação das Organizações Indígenas do Rio Negro). Depois da exibição, uma conversa reunirá a diretora do filme, a antropóloga do ISA, Aline Scolfaro, e dois conhecedores indígenas e participantes protagonistas do documentário: Higino Tenório Tuyuka, coordenador das duas expedições pelos rios Negro e Uaupés, e Miguel Pena Tukano.
Na próxima terça, 4 de setembro, no CineSesc, em São Paulo.

https://www.sescsp.org.br/programacao/167471_PELAS+AGUAS+DO+RIO+DE+LEITE

 

Para ir

A AMAZÔNIA TEM PRESSA: EXPERIÊNCIAS EMPREENDEDORAS

A TNC e o Santander promovem um debate sobre a infraestrutura na Amazônia. O debate reflete as relações da TNC com empresas, relações estas que visam encontrar um “caminho do meio” na busca pela conservação e o respeito aos direitos na região, em especial, no Tapajós.

2a feira, 3 de setembro, das 8h30 às 13h, no espaço do Santander: Av. Juscelino Kubitschek, 2235, São Paulo.

Confirmar presença pelo e-mail abaixo.
sustentabilidade@santander.com.br

 

Para ir

SÉTIMO PAINEL DA PLATAFORMA 2018: BRASIL DO AMANHÃ

Discussão sobre a economia das florestas e sua contribuição para a construção de uma agenda social, climática e biodinâmica para o país.

Dia 17 de setembro, das 18h às 21h, no Museu do Amanhã: Praça Mauá, 1, Rio de Janeiro.

Informações e inscrições no link.

https://museudoamanha.org.br/pt-br/brasil-do-amanha-florestas

 

Para ir

INVESTIMENTO RESPONSÁVEL: DO CRÉDITO AO MERCADO DE CAPITAIS

A Sitawi, com apoio da Fundação Mott, convida para discutir os avanços do setor financeiro no contexto da gestão socioambiental, contemplando desafios e oportunidades do setor bancário e dos demais segmentos de instituições financeiras. Foi convidada gente envolvida no tema para compartilhar suas experiências nos últimos anos e desafios para os próximos passos.

A Sitawi lançará dois estudos da série Caminhos da Responsabilidade Socioambiental no BNDES: um deles a respeito dos avanços recentes e desafios na implementação da Política de Responsabilidade Socioambiental do banco, e outro sobre a gestão socioambiental na sua atuação em mercado de capitais.

27 de setembro, das 8h30 às 12h30, no Hotel Prodigy Santos Dumont, no Rio de Janeiro.

https://info.sitawi.net/evento_investimentoresponsavel

 

Para ler

HOW AMERICA’S ‘MOST RECKLESS’ BILLIONAIRE CREATED THE FRACKING BOOM

O jornal The Guardian traz uma matéria de 8 páginas (em inglês) especial para quem quer saber como a indústria do fracking apareceu, cresceu astronomicamente, mudou paradigmas no mundo do petróleo e quase foi para o espaço ao dar passos maiores do que as pernas. O fracking atraiu gente que vendeu o que não tinha e tomou empréstimos e dando em garantia terras supervalorizadas. Um esquema semelhante às pirâmides financeiras, alimentado pela ganância que os fósseis atraíram desde sempre.
https://www.theguardian.com/news/2018/aug/30/how-the-us-fracking-boom-almost-fell-apart

 

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