ClimaInfo, 24 de setembro de 2018

BOA NOTÍCIA PARA A PREOCUPANTE QUESTÃO DOS ALTOS VALORES DA REGENERAÇÃO FLORESTAL

Para restaurar/regenerar florestas em grandes áreas, deixar o mato crescer, em alguns casos, não só é mais barato como é mais eficiente. É o que concluíram pesquisadores da ESALQ e da UFSCar em trabalho publicado no Journal of Applied Ecology. Os dois grandes argumentos contra a restauração florestal são o custo e o tempo necessário. Mas, analisando fotos de satélite dos remanescentes de Mata Atlântica na bacia do Rio Piracicaba, em São Paulo, e usando modelos da probabilidade da regeneração natural, os pesquisadores observaram que variáveis socioeconômicas não têm quase influência, e que as 3 variáveis mais importantes são a inclinação do terreno, a distância até corpos d’água e a existência prévia de remanescentes florestais nas proximidades. Para pastos e áreas com lavouras, a regeneração natural é mais favorecida em área com inclinação de até 10%, distantes até 200 metros de um corpo d’água ou até 100 metros de um remanescente florestal.

Por falar em corpos d’água, vale a leitura da matéria que a Juliana Diógenes escreveu sobre o Rio Tietê e a vida que vai ressuscitando em trechos que antes eram símbolos da poluição e morte.
https://besjournals.onlinelibrary.wiley.com/doi/10.1111/1365-2664.13263

https://www1.folha.uol.com.br/colunas/reinaldojoselopes/2018/09/a-vida-encontra-um-caminho.shtml

https://sustentabilidade.estadao.com.br/noticias/geral,tiete-a-vida-que-volta-ao-entorno-do-rio-morto,70002512018

 

GOVERNO DO MT LANÇA PORTAL DA TRANSPARÊNCIA PARA AJUDAR NO MONITORAMENTO DO DESMATAMENTO

A Secretaria de Meio Ambiente do Mato Grosso lançou, finalmente, seu Portal da Transparência com dados georreferenciados das autorizações de desmate, cruciais para separar o desmatamento legal do ilegal. O Mato Grosso é o primeiro estado a disponibilizar publicamente estes dados. Para Ana Valdiones, do ICV, “a partir de agora, a informação sobre quem desmata com a devida autorização do órgão ambiental está completamente transparente. Isso é um elemento fundamental para que sociedade, empresas e outros órgãos públicos implementem mecanismos para combater o desmatamento ilegal”. O Portal também aumentou a transparência das informações sobre o Cadastro Ambiental Rural, disponibilizando a situação dos cadastros quanto à sua análise e validação, os recibos de inscrição e os Termos de Compromisso firmados. Alice Thuault, também do ICV, comemora o lançamento do Portal: “nós passamos os últimos 10 anos recomendando uma série de medidas que o Estado deveria tomar para melhorar a transparência da informação ambiental. Ficamos muito felizes de ver boa parte de nossas recomendações sendo postas em prática pelo Poder Público”.

Ainda estão faltando os dados dos outros 25 estados e do Distrito Federal.

https://www.icv.org.br/2018/09/20/melhora-a-transparencia-da-gestao-ambiental-em-mato-grosso/

 

PRESIDENCIÁVEIS NÃO QUEREM TABELA DE FRETE E GOVERNO PODE ENFRENTAR OUTRA GREVE

Perguntados sobre o subsídio ao diesel dado aos caminhoneiros para encerrar a greve de maio, alguns presidenciáveis preferem mexer na política de preços da Petrobrás, outros preferem algum tipo de tributo ou fundo que evite o repasse brusco de preços do diesel do mercado internacional para os postos de abastecimento. Exceto por Bolsonaro, que tergiversou, os demais são contra subsídios deste tipo.

O tabelamento do frete segue sendo uma pauta-bomba. A categoria entende como uma conquista inegociável. E os presidenciáveis, todos, deram a entender que não gostam de tabelamentos. Uma parte das associações de caminhoneiros pretende conversar depois do 1o turno para decidir quem apoiará. Outra parte só vai conversar com o eleito e lança a ameaça de nova greve desde já. Apesar de ter virado lei, segundo o Estadão, já tem gente furando o tabelamento.

Este é um grande abacaxi para o futuro governo.

https://economia.estadao.com.br/noticias/geral,presidenciaveis-rejeitam-renovar-subsidio-de-r-18-bi-ao-diesel-em-janeiro,70002514748

https://economia.estadao.com.br/noticias/geral,revogar-tabela-do-frete-e-maior-desafio-do-proximo-presidente,70002514775

https://economia.estadao.com.br/noticias/geral,dialogo-com-presidente-eleito-comeca-ainda-este-ano-dizem-caminhoneiros,70002514811

 

DIRETOR DA ANP QUER VENDER TODO O PETRÓLEO POSSÍVEL ANTES DA INEVITÁVEL PERDA DE VALOR

O diretor-geral da ANP, Décio Oddone, disse que “o Brasil precisa impulsionar as atividades de óleo e gás para explorar suas reservas enquanto elas ainda têm valor”. A bela fala foi feita em público, na semana passada, durante evento Rio Oil & Gas. Aliás, ele disse o mesmo no final de agosto, num seminário em São Paulo e, de novo, em outro seminário no Rio, na 2a semana de setembro. Oddone parece estar genuinamente preocupado com as previsões de pico da demanda por combustíveis fósseis já na próxima década, o que deve derrubar o preço do barril.

Algumas perguntas que não querem calar: e a MP do Trilhão que estende benefícios até 2040? E o aquecimento global?
https://www.valor.com.br/patrocinado/ibp/ibp/adiar-exploracao-das-riquezas-do-pre-sal-comprometeria-desenvolvimento

 

ATÉ 2025, O CARRO ELÉTRICO SERÁ COMPETITIVO COM OS FLEX

Por enquanto, o mercado de carros elétricos aqui é pequeno e caro – com preços acima de R$ 120 mil. Mas isto está mudando. Por exemplo, há alguns anos, a bateria chegava a ser quase ⅔ do preço do carro, ao passo que, hoje, ela fica em torno de ⅓. Na semana passada, o pessoal da Associação Internacional do Cobre disse que a partir de 2025, o carro elétrico estará competindo com os flex.

https://www.canalenergia.com.br/noticias/53075715/veiculos-eletricos-terao-preco-de-flex-em-2025-aponta-estudo

 

HYUNDAI APOSTA NO HIDROGÊNIO PARA CAMINHÕES

A Hyundai lançará seu caminhão com célula de combustível ainda este ano. Das grandes automotivas, considera-se que a Hyundai está atrás das concorrentes no mercado dos elétricos a bateria e, daí, sua necessidade de dar um salto à frente na tecnologia das células a hidrogênio. Um de seus argumentos é que a tecnologia aproveita boa parte dos componentes dos caminhões com motor de combustão interna, ameaçando um pouco menos as empresas e os empregos do setor. Segundo o fabricante, o hidrogênio é mais adequado do que a bateria para o transporte de carga em longas distâncias, apesar da infraestrutura de distribuição de hidrogênio ser até mais complicada do que a dos postos de recarga elétrica.

https://www.valor.com.br/empresas/5867315/hyundai-planeja-caminhao-movido-hidrogenio

 

OPEP AINDA ENXERGA UM FUTURO CHEIO DE PETRÓLEO

A OPEP (organização dos países exportadores de petróleo) divulgou a edição 2018 do seu World Oil Outlook. Não chega a surpreender que a organização não enxergue um limite para a demanda de petróleo antes de 2040, quando para eles o mundo estará queimando 11% mais barris do que hoje. No cenário da OPEP, o mundo estará consumindo ⅓ menos carvão, embora esse consumo em países em desenvolvimento deva crescer 20%; o tamanho da frota de veículos mais que dobra, embora os elétricos devam aparecer no mapa, e o petróleo que ia para essa parte da frota ajudará a satisfazer a demanda de combustíveis para aviões que deve crescer a taxas de 2,2% ao ano; e a oferta de fontes renováveis também aumenta, mas em 2040, não deve ficar em mais que 20% da oferta global de energia. Quanto ao óleo e o gás de fracking dos EUA, a OPEP acha que a produção crescerá bastante até 2020, quando começa a ralentar, e atinge seu pico entre 2025-30.

O relatório menciona repetidamente o clima. A defesa do seu produto se apoia nas famosas “responsabilidades comuns porém diferenciadas”, atribuindo a “culpa” a quem queima petróleo e não a quem produz. E se apoia na necessidade de prover energia barata para melhorar a qualidade de vida da imensa maioria da população pobre do planeta. Como se queimar petróleo não piorasse a qualidade de vida exatamente desta população mais pobre.

https://www.opec.org/opec_web/en/publications/340.htm

https://www.theguardian.com/business/2018/sep/23/opec-predicts-massive-rise-in-oil-production-over-next-five-years

 

PETROLEIRAS DOS EUA SE JUNTAM ÀS EUROPEIAS PELO CLIMA

As petroleiras norte-americanas Exxon, Chevron e Occidental, três das maiores do mundo, se juntaram à Iniciativa Climática do Petróleo e Gás (OCGI – Oil & Gas Climate Initiative) e prometeram aplicar US$ 300 milhões em pesquisas para reduzir as emissões de gases de efeito estufa. Esse dinheiro é pouco perto do que investem na própria operação. Só o plano de investimentos da Exxon para 2018 soma US$ 24 bilhões. Mas vale pelo simbólico.

A OCGI foi criada em 2014 pelos dirigentes das BP, Shell, Saudi Aramco e outras sete petroleiras baseadas na Europa e na Ásia. Nenhuma das grandes norte-americanas aderiu. Agora, esse movimento das três as coloca na contramão de tudo que Trump está fazendo.

Darren Woods, CEO da Exxon, disse que a iniciativa “exigirá esforços coletivos de muitos da indústria da energia e da sociedade para desenvolver soluções acessíveis e escalonáveis para enfrentar os riscos da mudança climática. Esse duplo desafio é um dos mais importantes enfrentados pela sociedade e pela nossa companhia”.

http://oilandgasclimateinitiative.com/

https://www.bloomberg.com/news/articles/2018-09-20/exxon-chevron-are-said-to-join-industry-climate-group

 

‘PISTOLAS’ COM O TRANSPORTE PÚBLICO,INGLESES VOLTAM A ANDAR DE CARRO

Os ingleses estão usando cada vez mais seus carros, e o principal motivo é a piora do transporte público. Em uma pesquisa de opinião, ⅓ dos entrevistados disse que está usando mais o carro do que há um ano, quebrando uma tendência que vinha desde 2012. Perguntados da razão dessa mudança, 34% disse que precisa transportar mais a família, 32% passou a morar mais distante do trabalho e 27% disse que a família e os amigos passaram a morar mais longe. Quase ¼ disse que o transporte público piorou. Para este grupo, foi perguntado o que havia piorado. Quase metade disse que ficou menos confiável e 40% disse que as tarifas estão mais caras. De fato, o Departamento de Transporte revelou que a quantidade de viagens em ônibus locais caiu 1,5% entre 2016 e 2017. As viagens de trem entre 2017 e 2018 caíram 1,4%. A pontualidade da rede sobre trilhos vem caindo desde 2006, e as tarifas subiram 3,2% desde o início de 2018.

60% dos entrevistados disse que usaria menos seus carros se o transporte público melhorasse.

“Na hora em que tanto esforço está sendo feito para enfrentar problemas de qualidade do ar e os congestionamentos, é alarmante ver que a dependência do automóvel é a mais alta jamais vista”, disse David Bizley, engenheiro chefe do Royal Automobile Club, que conduziu a pesquisa.

https://www.independent.co.uk/environment/public-transport-anger-car-dependency-survey-rac-report-on-motoring-a8548021.html

 

NOVOS GRÁFICOS MOSTRAM O AQUECIMENTO GLOBAL

Um dos melhores criadores de imagens demonstrativas do aquecimento global, Ed Hawkins, professor da universidade inglesa de Reading, criou mais uma. Hawkins pegou dados de temperatura e de precipitação de cinco regiões do Reino Unido registrados desde 1873. Por coincidência, as cinco regiões cobrem o Reino Unido em largura e extensão. Para cada ano, Hawkins plotou uma linha vertical com uma cor indicando o quanto a temperatura média daquele ano se afastou da temperatura média da região durante todo o século passado: os azuis indicam que a temperatura naquele ano foi menor do que a média do século; os vermelhos indicam que ficou acima. Quanto mais intensa a cor, maior a diferença. O gráficos são nitidamente azuis nos primeiros anos e lentamente vão se avermelhando. Mas, a partir da virada do século, quase tudo fica vermelho. Se Hawkins quiser projetar seu gráfico para o futuro, terá que arranjar uma cor ainda mais forte do que o vermelho usado. O gráfico das chuvas é menos dramático, mas ainda assim mostra uma tendência clara de tempos menos chuvosos.

A revista The Economist desta semana traz uma matéria sobre o furacão Florence e o tufão Mangkhut que atingiram os EUA, as Filipinas e a China recentemente. Ela explica que a força destas tempestades vem das águas aquecidas dos oceanos ao longo de suas trajetórias. A matéria mostra outro gráfico, com a da diferença entre a energia acumulada nos oceanos em cada ano e sua média entre 1983 e 2010, no qual dá para ver claramente que essa diferença também está crescendo. Oceanos mais quentes geram tempestades cada vez mais fortes.

https://inews.co.uk/news/environment/these-charts-show-how-climate-change-is-already-happening/

https://www.economist.com/international/2018/09/22/storms-in-america-and-the-pacific-are-evidence-of-climate-change

 

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