ClimaInfo , 7 de dezembro de 2018

ClimaInfo mudanças climáticas

Novo no ClimaInfo

O Acordo de Paris enfrenta o populismo de direita

Os problemas colocados ao Acordo climático de Paris pela ascensão de líderes populistas de direita que dificultam as negociações promovidas pela ONU, no nosso website.

 

Negociador brasileiro pede na COP24 que os países pobres não sejam excluídos das discussões

O Washington Post publicou um recado do chefe da delegação brasileira, o embaixador José Antônio Marcondes: durante a Conferência do Clima devem ser evitados acertos e conchavos a portas fechadas que excluam os países mais pobres. Marcondes lembrou que situação semelhante ocorreu durante a COP15, que aconteceu em 2009 em Copenhague, a qual acabou terminou em frustração geral. “O que deve ser evitado a todo custo são países em desenvolvimento serem marginalizados ou se verem diante de textos do tipo pegar ou largar.”

 

Parte da conta de luz é paga pelo consumidor, parte pelo contribuinte

Um trabalho do Instituto Escolhas publicado em outubro apresentou uma nova metodologia para o cálculo do custo efetivo da geração da energia elétrica no país. O cálculo vai além do investimento e do custo de operação de cada usina, alocando uma série de atributos importantes para quem planeja e opera o sistema elétrico. Por exemplo, se as eólicas e fotovoltaicas não funcionam o tempo todo, alguém tem que entrar no lugar. E esse alguém será desligado quando o sol ou o vento voltarem. Foram sugeridos vários atributos, todos ligados à garantia da disponibilidade de energia ao consumidor em qualquer momento e pelo menor preço real. Uma das contas mais complicadas, e que distorce toda a matriz de custos, é a da parcela apropriada pelos governos. O PIS e o Cofins têm longos capítulos de isenções, o ICMS varia de estado para estado e, em cada um, pode haver outro capítulo de subsídios e isenções. E por aí vai. Parte destas isenções e subsídios acaba refletida na conta de luz do consumidor e outra parte é paga pelo conjunto dos contribuintes. Natália Nunes, do Escolhas, aprofunda esta discussão no Valor de ontem. E Rafael Bitencourt tenta destrinchar um pedaço da teia de impostos e encargos do setor elétrico no Valor de 4ª feira.

 

O aumento do uso de ônibus elétricos brasileiros na América Latina

O Deustche Welle mostra que a América Latina usa cada vez mais ônibus elétricos e exemplifica com os 200 que já rodam em Santiago do Chile e os 125 que rodam em Cali, na Colômbia. A lista crescerá em breve, com ônibus elétricos que rodarão em Medellín, também na Colômbia, San José da Costa Rica e no Panamá. O interessante é que parte destes ônibus é fabricado aqui no Brasil. Aliás, parte das frotas diesel destas cidades, que obrigatoriamente são compatíveis com o padrão Euro-6, é de ônibus fabricados por aqui. Enquanto isso, no mês passado, o CONAMA aprovou o padrão Proconve 8, equivalente ao Euro-6, mas presenteou as montadoras tornando-o mandatório somente a partir de 2023. Até lá, quantas cidades na América Latina terão frotas elétricas fabricadas aqui?

 

As emissões globais da queima de combustíveis fósseis voltam a crescer

O relatório anual do Global Carbon Budget prevê que as emissões de 2018 serão 3% maiores do que as de 2017, desapontando quem pensava que estas  teriam se estabilizado e, em breve, começariam a cair. A emissão proveniente da queima de combustíveis fósseis deverá ser de aproximadamente 37 bilhões de toneladas de CO2, um recorde desde que a espécie humana começou a circular pela Terra. O país maior emissor, disparado, é a China. Em segundo lugar vêm os EUA, cujas emissões continuam a cair, apesar dos esforços do governo Trump no sentido contrário. A queima de carvão segue sendo a principal fonte de emissões, quase 15 bilhões de toneladas e, para piorar, estas voltaram a aumentar depois de 3 anos de queda consecutiva. Na China, o país maior consumidor de carvão do mundo, as emissões estabilizaram. O responsável pelo aumento foi a Índia. Como quase todo o relatório é dedicado à queima de fósseis, o Brasil não é mencionado uma única vez. Mesmo nas poucas páginas que falam do desmatamento, quem salta aos olhos é a Indonésia. Quem está acostumado a ver as emissões brasileiras, pode sentir a falta das emissões dos demais gases de efeito estufa para compor o quadro completo das contribuições para o aquecimento global.

A apresentação do trabalho atualizou uma figura interessante: começando com uma concentração de CO2 na atmosfera de cerca de 288 ppm em 1870, quando a revolução industrial já ia “de carvão em popa”, os autores vão estimando quanto cada fonte de emissão fez aumentar a concentração atmosférica e quanto cada sumidouro conseguiu remover este gás da atmosfera, até chegarmos à concentração atual de 405 ppm divulgada recentemente. O carvão e o desmatamento são os que mais contribuíram ao longo desses quase 150 anos.

O Valor, o Estadão, o CarbonBrief e a Eurekalert fizeram comentários sobre o relatório. Este também foi objeto de conversa na GloboNews, em uma entrevista com a professora Suzana Kahn da UFRJ.

 

Lições dos “coletes amarelos” sobre a precificação das emissões

Após os violentos protestos do final de semana, o presidente francês Emmanuel Macron adiou o aumento dos combustíveis para o ano que vem e se dispôs a conversar com os “coletes amarelos” e com o restante da sociedade. A situação toda acabou virando munição para quem é contra a precificação das emissões. Laurence Tubiana, uma das negociadoras-chefe do Acordo de Paris, matou parte da charada no seu twitter: “Os protestos dos #ColetesAmarelos na França não são contra a #AçãoClimática, são um despertador tocando para a #JustiçaSocial. A transição para uma economia mais limpa, mais verde não pode acontecer de cima para baixo, ela precisa ser realmente inclusiva. Precisamos, juntos, encontrar as soluções!”

No começo da semana, o Guardian publicou um artigo sobre o processo de implantação do imposto sobre o carbono na Colúmbia Britânica, Canadá, que, segundo o jornal, dá pistas importantes para aqueles governantes que entendem ser necessária a precificação das emissões. Por lá, muitas reuniões e campanhas explicaram o que era o imposto e como este funcionaria. Foi enfatizado desde o começo que toda a arrecadação voltaria para o contribuinte na forma de abatimento em outros impostos. Assim, o governo só ficou com uma pequena parte do montante arrecadado para custear o sistema. A percepção de que o imposto não estava servindo para aumentar as receitas do governo foi decisiva para sua aceitação.

O Estadão e a Folha deram destaque aos protestos e sua ligação com o clima. Da mídia lá fora, vale destacar as matérias do Washington Post, do Politico e do The Hill.

O artigo de Rosana Pinheiro-Machado, no Intercept, faz uma ponte entre os protestos na França e as nossas jornadas de junho de 2013. O interessante é sua crítica à leitura que as esquerdas fizeram na época, no seu entender equivocada, e cujo viés talvez esteja por trás do seu fracasso nas eleições deste ano.

 

O dilema hamletiano da sustentabilidade dos investimentos do fundo de pensão da Noruega

O Financial Times ironiza o gigante fundo de pensão norueguês dizendo que “talvez não seja a ideia mais óbvia para um investidor, cujas receitas proveem do petróleo e do gás, a priorização da sustentabilidade.” Mas o fundo, que tem mais de US$ 1 trilhão em ativos, já começou diferente dos semelhantes colocando a ética à frente dos negócios. Em anos mais recentes, o fundo se viu diante de duas questões difíceis. Parte da sociedade norueguesa gostaria que o fundo usasse seu peso – ele detém 1,4% de todas as empresas listadas em bolsa do mundo e 2,4% das listadas na bolsas europeias – para forçar práticas mais sustentáveis. Até agora, pelo menos, os gestores do fundo seguem convencionalmente não interferindo em políticas alheias – sejam de países e governos, sejam de empresas. A outra questão é ainda mais delicada e é consequência de um movimento iniciado em 2015 para que o fundo se desfizesse de ações de empresas que obtêm mais de 30% de suas receitas ou operações ligadas ao carvão mineral. A questão agora vai além, discutindo quando o fundo começará a se desfazer de ações de empresas do setor de petróleo e gás, que são fonte das suas próprias receitas.

 

Descarbonizar o transporte no G20

A GIZ, a Agora Verkehrswende e a REN21 se juntaram para analisar as perspectivas de descarbonização dos setores de transporte dos países do G20. O transporte é responsável por 25% das emissões globais devidas à queima de combustíveis fósseis, os países do G20 são responsáveis por ⅔  das emissões globais do setor e estas continuam aumentando. Só três países, a Alemanha, a França e o Japão, têm metas de redução de emissão para o setor, se bem que são metas internas que não fazem parte das NDCs. O trabalho contém fichas para cada um dos membros do G20, com dados sobre emissões totais, emissões do setor de transporte, o setor energético, veículos elétricos, metas de energia e de eletricidade, ambição das metas, trade-offs, subsídios e processos de implantação. Os trade-offs apresentados na ficha do Brasil se referem à produção de biocombustível, salientando a falta de referências à sustentabilidade, à redução das emissões na produção dos biocombustíveis e nem ao uso da terra. Sobre o uso da terra e a sustentabilidade, o Brasil conta com o zoneamento agropecuário e o Código Florestal, que não aparecem nos documentos oficiais relacionados com as emissões do transporte. Os pesquisadores mencionam o Rota 2030, mostrando o quão atual é o trabalho, mas não mencionam o Renovabio, que esclareceria bastante as questões levantadas sobre as emissões e a sustentabilidade dos biocombustíveis brasileiros. Quem sabe no ano que vem. O website da REN21 inclui um link para o relatório completo.

 

O gelo da Groenlândia derrete cada vez mais rápido

Pesquisadores observaram que o gelo da Groenlândia está derretendo mais rápido do que se supunha. Aliás, nos últimos 400 anos, nunca estas geleiras derreteram tão rápido. A taxa de perda de gelo aumentou 50% desde o início da era industrial, e 30% desde 2000. O The Independent comentou a pesquisa.

 

A mudança do clima multiplicou por 30 a chance da onda de calor no Reino Unido

O serviço nacional de meteorologia do Reino Unido afirmou que a mudança do clima já fez as ondas de calor como a que atingiu o país em julho serem 30 vezes mais prováveis. A estimativa é nova e impressiona pelo tamanho. O recado é simples: parar de emitir gases de efeito estufa para não deixar o clima mudar.

 

Para ver

O Amanhã é Hoje

Um documentário sobre o drama de brasileiros que já estão sendo impactados pelas mudanças climáticas. Não precisa ser especialista em mudanças climáticas para sentir seu impacto e como estas afetam o nosso dia-a-dia, o meio ambiente e a economia.

 

Para ir

Feirinha Presentes da Floresta

O Instituto Socioambiental (ISA), o Instituto ATÁ e o Selo Origens Brasil® convidam para conhecermos de perto iniciativas produtivas que mantêm a floresta em pé e fortalecem povos e comunidades tradicionais. O evento “Presentes da Floresta” é uma oportunidade para montar uma cesta de Natal que valoriza nossas florestas, seus povos e nosso futuro. São cestos, cogumelos, pimentas, méis, óleos, castanhas e farinhas produzidos por comunidades indígenas, extrativistas e quilombolas que mostram a força da biodiversidade brasileira.

Sábado, 8 de dezembro, a partir das 10h, no Mercado de Pinheiros, São Paulo.

 

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