ClimaInfo, 28 de novembro de 2018

ClimaInfo mudanças climáticas

Brasil desiste de sediar a conferência do clima de 2019

O Itamaraty informou oficialmente à Convenção Clima da ONU (UNFCCC) que o país não sediará a COP25 alegando falta de recursos para bancar a conferência e a transição para o governo que começa em janeiro. Segundo a matéria d’O Globo, o final do telegrama enviado para Patricia Espinosa, secretária-executiva da UNFCCC, diz que “levando em consideração restrições fiscais e orçamentárias, que muito provavelmente devem continuar em um futuro próximo, e, tendo em vista o processo de transição para a administração recém-eleita, que será inaugurada em 1º de janeiro de 2019, o governo brasileiro é obrigado a retirar a oferta de sediar a COP 25”.

O país perde a oportunidade de mostrar o que tem feito e de reforçar sua importância nas negociações do clima. Perde também oportunidades de negócios, investimentos e geração de empregos. Por outro lado, a decisão evita possíveis constrangimentos com o narcisismo torpe do novo chanceler.

Em tempo: o nome do novo ministro do Meio Ambiente deve ser anunciado hoje. As opções mencionadas pelo O Globo são o oceanógrafo Ricardo Soavinski, ex-presidente do ICMBio, e o engenheiro agrônomo Xico Graziano, ex-secretário de Meio Ambiente de São Paulo e ex-chefe de gabinete de FHC.

 

Negar a mudança do clima “é depravação”

Paul Krugman, prêmio Nobel de economia, usou sua coluna no New York Times de ontem para atacar duramente o presidente Trump e os republicanos que o apoiam o esforço de negar, diminuir e atrapalhar tudo que se refere à mudança do clima. Krugman diz que as pessoas têm o direito de não acreditar, mesmo diante do consenso que a comunidade científica tem em relação ao clima. Mas diz também que “não existem quase negacionistas de boa-fé. E negar a ciência visando o lucro, vantagens políticas ou satisfação do próprio ego não é correto. Quando não agir sobre (os alertas) da ciência pode ter consequências terríveis, negar (a mudança do clima) é, como disse, uma depravação”.

Em tempo: ontem também, o ministro indicado para o Itamaraty publicou um novo artigo prometendo um dia explicar melhor o grande complô do marxismo mundial que leva ao “alarmismo climático”. O ministro indicado talvez não saiba, mas Krugman e Marx só têm em comum a ascendência judaica.

 

Definida a certificação do RenovaBio

A ANP publicou uma resolução definindo várias regras para a certificação da produção de biocombustíveis, elemento-chave no programa RenovaBio. O programa visa aumentar a proporção de combustíveis renováveis na matriz energética e se inspira nos mercados de carbono. A partir do ano que vem, todo distribuidor de combustíveis receberá uma meta proporcional à sua participação no mercado de combustíveis fósseis. A meta é cumprida pela compra de CBios – Certificados de Descarbonização. Os produtores de biocombustíveis, como usinas de álcool ou de produtores de biodiesel, têm o direito de emitir os CBios e de vendê-los diretamente aos distribuidores, ou a quem venha a se interessar pelo negócio. O volume de CBios que um produtor tem direito é proporcional ao volume de biocombustíveis vendidos multiplicado por uma nota de eficiência energética, nota que premia a produção com menos emissões de gases de efeito estufa. Os dados e as contas que definem a nota de eficiência precisam ser auditados. A resolução da Aneel definiu vários pontos relativos às auditorias. A resolução também define a relação do programa com o desmatamento com um sinal, infelizmente, negativo. Estarão habilitados a participar no programa quem desmatou vegetação nativa antes 26 de dezembro de 2017, quando a lei do Renovabio foi promulgada. Quem desmatou entre a promulgação e o dia de ontem, tem que apresentar a autorização para o desmate. Quem desmatar a partir de hoje está fora do programa. O Renovabio também condiciona a participação no programa à inscrição no Cadastro Ambiental Rural. E tudo isso tem que ser auditado. O Valor analisou a resolução da ANP.

 

O novo governo entra na disputa dos royalties do pré-sal

O país experimentou dois tipos de regime para a exploração do pré-sal: a tradicional concessão e o regime de partilha, no qual o governo recebe em pagamento pela concessão uma parte do petróleo produzido. Diante do potencial do pré-sal, os governos do PT trocaram o que era concessão pela partilha e impuseram a Petrobras como “sócia” de toda e qualquer exploração. Um editorial do Valor conta que o regime de partilha só começou a dar certo no governo Temer, quando foi retirada a obrigatoriedade de participação da Petrobras. O time de transição quer voltar ao regime de concessão. Como isso precisa passar pelo Congresso, eles deram os sinais de haverá modificações nos critérios de rateio dos royalties, beneficiando mais estados e municípios. E isso reabre a ferida entre, por um lado, os estados e municípios nos quais a exploração se dá e, por outro, o restante do país. Para conseguir cumprir a promessa de campanha que dizia querer zerar o déficit fiscal, o futuro governo pretende arrecadar o máximo possível em um curto espaço de tempo. Receber barris de petróleo resultantes de uma partilha não interessa.

Mais uma vez, o clima não é convidado para as reuniões. Esse preço não entra na conta.

 

A Brookfield aposta no crescimento com fontes limpas

Os planos de crescimento da Brookfield no Brasil contemplam o investimento em mais eólicas e fotovoltaicas. A empresa está há muito tempo por aqui e participa em várias pequenas hidrelétricas e térmicas a biomassa e a combustíveis fósseis, que somam uma capacidade de 1,7 GW. A atuação forte da empresa, porém, se dá no mercado livre e é de lá que vem a sinalização do potencial das fontes limpas. “Temos recebido cada vez mais pedidos de grandes empresas para emitir certificados de energia renovável, para visitar nossas instalações e ver que operamos com total segurança e respeito ao meio ambiente e às comunidades, e que temos a geração de energia limpa e renovável como prioridade” contou o presidente da companhia, Carlos Gros, ao Canal Energia.

 

O mundo precisa triplicar seus esforços climáticos para conter o aquecimento em 2OC

A ONU soltou seu aguardado Emissions Gap Report ressaltando o fosso existente entre o que é preciso acontecer para conter o aquecimento abaixo em 2oC e os compromissos que os países assumiram em Paris há três anos. “Os atuais compromissos expressos nas NDCs são insuficientes para eliminar o fosso existente até 2030”. A novidade é que o trabalho estima ser preciso triplicar os esforços para eliminar este fosso. Em 2017, as emissões globais aumentaram e, portanto, o tamanho do fosso também. O Observatório do Clima traz uma análise com os principais números do relatório. Vale destacar que “a ONU Meio Ambiente considera que, se o nível de ambição das NDCs não for revisado para cima até 2030, a estabilização do clima em 1,5oC é carta fora do baralho.” E mais, que “se o hiato de emissões não for fechado até 2030, é muito plausível que o objetivo de um aumento de temperatura bem menor que 2oC também fique fora de alcance.”

 

Trump não gostou do relatório climático dos EUA

O relatório norte-americano sobre o futuro climático publicado na semana passada afirma logo de cara que “sem esforços globais substanciais e ininterruptos de mitigação e esforços regionais de adaptação, prevê-se que a mudança do clima provoque perdas crescentes à infraestrutura e às propriedades americanas e que impeça o crescimento econômico ao longo deste século.” Muita gente ficou surpresa com o conteúdo do relatório. A resposta de Trump veio ontem. A Deutsche Welle reproduziu suas palavras: “Eu vi, li um pouco e está tudo bem. Eu não acredito.” Bem mais ácido e direto, o Washington Post disse que “a Casa Branca respondeu ao relatório interpretando erroneamente o trabalho dos cientistas e prometendo informações ‘mais completas’ na próxima análise. Cozinhar o próximo relatório não mudará os fatos. Mr. Trump e o Partido Republicano têm sido guardiões negligentes dos recursos insubstituíveis do país. Os americanos do futuro não perdoarão nem esquecerão o que estes ‘líderes’ lhes fizeram.”

O New York Times também comentou mais essa pérola de Trump.

 

Apesar de Trump, a GM fecha fábrica nos EUA para produzir mais carros elétricos

Trump tomou posse prometendo forçar as fábricas norte-americanas a reduzir suas operações no exterior e a empregar mais norte-americanos. A GM tomou uma decisão oposta: decidiu encerrar a produção de alguns modelos para alocar os recursos na produção de veículos elétricos. Decidiu também quais fábricas serão fechadas em breve nos EUA. É mais uma pedra renovável e limpa no sapato do presidente.

 

Verão inglês será 5oC mais quente em 2070

O Met Office, serviço nacional de meteorologia do Reino Unido e, pela primeira vez em 10 anos, fez uma atualização exaustiva das suas projeções climáticas. O Met concluiu que, se as emissões globais continuarem crescendo, o verão inglês de 2070 será 5,4oC mais quente do que a média das temperaturas no período que vai de 1981 a 2000.

Tendo em vista que, no último verão, o país sofreu com uma histórica onda de calor forte e longa, o Met Office diz que a probabilidade disso voltar a acontecer até 2050 é de 50%. A matéria da BBC sobre o relatório mostra as projeções para os diferentes cantos do reino.

 

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