ClimaInfo, 06 de fevereiro de 2019

ClimaInfo mudanças climáticas

A saúde da humanidade está sob as ameaças da mudança do clima, da desnutrição e da obesidade

Uma comissão da mais importante revista científica no campo da medicina e da saúde, The Lancet, publicou um relatório sobre as maiores ameaças à saúde humana no século 21. Em destaque, a mudança do clima e os dois extremos alimentares: a desnutrição e a obesidade. Na medida em que as três ameaças estão fortemente relacionadas, o relatório adota a expressão “sindemia global” para representar as “múltiplas doenças que interagem entre si, produzem sequelas complexas e compartilham atores sociais comuns.” O pessoal do IDEC publicou um bom artigo comentando o trabalho.

 

Malária e desmatamento têm relação complexa

Acaba de sair um trabalho na Lancet sobre as complexas relações entre a malária, a floresta e o desmatamento. O conhecimento tradicional explica que áreas de floresta densa, com sombra e umidade e temperatura constantes, propiciam a vida e a reprodução de um grupo de espécies do gênero anopheles, vetores do protozoário da malária. De fato, a maioria dos casos de malária reportados no mundo atesta a correlação com a presença da floresta. Uma área desmatada, pela exposição ao sol e às variações de temperatura, deveria apresentar um número significativamente menor de casos de malária, mas isto não é o que acontece. Isto porque um outro grupo de espécies do mesmo gênero prolifera nestes ambientes. Para Gabriel Zorello Laporta, pesquisador da Faculdade de Medicina do ABC e um dos autores do trabalho, “desmatamento e malária têm uma relação complexa que gerou longos e acirrados debates sobre a floresta tropical na Amazônia.”

 

Casos de dengue voltam a aumentar em São Paulo

Com o calor de janeiro batendo recordes, os casos de dengue no estado de São Paulo também dispararam. Foram registrados cinco vezes mais casos neste janeiro do que no mesmo mês do ano passado. Pelo menos por enquanto, a diretora do Centro de Vigilância Epidemiológica do Estado, Regiane de Paula, entende que as marcas estão dentro do esperado para esta época do ano e que ainda não se caracterizou um surto ou epidemia. Para ela, a única surpresa está sendo a predominância do sorotipo 2, enquanto se esperava uma repetição da prevalência do sorotipo 1, como no ano passado. A melhor linha de ação para combater a dengue continua sendo eliminar os criadouros do mosquito Aedes aegypti.

 

Os riscos climáticos à floresta Amazônica

Um novo estudo sobre o que acontecerá com a floresta Amazônica em diferentes cenários de mudança climática acaba de ser publicado na Frontiers in Earth Science. O estudo foi coordenado pelo Cemaden e realizado em conjunto com pesquisadores do Imazon, INPE e UFES, daqui do Brasil, e de pesquisadores internacionais. Um dos focos do trabalho foi buscar um melhor entendimento do ponto de inflexão da floresta, aquele que, uma vez ultrapassado, pode converter parte da floresta em savana, o que “teria potencialmente impactos em grande escala no clima, em biodiversidade e nas pessoas da região”, nas palavras do coordenador do projeto, José Marengo. Este ponto de inflexão pode estar muito próximo de um desmatamento de 25% da área original da floresta. Hoje, estima-se que a perda já tenha passado da marca de 20%.

 

Scooter elétrica compartilhada, mais uma opção para a mobilidade sustentável em São Paulo

Uma nova empresa entrou na onda de compartilhamento em São Paulo, oferecendo, pela primeira vez, scooters elétricas. Neste primeiro mês e meio de operação, são apenas 40 scooters rodando na área mais rica da cidade. Mas já atraíram 5.000 usuários e o número de viagens está sendo três vezes maior do que o previsto. Em média, a distância percorrida é entre 5 e 6 quilômetros, o que, na área de abrangência, significa mais de meia hora de carro e mais ainda de ônibus. O usuário, para se cadastrar, precisa provar que possui a habilitação para dirigir motocicletas. A empresa é responsável por manter as baterias carregadas, as scooters limpas e oferece, no baú, um capacete padrão e toucas higiênicas. A empresa tem planos para ampliar a área de atuação e chegar ao final do ano com uma frota de 1.000 scooters.

 

Geração de eletricidade pelos ventos cresceu 18% no continente americano durante 2018

Os últimos dados divulgados pelo GWEC (Global Wind Energy Council) mostram que a capacidade eólica instalada no continente americano aumentou em quase 12 GW no ano passado, um aumento de 12% em relação ao ano anterior. A América Latina continua liderando a expansão, com um aumento de quase 19% na capacidade. No Canadá e nos EUA, o aumento foi de quase 11%. O Brasil instalou mais 2 GW de capacidade e os preços nos leilões chegaram a 22 US$/MWh. A capacidade instalada no país chegará em breve a 15GW. No México, a capacidade atual bateu em 5 GW e o plano mexicano de expansão prevê que as renováveis responderão por 35% da capacidade antes de 2024.

Karin Ohlenforst, diretora da GWEC, disse que o continente americano respondeu por cerca de 25% do aumento de capacidade global em 2018. E que o crescimento da capacidade na América do Sul, em particular, prova como a energia eólica é competitiva nos mercados de leilões.”

 

Veículos: o fim dos motores a combustão interna se aproxima e muitas novidades aparecem no mundo dos elétricos

Um artigo do Financial Times desta semana conta que os dias do motor a combustão interna estão contados. Analistas dizem que o ano passado foi o ano de pico nas vendas de carros fósseis e que, daquiVeículos: o fim dos motores a combustão interna se aproxima e muitas novidades aparecem no mundo dos elétricos para frente, a bola está com os híbridos e elétricos. O artigo também diz que a frota total também tende a atingir um pico em breve. O artigo diz ainda que o mercado automobilístico mundial foi ‘um desastre’, segundo um analista, e ‘um pesadelo’ para outro. Os motivos levantados foram a guerra comercial de Trump, o Brexit, a desaceleração da economia chinesa, o embargo do Irã e as novas metas de emissão europeias. A queda na demanda mundial está sendo puxada pelos três maiores mercados: China, EUA e Europa.

A Quartz publicou uma matéria sobre os veículos elétricos chineses baratos, que estão quase prontos para invadir a Europa e os EUA. Os preços continuam baixando e, logo, estarão sendo vendidos a US$ 9.000 (pouco mais de R$ 33.000 pelo câmbio oficial). Hoje, existem mais elétricos rodando na China do que em todo o resto do mundo. A matéria dá destaque para os minicarros e minicaminhonetes. Totalmente despidos de acessórios, com autonomia restrita, mas com preços extremamente atraentes para uma gama ampla de consumidores chineses e, possivelmente, fora dali.

Elon Musk, o visionário dono da Tesla, declarou esta semana que abriu todas as suas patentes relacionadas aos seus elétricos, como forma de ajudar o combate ao aquecimento global. Na prática, ele prometeu “não processar ninguém por usar nossa tecnologia”. Ele aproveitou para cutucar as grandes automotivas, dizendo que tinha pedido patentes para impedir que os grandes copiassem sua tecnologia e usassem seu poder de marketing e comercial para dominar o mercado. “Nós não poderíamos ter nos enganado mais. A triste realidade é o oposto”, disse ele, notando que carros elétricos ou a combustíveis limpos “praticamente inexistem nos maiores fabricantes.” Musk acrescentou ser impossível para a Tesla produzir carros elétricos em quantidade suficiente para enfrentar o aquecimento global.

 

Emissões de carbono do Reino Unido caíram 38% desde 1990

O Carbon Brief fez as contas e descobriu que as emissões no Reino Unido estão 38% abaixo das de 1990. Os principais fatores que influenciaram este resultado foram uma matriz elétrica mais limpa – baseada em renováveis e com o gás natural no lugar do carvão – e a queda de demanda generalizada em residências, no comércio e na indústria. A análise mostrou que, houvesse seguido a tendência – o tal business as usual de 1990 – só as emissões do setor elétrico seriam quatro vezes maiores do que foram em 2017. Até 2000, a queda nas emissões nos vários setores aconteceu por conta de melhorias tecnológicas que permitiram um aumento generalizado de eficiência energética e pela queda de demanda no transporte individual. Vale dar uma lida no trabalho.

 

Um mundo mais quente será mais poluído

Em resposta ao aumento das concentrações de gases de efeito estufa, a superfície dos continentes tem se aquecido mais rapidamente do que a superfície dos oceanos, e esta diferença pode levar a um aumento da poluição do ar, segundo estudo publicado na Nature. Usando modelos climáticos, os pesquisadores descobriram que o maior aquecimento dos solos em relação aos mares causa “redução de umidade na baixa troposfera sobre os solos continentais que provocam reduções nas nuvens baixas – particularmente nas nuvens de grande escala (stratus)”. Estas reduções de umidade levam à redução da precipitação sobre os continentes. Menor quantidade de chuva implica menor arraste das partículas de poluição em suspensão na atmosfera. Segundo os autores, as conclusões “aumentam a confiança de que um mundo mais quente será associado a uma maior poluição por aerossóis”, concluem os autores, “a menos que ocorram reduções das emissões antropogênicas”.

 

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