ClimaInfo, 10 de outubro de 2018

ClimaInfo mudanças climáticas

MÍDIA INTERNACIONAL COMENTA AS AMEAÇAS DE BOLSONARO À FLORESTA AMAZÔNICA

O jornalistas Fabiano Maisonnave descreveu as intenções e ameaças para a Amazônia de um eventual governo Bolsonaro, do clima aos povos nativos. A matéria, publicada na Climate Change News, sintetiza as propostas já conhecidas do ex-capitão, como acabar com o Ministério do Meio Ambiente (“expondo a maior floresta tropical do mundo e seus povos indígenas a gangues criminosas de madeireiros e garimpeiros”), retirar o país do Acordo de Paris, asfaltar estradas que atravessam a Amazônia, expulsar ONGs como o Greenpeace e o WWF.

Em tempo: em entrevista dada ontem, Bolsonaro prometeu cortar toda verba federal que vai para “ativistas” e, na 2a feira, o Major Olímpio, o bolsonarista novo senador por São Paulo, disse que um governo Bolsonaro venderia as terras indígenas.

Em tempo 2: a maior parte das matérias sobre Bolsonaro na mídia internacional falam das ameaças e da sua personalidade, considerada pouco adequada para governar um país.

http://www.climatechangenews.com/2018/10/08/bolsonaro-made-grim-threats-amazon-people/

 

A HISTÓRIA DO RELATÓRIO 1,5oC DO IPCC

Amelia Gonzalez contou n’O Globo um pouco da história da ciência e do envolvimento do mundo político e da sociedade que levou ao Relatório 1,5oC do IPCC lançado no domingo à noite. Gonzales começa trinta anos atrás, em 1988, quando o então diretor da Nasa, James Hansen, fez uma apresentação no Congresso dizendo que a atmosfera estava esquentando e dando uma ideia do que isso poderia provocar. No mesmo ano, a ONU criou o IPCC – Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas – para centralizar o que a ciência descobria sobre a mudança do clima. Dos primeiros pronunciamentos do IPCC, Gonzalez pula para o Relatório desta semana, contando um pouco sobre as discussões e conflitos internos ao Painel até se chegar à redação final. A repercussão no mundo todo tem sido grande. Resta saber se os ouvidos dos governantes se abrirão para ouvir.

https://g1.globo.com/natureza/blog/amelia-gonzalez/noticia/2018/10/08/um-pouco-de-historia-sobre-o-relatorio-que-alerta-para-o-risco-das-mudancas-climaticas.ghtml

 

GERAÇÃO A BIOMASSA PODE AUMENTAR, APESAR DA JUDICIALIZAÇÃO

O governo prometeu publicar uma autorização para aumentar em 30% as chamadas “garantias físicas” das térmicas a bagaço de cana para o próximo ano. Até agora, o que se viu foi, na prática, a manutenção do mesmo nível de geração do ano passado. O setor vem pressionando para que o governo autorize as usinas a gerarem mais. O conceito de “garantia física” (GF) vem das hidrelétricas. Uma hidrelétrica pode ter uma capacidade instalada de 15 MW, mas sua hidrologia só garante 10 MW; tem ano com água suficiente para gerar mais, mas nunca menos. O conceito é aplicado às térmicas a bagaço, nas quais estas variações deveriam ser menores. Para ter direito a um aumento da GF no ano seguinte, a usina tem gerar 5% à mais neste. A questão, nos últimos tempos, vem das confusões judiciais de todo o sistema. Por causa da pouca chuva, o Operador Nacional do Sistema ligou térmicas fósseis, deixando os reservatórios acumularem água. Só que hidrelétricas são obrigadas por contrato a entregar energia, mesmo que ela não gere. O que elas fazem é ir ao mercado spot e comprar energia para revenda. Um monte de hidrelétricas teve que ir ao spot para cumprir seus contratos, só que entraram na justiça para não pagar pela energia comprada, alegando que o Operador não as deixou gerar. Cansadas de não receber pela energia que geraram, muitas térmicas a bagaço desligaram as turbinas, pelo menos até que recebessem o que lhes é devido. Como não geraram, não têm direito ao aumento da GF para o ano que vem. É isso que elas levaram para o governo, o qual agora sinalizou que atenderá aos clamores do povo.

Ficou para o próximo congresso desfazer esse emaranhado de confusões e judicializações.

Aliás, vai ser bem interessante acompanhar o processo. O congresso tinha um grupo de deputados e senadores com um bom conhecimento do sistema – nem sempre para o bem. A nata do grupo não foi reeleita. A ver quem serão as novas cabeças energéticas do congresso.

Em tempo: segundo a Aneel, existem 404 térmicas a bagaço em operação, com uma capacidade instalada de mais de 11 GW. Em termos de capacidade, faz pouco tempo que elas foram ultrapassadas pelas eólicas, que têm 13 GW.

https://www.canalenergia.com.br/noticias/53077400/setor-de-bioenergia-aguarda-comando-legal-para-produzir-ate-30-a-mais-em-2019

 

GOVERNO AUSTRALIANO DIZ QUE RELATÓRIO DO IPCC NÃO É PRESCRITIVO E PROMETE CONTINUAR A QUEIMAR CARVÃO

Respondendo a jornalistas sobre o relatório do IPCC, o primeiro-ministro-em-exercício, Michael MacCormack, disse não haver dúvidas de que a Austrália vai continuar explorando suas reservas de carvão e que não iria mudar a política “só porque alguém pode sugerir que algum tipo de relatório vai nos dizer o caminho que devemos seguir e tudo que devemos fazer”. A ministra do meio ambiente, Melissa Price, disse que não leu o relatório, mas que entendia que ele era informativo e não prescritivo. Perguntada como o país poderia cumprir com as metas de Paris explorando carvão, ela disse não ter dúvidas de que chegariam lá, mas que, em todo caso, “não vamos pedir desculpas pelo fato de estarmos focados em abaixar o preço da eletricidade”. E o primeiro ministro, Scott Morrison, disse que a Austrália só responde por 1% das emissões globais e que há países muito mais importantes a fazer suas lições de casa. O governo também anunciou que não mais contribuirá para o Fundo Verde do Clima, criado para ajudar os países em desenvolvimento a se adaptarem para o que vem pela frente.

O governo alemão não foi tão cara-de-pau e evitou aparecer para comentar o relatório do IPCC. A política interna dos últimos meses obrigou o governo a assumir compromissos não alinhados com os de Paris. Angela Merkel, que já foi considerada a grande líder climática, saiu de fininho.

http://www.abc.net.au/news/2018-10-09/environment-minister-says-calls-to-end-coal-drawing-long-bow/10354604

https://www.theguardian.com/australia-news/2018/oct/09/australian-government-backs-coal-defiance-ipcc-climate-warning

http://www.climatechangenews.com/2018/10/08/australia-wont-give-money-green-climate-fund-says-pm/

https://www.dw.com/en/germanys-angela-merkel-no-longer-leading-the-charge-on-climate-change/a-45803875

 

VIETNÃ REBAIXARÁ SUAS METAS E EMITIRÁ MUITO MAIS QUE O PROMETIDO

O Vietnã planeja alimentar seu rápido crescimento expandindo sua geração elétrica com térmicas a carvão. Por lá, o carvão continua mais barato do que o gás natural e as renováveis. Assim, o país informou que alterará os compromissos assumidos perante o Acordo de Paris e, ao invés de aumentar a ambição de suas metas, aumentará as emissões em dezenas de milhões de toneladas de carbono até 2030. O país será um dos primeiros a abandonar e (rebaixar) os compromissos iniciais.

http://carbon-pulse.com/60253/

 

OS PONTOS DE VIRADA QUE FICARAM FORA DO RELATÓRIO DO IPCC

O sumário para formuladores de políticas do relatório 1,5oC do IPCC, não diz se foram analisados alguns sistemas que estão próximos de pontos de virada. O mais importante destes, do ponto de vista climático, é o derretimento das calotas de gelo. O branco do gelo e neve reflete a luz do sol. Uma vez derretido, tanto o azul do mar quanto as cores da terra passam a absorver esta luz, convertendo parte desta energia em calor na camada de ar próxima à superfície. Esta camada de ar aquecida, circulando, derrete mais gelo. O segundo sistema mais importante é o degelo do permafrost. A ciência entende que existe um ponto a partir do qual explodem as emissões de metano e CO2 da decomposição da matéria orgânica até então congelada. Mais metano e CO2 na atmosfera a aquecem, o que derrete mais permafrost que libera mais metano e CO2. Bob Ward, do Grantham Institute, comentou que “o relatório subjacente sugere que os pontos de virada ainda são pouco conhecidos ou que provavelmente não serão disparados até que o aquecimento aumente mais – mas, dadas suas consequências, era de se esperar um análise mais baseada nos riscos – isto é, não ignorá-los até se saber que são impossíveis.”

https://www.theguardian.com/environment/2018/oct/09/tipping-points-could-exacerbate-climate-crisis-scientists-fear

 

JUSTIÇA OBRIGA GOVERNO HOLANDÊS A REDUZIR EMISSÕES EM 25% ATÉ 2020

Uma corte holandesa, avaliando a severidade e a amplitude da mudança climática, deu ganho de causa à ação contra o governo que pede, até 2020, uma redução das emissões de pelo menos 25% em relação ao que foi emitido em 1990. O governo tinha se comprometido com uma redução de 17%. Se decidir não recorrer ao supremo, o governo, provavelmente, terá que fechar pelo menos uma das duas térmicas a carvão recém-inauguradas. Jesse Klaver, líder dos verdes holandeses, disse que “os governos não podem mais fazer promessas que não cumprem. Países têm a obrigação de proteger seus cidadãos contra a mudança do clima. É isso que torna esse julgamento importante para todas as nações”.

https://www.theguardian.com/environment/2018/oct/09/dutch-appeals-court-upholds-landmark-climate-change-ruling

 

QUANTO PETRÓLEO PODE PRODUZIR A ARÁBIA SAUDITA?

Quando o preço do barril de petróleo saltou para mais US$ 80 no final de setembro, Trump acusou os sauditas de extorquir o Ocidente. Para baixar o preço, os árabes precisariam aumentar a oferta de petróleo no mercado. Só que a produção mundial já está bem alta para compensar a falta que faz o petróleo do Irã e da Venezuela. Analistas dizem que a capacidade de extração e bombeamento da Arábia Saudita está quase no limite. Assim, por mais que a OPEP jure que tem tudo sob controle, o preço do barril deve continuar alto. O que não deve desagradar os árabes.

https://www.bloomberg.com/news/articles/2018-09-28/saudi-arabia-faces-the-ultimate-oil-test-producing-at-the-limit

 

BATERIAS DE ZINCO-OXIGÊNIO COMEÇAM A APARECER

Uma bateria recarregável diferente da conhecida lítio-íon vem sendo instalada em aldeias da África e da Ásia nos últimos anos. A bateria usa a composição de zinco e oxigênio (do ar) e está bem perto de custar US$ 100 por quilowatt-hora. A fabricante, NantEnergy, diz que suas baterias não contêm compostos tóxicos, não são inflamáveis e podem ser descartadas sem risco. O zinco é mais abundante do que o lítio e o cobalto usados na fabricação das tradicionais lítio-íon. As maiores reservas de cobalto estão no Congo, onde as condições de trabalho são qualquer coisa menos sustentáveis e corretas. No entanto, o processamento do zinco também gera impactos ao ambiente, como a liberação de vapor de cádmio e dióxido de enxofre. Por enquanto, a empresa está focada em aplicações associadas às placas fotovoltaicas e aos coletores eólicos. O próximo passo será o desenvolvimento de modelos para carros, ônibus, caminhões e motocicletas.

https://internacional.estadao.com.br/noticias/nytiw,as-baterias-de-zinco-ar-poderao-virar-o-jogo,70002534188

https://internacional.estadao.com.br/noticias/nytiw,as-baterias-de-zinco-ar-poderao-virar-o-jogo,70002534188

 

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