ClimaInfo, 16 de outubro de 2018

ClimaInfo mudanças climáticas

NOVIDADE NO CLIMAINFO

O site Climate Change News destrinchou o relatório especial do IPCC e o ClimaInfo divulga em português os 37 pontos que você precisa conhecer sobre a limitação do aquecimento global em 1,5oC. Veja no link.

http://climainfo.org.br/2018/10/15/15oc-o-mais-importante-do-relatorio-do-ipcc/

 

NOVO CONGRESSO TERÁ MENOS AMBIENTALISTAS

A composição da nova legislatura da Câmara terá menos deputados ligados às questões ambientais. Pelo menos essa é a análise do DIAP (Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar). Alguns nomes mais conhecidos, como o ex-ministro Sarney Filho e o senador Jorge Viana, não voltarão ao Congresso. As eleições não mudarão dramaticamente a cara do Congresso Nacional, afinal, metade da Câmara se reelegeu. Porém, mais de 100 novos deputados nunca tiveram cargos legislativos. O restante nunca foi deputado federal. A bancada da bala ganhou o reforço de ex-militares e de gente das polícias. Será interessante acompanhar a bancada ruralista. Metade dos atuais membros não estará no Congresso no ano que vem – parte não passou pelas urnas, alguns não se candidataram e outros estão nos executivos de estados ou municípios. Sem contar os que estão presos, respondendo processos ou declarados inaptos para cargos públicos. A bancada deve ser reforçada pelos entrantes. Entre os que não estarão no Congresso, está o ex-presidente da bancada, Nilson Leitão, e gente graúda como Valdir Colatto, Ana Amélia, Darcísio Perondi, Leonardo Picciani, Valdir Raupp e sua filha Marinha, e Osmar Serraglio. Lembrando sempre que os novos governadores e o novo presidente devem chamar congressistas para compor seus governos, abrindo a chance destes senhores e senhoras assumirem cadeiras como suplentes.

https://mobile.valor.com.br/politica/5923395/ambientalistas-perdem-espaco-na-camara

 

E O CERRADO ESTÁ PERDENDO SUA PRECIOSA BIODIVERSIDADE

Trabalho publicado na Nature Ecology & Evolution por pesquisadores brasileiros levantou o estrago já feito na biodiversidade do Cerrado. Os pesquisadores indicam que as perspectivas não são muito animadoras, caso o desmatamento continue desenfreado. Se não houver restauração rapidamente, quase 700 espécies estarão condenadas, e outras 400 a caminho. O bioma perdeu metade da sua vegetação nativa para a expansão do agronegócio e, sem esta vegetação, rompe-se o delicado ciclo hídrico da região que não tem chuvas abundantes e no qual os rios e lençóis subterrâneos são fundamentais para o sustento da biodiversidade. O artigo d’O Globo que comenta o trabalho diz que o bioma “agora caminha para a maior extinção de plantas já registrada no mundo”.

Parece que ainda vale a maldição de Pero Vaz de Caminha, quem escreveu a El Rei dizendo que as “águas são muitas; infindas. E em tal maneira é graciosa que, querendo-a aproveitar, dar-se-á nela tudo, por bem das águas que tem.” Não é verdade. Aliás, desde os anos 70, se sabe que a Terra é finita. Mesmo que saudosistas acreditem no contrário.

https://oglobo.globo.com/sociedade/sustentabilidade/desmatamento-do-cerrado-pode-levar-extincao-de-1140-especies-de-plantas-23152986

 

O PAPEL DA GERAÇÃO A BIOMASSA NA MATRIZ ELÉTRICA BRASILEIRA E MUNDIAL

Um trabalho do IEMA (Instituto de Energia e Meio Ambiente), um think-tank especializado em energia e transporte, aprofunda a discussão do papel da geração de eletricidade em termelétricas a biomassa. Estas incluem a cogeração a bagaço e as usinas que queimam eucalipto e restos do processamento de madeira. Os autores colocaram uma lupa sobre o potencial de plantio de florestas para geração elétrica. Estimam que o país tenha um potencial de quase 12 GW, o mesmo que a capacidade de geração de Belo Monte, mas capaz de gerar muito mais energia por operar durante todo o ano. Se bem planejadas e operadas, estas usinas podem ter um papel importante para a expansão do sistema sem o aumento de emissões. O trabalho teve o cuidado de pontuar que não está recomendando o plantio maciço de eucalipto, mas mostrar que existem opções mais sustentáveis do que as térmicas fósseis ou a inundação de grandes áreas da Amazônia.

A Economist também publicou um artigo sobre a importância da bioenergia na transição para um mundo de baixa emissão. Segundo a IEA (Agência Internacional de Energia), a bioenergia deve saltar de 4,5% da matriz energética mundial para 17% até meados deste século. Por substituir fósseis, ela poderá responder por 17% da redução de emissões.
https://oglobo.globo.com/sociedade/sustentabilidade/brasil-pode-gerar-eletricidade-partir-de-biomassa-de-florestas-23155874

https://www.economist.com/the-economist-explains/2018/10/12/how-modern-bio-energy-helps-reduce-global-warming

 

UM DOS MAIORES FABRICANTES DE PAINÉIS SOLARES ANALISA O POTENCIAL DE NEGÓCIOS NO BRASIL

O vice-presidente da Trina, fabricante de fotovoltaicos, esteve no país para analisar o mercado e falar sobre os planos para o Brasil e para a América Latina. Na pauta, uma fábrica na região, que deverá ser construída no país que apresentar, ao mesmo tempo, um grande potencial de mercado e segurança jurídica e institucional. Ele disse que há dois anos o Brasil estava no alto da lista, mas que o adiamento de leilões para a fonte esfriaram um pouco o ânimo. O país “compete” com Chile, México, Argentina e Cuba. A Trina produz anualmente mais de 400 GW, tanto de painéis para geração distribuída como para parques solares grandes.

https://www.valor.com.br/empresas/5923449/trina-aposta-no-brasil-mas-descarta-fabrica-local-no-curto-prazo

 

NAVIOS MAIS LENTOS AQUECEM MENOS A ATMOSFERA E SALVAM BALEIAS

A Organização Marítima Internacional (IMO) está estudando a limitação da velocidade dos navios como meio de redução de suas emissões. Como qualquer motorista sabe, a melhor maneira de economizar gasolina é pisar bem de leve no acelerador. A resistência vem das companhias de navegação que, ao contrário, querem acelerar a entrega das cargas, e de países exportadores de produtos perecíveis, como frutas e outros alimentos frescos, que terão que investir em instalações refrigeradas maiores ou perder parte do mercado externo.

O artigo do El País lembra que a medida é benéfica às baleias e a outros grandes cetáceos, expostos ao ruído das embarcações e vítimas de trombadas.

https://elpais.com/sociedad/2018/10/12/actualidad/1539363353_004986.html

 

BANCO DA INGLATERRA QUER O SETOR FINANCEIRO MELHORANDO A AVALIAÇÃO DE RISCOS CLIMÁTICOS

O Bank of England, o banco central inglês, chamará bancos e seguradoras para melhorar em muito seus planos para os riscos climáticos no longo prazo. O Banco disse que responsabiliza os diretores e os altos escalões caso suas instituições não façam o necessário. Na semana passada, 18 bancos centrais emitiram uma nota dizendo que os riscos financeiros da mudança do clima são “sistêmicos e potencialmente irreversíveis se não enfrentados… esses riscos pedem ações no curto prazo para reduzir os impactos no longo prazo”.

No mês passado, o Banco divulgou o resultado de uma pesquisa indicando que só 10% dos bancos tinham planos de longo prazo e, em média, tratavam apenas dos 4 próximos anos.

A monetização das mudanças climáticas no longo prazo e o repasse dos custos futuros para as operações presentes das instituições financeiras é um dos  modos indiretos de precificar as emissões.

https://www.ft.com/content/e1d2087e-ce34-11e8-9fe5-24ad351828ab

 

TRUMP DIZ QUE TALVEZ O CLIMA ESTEJA MUDANDO, MAS QUE VOLTARÁ AO QUE ERA

No final de semana, Trump evitou comentar diretamente o Relatório do IPCC, mas disse algo até surpreendente: “eu acho que alguma coisa está acontecendo. Alguma coisa está mudando e vai mudar de volta. Não acho que é uma farsa. Mas não sei se a responsabilidade é do homem. Eu digo, sim, que não quero dar trilhões e trilhões de dólares. Eu não quero perder milhões e milhões de empregos”.

Para não deixar tudo de graça, Larry Kudlow, diretor no National Economic Council (conselho econômico nacional), avaliou o Relatório do IPCC muito exagerado. “Não estou negando a questão da mudança do clima. Só estou perguntando se sabemos precisamente pontos como o quanto disso é por ação humana, quanto é por ação do Sol, o quanto é oceânico, o quanto vem de florestas tropicais e outras. Eu acho que ainda estamos explorando tudo isso”. O senador Bernie Sanders, que disputou a indicação democrata com Hillary Clinton, disse que os comentários de Kudlow “são tão irresponsáveis, tão perigosos que é difícil acreditar que uma pessoa do alto escalão do governo pudesse fazê-los. Nós estamos em regime de crise e temos uma administração que virtualmente nem reconhece a realidade da mudança do clima”.

http://time.com/5424427/donald-trump-60-minutes-climate-change/

https://www.politico.com/story/2018/10/14/kudlow-climate-change-united-nations-898705

 

CERVEJA PODE VIRAR ARTIGO DE LUXO POR CONTA DA MUDANÇA CLIMÁTICA

As secas e o calor reduzirão a oferta de cerveja em boa parte do mundo e, assim, os preços devem subir. Essa é a principal conclusão de um trabalho que acaba de sair na Nature. O quanto os preços subirão depende da emissão de gases de efeito estufa ao longo das próximas décadas, e da consequente mudança climática por elas provocadas.

A origem do problema é a provável redução da produção de cevada, afetada pelo aumento na frequência e pela intensidade de secas e ondas de calor. O trabalho estima que o preço de uma garrafa de cerveja normal pode triplicar em países e regiões mais afetadas, ou dobrar nos países mais sortudos. Aproveitando o Relatório do IPCC, a manutenção do aquecimento global abaixo de 1,5°C provocaria um aumento de preço de menos de 20%. Em todo caso, o Nouvel Observateur francês vaticinou que “a cerveja pode se tornar um produto de luxo”.

Vale lembrar que boa parte das bebidas alcoólicas são feitas a partir de grãos, todos vulneráveis à mudança do clima. Talvez com esta notícia a humanidade se disponha a fazer algum sacrifício.

https://www.nature.com/articles/s41477-018-0263-1

https://www1.folha.uol.com.br/ambiente/2018/10/mudancas-climaticas-podem-afetar-suprimento-de-cerveja-no-mundo.shtml

https://www.nouvelobs.com/sciences/20181015.OBS3950/pourquoi-la-biere-pourrait-devenir-un-produit-de-luxe-avec-le-rechauffement-climatique.html

 

MILHARES NA FRANÇA EXIGEM MAIS AÇÃO CONTRA A MUDANÇA DO CLIMA

Dezenas de milhares de manifestantes saíram às ruas de Paris e de outras grandes cidades da França para exigir que os governos tomem ações mais contundentes para enfrentar a mudança climática em resposta ao Relatório publicado pelo IPCC na semana passada. Cartazes diziam #AindaHáTempo e ‘Mude o Sistema, não o Clima’.

https://www.france24.com/en/20181013-france-tens-thousands-march-demand-action-climate-change

 

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