ClimaInfo, 21 de novembro de 2018

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DESCARBONIZAR É MISSÃO POSSÍVEL

Estudo da Energy Transitions Commission mostra que é possível descarbonizar a indústria pesada e o transporte pesado globais ​até o ano de 2060 com base nas tecnologias que já existem ou que estão próximas das prateleiras comerciais investindo menos de 0,5% do PIB do período 2015-2060.

http://climainfo.org.br/2018/11/21/descarbonizar-e-possivel/

 

BRASIL PERDEU UM REINO UNIDO DE FLORESTAS PARA AS LINHAS DE TRANSMISSÃO DA AMAZÔNIA

Uma conta quase nunca feita, e muito menos divulgada, mostra que a área ocupada pelas linhas de transmissão que cortam a Amazônia é simplesmente o dobro da área inundada por todas as hidrelétricas da região. Nos últimos tempos, as hidrelétricas construídas são do tipo fio d’água, sem grandes reservatórios, para reduzir o tamanho do impacto ambiental. Já as linhas de transmissão só dependem da capacidade máxima de geração das usinas e não de quanta energia é efetivamente transmitida. Belo Monte gera menos da metade do que suas turbinas poderiam gerar porque não tem água suficiente durante todo o ano. Mas a linha de transmissão de Belo Monte é dimensionada para o pico de geração da usina. O desmatamento para construir as linhas acaba sendo grande, bem grande. São quase 40 mil km de linhas de transmissão cruzando a Amazônia. O trabalho publicado na Nature mostra as linhas existentes para as quais estima uma área de impacto direto (corte da floresta para a instalação das torres e a passagem dos cabos), e uma de impacto indireto, (área relativa às rodovias na região). Enquanto os reservatórios de todas as hidrelétricas da região inundam mais de 12.000 km2, a área direta das linhas de transmissão chega a quase 24.000 km2, a qual, somada à área impactada indiretamente, chega ao valor astronômico de quase 250.000 km2. O país perdeu um Reino Unido de florestas para passar os fios elétricos.

https://doi.org/10.1016/j.biocon.2018.10.027

 

O QUE O SETOR PETROLEIRO ESPERA DO NOVO GOVERNO NÃO LEVA EM CONTA O CLIMA

Nestes tempos de equipes de transição, é normal que agentes econômicos e sociais desfilem ora seu brilho e importância, ora as ameaças que rondam o país se não forem ouvidos. Assim, uma sucessão de defensores da Petrobras e do setor de petróleo e gás tem escrito vários artigos na mídia. Comum a todos é afirmar que o país está sentado em cima de um tesouro de trilhões em petróleo e gás que poderia nos tirar da grave crise que nos assola há vários anos. O pessoal do gás conta as agruras de uma regulação velha que atrai poucos investidores. Outros cantam o volume de reservas do pré-sal e dos mercados de petróleo. Muitos usam a mudança do clima para justificar a urgência de seus pleitos. O pessoal do gás acredita que não haverá transição para uma energia de baixo carbono sem ele, de preferência, para sempre. O pessoal mais sofisticado do petróleo avisa que a demanda atingirá um pico nas próximas décadas e que o país precisa correr para extrair tudo que puder antes que o preço desabe.

O que nenhum menciona é que queimar combustíveis fósseis agrava a mudança do clima e coloca em risco partes importantes da economia nacional, além de ameaçar a segurança da população. É como se este pessoal torcesse para que o petróleo que querem extrair e vender seja queimado em outro planeta.
https://www.valor.com.br/opiniao/5987971/nova-velha-agenda-do-setor-de-petroleo-e-gas-natural

https://g1.globo.com/politica/noticia/2018/11/20/foco-da-petrobras-deve-ser-na-aceleracao-da-exploracao-do-pre-sal-afirma-futuro-presidente-da-empresa.ghtml

https://www.poder360.com.br/opiniao/economia/e-preciso-foco-na-politica-energetica-nacional-escreve-adriano-pires

https://www.poder360.com.br/opiniao/economia/o-brasil-tem-1-tesouro-a-espera-escreve-augusto-salomon

 

A IMPORTÂNCIA DA GERAÇÃO A BIOMASSA NO BRASIL

No ano passado, as térmicas a biomassa geraram 25 TWh, dos quais 21 TWh vieram das usinas de açúcar e álcool. É bastante energia, mas somente 4% da eletricidade consumida no país. O gerente de bioeletricidade da Unica (União da Indústria de Cana-de-Açúcar), Zilmar José de Souza, diz que esta energia é equivalente a somente 15% do que o setor pode gerar e que este teria bagaço de cana para gerar 146 TWh. A preocupação de Souza é com o futuro. O novo Plano Decenal de Energia 2027, ora em consulta pública, coloca em seu cenário tendencial, uma expansão da bioeletricidade de cerca de 50% nos próximos dez anos, algo como 1 TWH por ano. “Neste ritmo, levaremos quase 120 anos para aproveitar o potencial da bioeletricidade sucroenergética para a rede que existia em 2017, sem considerar o crescimento natural deste potencial ao longo do tempo, apenas pensando em aproveitar o que existe hoje nos canaviais.” Para se contrapor ao velho argumento de que a bioeletricidade é cara, Souza se apoia num recente estudo do Instituto Escolhas que atribui valores a atributos outros que os investimentos na construção de uma usina e os custos de sua operação. O estudo indicou preços para, dentre outras, a disponibilidade da usina ao longo do dia e ao longo do ano, e a confiabilidade na fonte, pontos que favorecem as térmicas a biomassa frente às hidrelétricas a fio d’água e às renováveis.

Talvez Souza devesse incluir na conta a água. Uma usina de açúcar e álcool é uma voraz consumidora de água. Uma térmica, mais ainda. Em tempos de mudança do clima e crises hídricas, a disponibilidade de água pode reduzir um tanto o potencial da bioeletricidade. Mas sim, esta é sistematicamente subestimada pelos planejadores energéticos.
https://www.canalenergia.com.br/artigos/53081587/levaremos-120-anos-para-aproveitar-potencial-da-bioeletricidade

http://escolhas.org/expansao-de-fontes-renovaveis-nao-aumentaria-custos-ou-afetaria-competitividade-do-setor-eletrico-no-brasil-diz-estudo/

 

UMA CUTUCADA À NORUEGUESA EM LORENZONI

O jornalista Marcelo Leite também não resistiu a comentar o ‘desabafo-fake’ feito pelo futuro chefe da casa civil, Onyx Lorenzoni, para cima da Noruega e a resposta/convite feita pelo embaixador daquele país no Brasil, Nils Martin Gunneng. Marcelo se dá ao trabalho de mostrar porque e como a Noruega cuida bem melhor das suas florestas do que o Brasil há já quase um século. Exatamente ao contrário do que Gunneng polidamente afirmou ao dizer que seu país aprendeu muito conosco. Marcelo também desmonta as contas equivocadas do discurso que afirma que as ONGs ambientais recebem muito dinheiro das multas que o Ibama aplica no agronegócio. Fino, o jornalista dá um conselho: “eis o que o futuro chefe da Casa Civil pode aprender com a Noruega – fazer a lição de casa, aplicar recursos de modo eficaz para preservar o ambiente e comportar-se com elegância. Se quiser, claro.”
https://www1.folha.uol.com.br/colunas/marceloleite/2018/11/o-que-onyx-lorenzoni-pode-aprender-com-a-noruega.shtml

 

REPOTENCIAR EÓLICAS NO REINO UNIDO PODE QUASE TRIPLICAR A CAPACIDADE INSTALADA

As eólicas do Reino Unido começaram a despontar há quase 30 anos atrás. A regulação da época dava o direito ao uso da terra por um período de 25 anos. Findo o prazo, a regulação dá três opções: desmontar as turbinas e devolver a terra aos donos originais; pedir uma extensão de prazo que dá, no máximo, mais dez anos; ou, a opção que parece ser a preferida, trocar as turbinas por novas e ganhar mais 25 anos de prazo. Como houve avanços tecnológicos expressivos nos últimos 25 anos, as turbinas existentes estão sendo trocadas por outras mais potentes. Até agora, 23 plantas foram repotenciadas, 2 obtiveram a extensão de 10 anos e duas foram descomissionadas. Em média, a repotenciação está gerando muito mais que o dobro da energia com o mesmo vento: 171% para ser exato. Nos próximos 5 anos, outras 54 plantas terão que decidir o que fazer, e mais de 100 nos 5 anos seguintes, o que podem acrescentar mais de 6 GW de capacidade de geração.

https://theconversation.com/repowering-the-uks-oldest-wind-farms-could-boost-energy-generation-by-171-106211

 

1,3 MILHÃO DE CRIANÇAS PASSAM FOME NO SAHEL AFRICANO

Segundo a ONU, este número é o maior nos últimos dez anos. Poucas chuvas e conflitos, junto com o consequente aumento no preço dos alimentos, fazem com que 1,3 milhão de crianças com menos de 5 anos estejam sofrendo de subnutrição severa. Isso representa um aumento de 50% em relação ao ano passado. A região atingida fica na parte Ocidental do continente, logo ao sul do Saara e compreende Burkina Faso, Chade, Mali, Mauritânia, Níger e o Senegal. Marie-Pierre Poirier, diretora regional da UNICEF para a África Ocidental e Central, disse em um comunicado que “quando crianças sofrem de subnutrição aguda e severa, elas ficam mais vulneráveis a doenças como a malária e as transmitidas pela água”. A FAO estima que em torno de 6 milhões de pessoas na região estão passando fome. As comunidades mais atingidas são as pastoris, já que a seca devastou os rebanhos. O Sahel tem apenas uma estação chuvosa, quando são feitas as plantações. Se estas falham por decorrência de secas, mudança do clima ou conflitos, a população se vê obrigada a sobreviver de qualquer maneira até a próxima estação.

http://news.trust.org/item/20181116171413-5uzu9

 

SEGUEM PROTESTOS DOS ‘COLETES AMARELOS’ FRANCESES

A onda de protestos que varre a França começou com protestos contra o aumento do preço do diesel e da gasolina. O balanço até ontem era de uma morte, 227 feridos e 73 detidos, além de congestionamentos generalizados nas ruas, avenidas e estradas. O movimento não tem lideranças clássicas como sindicatos ou políticos, e o governo não sabe com quem conversar. Macron diz que não voltará atrás no aumento médio de 30% e que a medida visa a redução as emissões do setor de transporte. Pelo que roda nas redes, os manifestantes não compraram a explicação e dizem que o governo só quer aumentar a arrecadação. Como lá, também, os impostos sobre os combustíveis são altos, os manifestantes, ao invés de pedirem o cancelamento do aumento, passaram a pedir o corte de todos os impostos.

https://brasil.elpais.com/brasil/2018/11/17/internacional/1542453677_667258.html

https://unherd.com/2018/11/forgotten-france-driven-streets

 

SECRETÁRIO DE TRUMP COLOCA A CULPA DOS INCÊNDIOS NOS AMBIENTALISTAS

Ryan Zinke, Secretário do Interior de Trump, conseguiu a proeza de perpetrar uma besteira ainda maior do que as de seu chefe ao colocar a culpa nos trágicos incêndios na Califórnia nos “ambientalistas radicais”. Segundo o sujeito, os radicais vêm impedindo o governo de gerenciar corretamente as florestas. “Temos lenha morta e morrendo. Cuidamos disso usando a melhor ciência, as melhores práticas… vou colocar a culpa disso (dos incêndios) nos ambientalistas radicais que não deixaram que cuidássemos das florestas por anos”.

No final da semana, Trump foi à Califórnia e disse que o governo não estava fazendo a limpeza do solo da floresta, como o presidente da Finlândia havia dito que eles faziam por lá. Quase que em seguida, o presidente da Finlândia, Sauli Niinistö, colocou nas redes sociais que não tinha falado nada a respeito disso.

Trump usou a expressão “rake the forest” – passar o rastelo no solo da floresta. As redes explodiram com as #RakeNews e #RakeAmericaGreatAgain.

https://thehill.com/policy/energy-environment/417489-zinke-blames-environmental-radicals-for-deadly-california-fires

 

NASA INFORMA: ACABAMOS DE PASSAR PELO O SEGUNDO OUTUBRO MAIS QUENTE DO REGISTRO HISTÓRICO

Os últimos cinco outubros foram os únicos no registro histórico a marcar temperaturas médias globais 1oC acima da temperatura média do período que vai de 1880 a 1910. O IPCC não definiu explicitamente a que se refere “período pré-industrial”. Em todo caso, no período acima, a temperatura média global já estava um pouquinho mais quente do que nas diferentes versões da definição de pré-industrial.

https://t.co/G0uAu7XHUL

 

Para ir e não perder de vista

LANÇAMENTO DO INSTITUTO QUESTÃO DE CIÊNCIA

O Instituto Questão de Ciência está sendo montado para, em suas próprias palavras, “apontar e corrigir a falsificação e a distorção do conhecimento científico na arena pública. Promover a educação científica e apoiar o uso de evidências na formulação de políticas públicas”. Não poderia vir em melhor hora, cercados que estamos por fakes de todo tipo e tamanho. Ontem mesmo, noticiou-se uma epidemia de catapora nos EUA, especificamente em regiões onde um número significativo de famílias não vacinou suas crianças alegando motivos pessoais e religiosos. A ciência é uma categoria de conhecimento evidenciada por fatos, apenas fatos.
5a feira, 22 de novembro, das 19h às 23h, no WTC Events Center, Av. das Nações Unidas, 12.551 (Marginal Pinheiros), São Paulo.

Mais informações no link abaixo.
https://www.facebook.com/events/320134705236783

 

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