ClimaInfo, 1 de outubro de 2018

ClimaInfo mudanças climáticas

BOLSONARO DIZ QUE ACORDO DE PARIS EMBUTE COMPLÔ PARA INTERNACIONALIZAÇÃO DA AMAZÔNIA

Bolsonaro, na entrevista para o Datena na Band, disse que “um corredor ecológico de 136 milhões de hectares que nesse acordo do clima, que está sendo tratado aí fora, está sendo tratado escondido. Ou seja, esse grande corredor ecológico poderá ser declarado área essencial, vital para a humanidade. Nós perderemos, então, a soberania sobre essa área – nós perderemos nossa Amazônia”.
Na ditadura militar, uma tal de “ameaça estrangeira” foi uma das justificativas para a construção das Transamazônicas da vida.

https://noticias.band.uol.com.br/brasilurgente/videos/16549419/datena-entrevista-bolsonaro-na-uti-%E2%80%93-parte-1.html

https://www.noticiasagricolas.com.br/noticias/meio-ambiente/219875-bolsonaro-causa-panico-entre-ambientalistas-da-onu.html#.W6_5A2hKhko

 

SIM, UMA PARTE DO AGRONEGÓCIO TAMBÉM PRESERVA

Editorial do jornal O Estado de São Paulo desafia a verdade desde a primeira frase: “É frequente a acusação de que o agronegócio seria um dos grandes, se não o principal, inimigo do meio ambiente”. O jornal não diz de onde tirou esta conclusão, mas faz questão de colocar na mesma categoria, o “agronegócio”, tanto os produtores sérios e modernos quanto os grileiros que invadem terras públicas, desmatam sem autorização e que, volta e meia, são pegos pela fiscalização do trabalho escravo. A maioria dos produtores rurais não merece ser catalogada como grileira e escravagista. O jornal deveria ter mais cuidado, fazer esta distinção, e condenar vigorosamente aqueles que desrespeitam o regramento. Também seria importante que o jornal tivesse em mente o embate entre ambientalistas e deputados ruralistas por ocasião da aprovação do Código Florestal, em 2012, e os cantos de vitória e autocongratulações destes últimos que, não só não cumprem a lei que aprovaram, como, evidentemente, vêm fazendo campanha para alterá-la. Infelizmente, o jornal parece aderir à campanha.

Finalmente, nestes tempos de mudança climática, os estudos mostram que a preservação da Amazônia e do Cerrado são vitais para o próprio agronegócio, que depende do regime de chuvas garantido por estes biomas. Se o jornal entende que a preservação em si é um valor menor, que pelo menos faça as contas e avalie o que acontecerá com as lavouras de soja e milho se a Amazônia vier a ser savanizada e com uma crise hídrica perene no Matopiba.

https://opiniao.estadao.com.br/noticias/geral,merito-do-produtor-rural,70002525188

https://economia.estadao.com.br/noticias/geral,agronegocio-tambem-preserva-diz-embrapa,70002521092

 

MELHORES ESTRATÉGIAS PARA O USO DO SOLO

O agronegócio é grande, muito tecnológico e, desde os tempos coloniais, vital para a economia nacional. Como nos países nos quais não há terra para a expansão da produção rural, é hora do agronegócio brasileiro olhar estrategicamente para seu maior bem, a terra. Este é o principal recado de um artigo assinado por André Guimarães, do IPAM, e Luiz Cornacchioni, da Associação Brasileira do Agronegócio (Abag), ambos parte da coordenação da Coalizão Brasil, Clima, Florestas e Agricultura. Dizem eles: “é chegada a hora de (…) um melhor aproveitamento das áreas já antropizadas e (…) uso de mais tecnologia no campo, reduzindo a pressão pelo desmatamento e melhorando a eficiência produtiva do setor agropecuário. Usar de forma mais estratégica o solo brasileiro significa trilhar um novo caminho de oportunidades, no qual produção agropecuária e conservação ambiental caminham juntas, lado a lado… O país tem em mãos uma oportunidade única: provar à humanidade que é possível integrar desenvolvimento econômico e conservação da natureza, sem abrir mão de gerar prosperidade a seu povo”.

Um outro artigo, publicado por Giovanni Ortolani, no Mongabay, lembra o relatório “Desmatamento Zero na Amazônia: como e porque chegar lá”, relatório que foi apresentado por um grupo de ONGs na Conferência do Clima do ano passado. Este, em linhas gerais, faz eco ao artigo anterior.

Como se vê, longe de condenar o agronegócio, o futuro só será bom se a agropecuária deixar de ser inimiga do meio ambiente.

https://complemento.veja.abril.com.br/pagina-aberta/unir-florestas-e-agricultura-grande-oportunidade-brasileira.html

https://pt.mongabay.com/2018/09/relatorio-o-brasil-tem-as-ferramentas-para-por-um-fim-ao-desmatamento-na-amazonia/

 

PLATAFORMA ONLINE PARA MONITORAR O CERRADO

O INPE lançou o portal Terra Brasilis Cerrado, “um sistema oficial de monitoramento sistemático do desmatamento” do Cerrado que aproveita muito do que foi desenvolvido para a Amazônia. O portal apresenta os dados do PRODES Cerrado de 2000 a 2017 (bienal até 2012 e anual de 2013 para cá). Além dos dados do PRODES, o portal também apresenta dados em tempo quase real de outro satélite, o DETER Cerrado. Neste projeto, o INPE conta com o apoio da Universidade Federal de Goiás. O portal foi apresentado no 1o Workshop sobre o projeto FIP FM Cerrado, do MCTIC, na semana passada.

http://terrabrasilis.dpi.inpe.br/

http://www.inpe.br/workshopfipcerrado/

 

O DRAMA DE MONTE BELO NA SÉRIE “PROJETO AMAZÔNIA”

A 6a matéria da série “Projeto Amazônia”, da Folha de São Paulo, fala do impacto do esvaziamento da Volta Grande do Xingu, sobre a fauna e a vida das populações nativas que vivem, ou viviam, na região. A vazão no trecho deve ser reduzida ainda mais em 2019, quando forem ligadas as 9 turbinas ainda faltantes. Thais Santi, procuradora da República em Altamira, disse que “apesar das 24 ações já propostas, entendo que ainda não conseguimos mensurar o passivo deixado por Belo Monte, em especial por não terem sido realizadas ações indispensáveis à viabilidade do empreendimento, como a proteção das terras indígenas”. Os depoimentos colhidos por Fabiano Maisonnave e as fotos de Lalo de Almeida são imperdíveis.

http://temas.folha.uol.com.br/projeto-amazonia/hidreletricas/prestes-a-ser-concluida-belo-monte-e-criticada-por-atingidos-e-especialistas.shtml


COMO A RESTAURAÇÃO FLORESTAL PODERIA REDUZIR O CUSTO DO TRATAMENTO DA ÁGUA DE SÃO PAULO

Se São Paulo reflorestasse 4 mil hectares em torno do Sistema Cantareira, poderia economizar quase R$ 70 milhões, tendo um retorno sobre o investimento de 28%. Essa é a principal conclusão do estudo “Infraestrutura Natural no Sistema Hídrico de São Paulo”, feito pelo WRI, em parceria com Fundação Boticário, TNC, FEMSA, IUCN, IBio e a Natural Capital Coalition. Segundo o estudo, “a restauração de 4 mil hectares de florestas em áreas prioritárias na bacia do Cantareira consegue reduzir em até 36% o aporte de sedimentos, como sujeira e terra, nos rios que correm para os reservatórios. Com menos sedimentos entrando nos reservatórios, a empresa de saneamento gasta menos com a limpeza da água. Não são necessárias tantas
operações de dragagem nos rios, por exemplo, e a empresa pode usar uma quantidade menor de produtos químicos para tratar a água”. O grupo aplicou, para a região de São Paulo, uma metodologia usada para analisar cidades norte-americanas como Portland e Denver. Segundo o WRI, o grupo deve repetir a análise para o Rio de Janeiro e para Vitória.

http://wribrasil.org.br/pt/publication/infraestrutura-natural-para-agua-no-sistema-cantareira-em-sao-paulo

https://g1.globo.com/sp/sao-paulo/noticia/2018/09/30/sistema-cantareira-completa-dois-meses-em-estado-de-alerta.ghtml

 

LEILÃO DO PRÉ-SAL PROMETE RECEITAS BILIONÁRIAS E MUITO AQUECIMENTO GLOBAL

No último leilão de áreas do pré-sal da era Temer, a disputa pela concessão dos quatro campos foi dentro do esperado e a União ganhou bônus de quase R$ 7 bilhões, como previsto de antemão. Houve protestos organizados pela 350.org, mas as autoridades levaram a melhor. A Petrobrás ficou com uma das áreas, e as grandes petroleiras se dividiram em três consórcios para levar as outras três. Para atrair mais investidores, a concessão sai mais barata no começo, mas uma parte do petróleo extraído fica para a União. Assim, os boletins para a imprensa falam da União poder ganhar mais de R$ 1 trilhão nos próximos 30 a 35 anos, com a venda de sua parte do petróleo extraído.

Ninguém mencionou os vários trabalhos recentes indicando que estes ativos começarão a perder valor na próxima década. Provavelmente, o país verá que, por ter contribuído com o aumento da temperatura, terá nas mãos um petróleo que não conseguirá mais vender.

Um relatório sobre os EUA publicado na semana passada mostra que os norte-americanos liberaram a construção de mais de 40 petroquímicas que também liberarão milhões de toneladas de carbono por ano.

Estamos acompanhando uma corrida de insensatos.

https://www.valor.com.br/empresas/5891209/rodada-do-pre-sal-arrecada-r-68-bilhoes-em-bonus

https://g1.globo.com/economia/noticia/leiloes-do-pre-sal-renderam-r-198-bilhoes-a-mais-que-o-previsto-diz-mme.ghtml

https://noticias.band.uol.com.br/politica/noticias/100000933526/leiloes-vao-garantir-r-12-trilhao-ao-pais-em-35-anos-segundo-anp.html

https://www.houstonchronicle.com/news/houston-texas/houston/article/New-Texas-petrochemical-projects-add-millions-of-13264492.php

 

QUATRO PONTOS DE ATENÇÃO NO RELATÓRIO ESPECIAL 1,5oC DO IPCC

Sven Harmeling, da Care, pede para termos em mente quatro perguntas para o relatório do IPCC que será divulgado na próxima semana, e que discutirá o que o mundo precisa fazer para manter o aquecimento global limitado a 1,5oC acima dos níveis pré-industriais até o final do século. Para a agenda da Care, os impactos sobre a população mais pobre e mais vulnerável não podem nunca ser colocados em segundo plano.

As perguntas de Harmeling:

 

  1. Como trilhar uma rota sustentável limitando o aquecimento a 1,5oC? Um dos pontos chave é a determinação de quando se parará de queimar carvão mineral.
  2. O que precisamos aprender sobre clima e a necessária adaptação à sua mudança? Espera-se que o relatório traga clareza sobre a diferença da severidade dos impactos da limitação do aquecimento em 1,5oC versus a limitação em 2oC e versus a manutenção da tendência atual que, provavelmente, elevará a temperatura média global em mais de 3oC. Pela extensão dos danos, é possível estimar o custo para a humanidade nestes três cenários.
  3. Como o relatório aborda as perdas e os danos da mudança do clima? Para alguns países, como as pequenas ilhas no Pacífico, existem limites a partir dos quais nada mais poderá ser feito. Será importante abordar como o mundo cuidará destas populações.
  4. Financiamento climático: como a solidariedade internacional se tornará obrigação? Nas palavras de Harmeling, “será interessante observar como as conclusões do IPCC abordarão o buraco financeiro que existe entre o apoio dado pelos países desenvolvidos e o custo de adaptação dos países em desenvolvimento que devem chegar a US$ 300 bilhões até 2030”.

http://news.trust.org/item/20180928085630-hx8ad

 

CARVÃO: A EUROPA NÃO DEVE CONSTRUIR MAIS TÉRMICAS E O CONSUMO DOS EUA É O MAIS BAIXO DOS ÚLTIMOS 35 ANOS

Um analista da Goldman-Sachs desconfia que a Europa não mais construirá novas térmicas a carvão. Vários países europeus têm cronogramas para a eliminação gradual do carvão, e o próximo a embarcar nesta pode ser a Alemanha. Se isto acontecer, será a pá-de-cal na indústria carvoeira europeia.

Nos EUA, mesmo com toda a força que Trump está tentando dar para a moribunda indústria carvoeira, o consumo de carvão das térmicas do país bateu no ponto mais baixo da sua história. As renováveis e as térmicas a gás estão cada vez mais baratas e deixando o carvão para trás.

https://www.bloomberg.com/news/articles/2018-09-26/goldman-says-europe-may-have-built-its-last-coal-power-plant

https://www.reuters.com/article/us-usa-coal-kemp/u-s-power-producers-coal-consumption-falls-to-35-year-low-kemp-idUSKCN1M61ZX

 

RELATÓRIO DO GOVERNO TRUMP DIZ QUE DEIXAR OS CARROS MENOS EFICIENTES É “SÓ UMA GOTINHA” NO AQUECIMENTO GLOBAL

Um dos retrocessos prometidos por Trump é o relaxamento dos padrões de eficiência dos veículos norte-americanos. Carros mais eficientes custam mais e consomem menos petróleo – dois pontos muito negativos na perversa escala do presidente. Na semana passada, foi publicada a versão preliminar de um relatório que proporá os novos padrões enfraquecidos. O curioso, para não dizer trágico, é que há todo um capítulo dedicado à mudança do clima, no qual se aceita que o clima está mudando, e em boa parte pelas emissões da queima de combustíveis fósseis. Neste, a administração Trump diz que o aquecimento global é inevitável, que não será contido e que, até o final do século, a temperatura média global estará 4oC acima dos níveis pré-industriais. A cereja desse bolo infeliz é a recomendação de relaxamento dos padrões porque o aumento de emissões daí decorrente é insignificante perto do restante das emissões globais ou, em suas palavras, “vai acrescentar uma gota muito pequena num enorme balde quente” (So, it’s the end of the world as we know it, and the Trump administration feels fine).

Enquanto isso, o lobby financiado pelos famigerados irmãos Koch está pressionando todas as esferas de governo, em todo os EUA, para eliminar qualquer ameaça de subsídio ou isenção para carros elétricos.

https://www.nhtsa.gov/sites/nhtsa.dot.gov/files/documents/ld_cafe_my2021-26_deis_0.pdf

https://www.washingtonpost.com/national/health-science/trump-administration-sees-a-7-degree-rise-in-global-temperatures-by-2100/2018/09/27/b9c6fada-bb45-11e8-bdc0-90f81cc58c5d_story.html

https://www.desmogblog.com/2018/09/27/koch-funded-groups-again-speak-out-against-electric-vehicle-tax-credits

 

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PLATAFORMA 2018: BRASIL DO AMANHÃ – ENERGIA

O Museu do Amanhã convida para o debate do futuro da energia e seus impactos no desenvolvimento do país, com a participação de Amanda Schutza, do CPI, Sergio Leitão, do Escolhas, Edson Silva, da Engie, e Eliane Borges, do Sebrae.

Hoje, 1o de Outubro, das 18h às 21h, no Museu do Amanhã, no Rio de Janeiro.

Para fazer sua inscrição, mande um e-mail para o endereço abaixo. Se for acompanhado, informe o nome do acompanhante.

rsvp@museudoamanha.org.br

 

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