ClimaInfo, 8 de março de 2019

ClimaInfo mudanças climáticas

COP25 confirmada para dezembro

A Convenção Clima confirmou a realização da COP25 em Santiago do Chile entre os dias 2 e 13 de dezembro deste ano. O governo chileno chegou a aventar a hipótese de transferir o evento para janeiro de 2020. Desde a COP3, que aconteceu em Kyoto, em 1997, que as reuniões acontecem no final do ano. O Globo comentou a notícia lembrando que o presidente Bolsonaro, ainda não empossado, pediu para que o Brasil desistisse de sediar a reunião.

 

Delegado do Amapá usa aplicativo do WRI para caçar desmatadores

É preciso dar destaque às cada vez mais raras boas notícias. Leonardo Brito, titular da Delegacia do Meio Ambiente do Amapá, está usando o app do Global Forest Watch para monitorar em tempo real o aparecimento de novos focos de desmatamento. O aplicativo, desenvolvido com o apoio do WRI, traz imagens de satélite com resolução suficiente para que Brito identifique e monte uma operação rapidamente. Apesar do Amapá não constar do ranking dos grandes desmatadores, Brito conta que “grileiros invadem e derrubam a mata para colocar gado. Madeireiros ilegais arrasam áreas grandes em busca de madeiras nobres. Querem ipês e cedros, mas derrubam tudo e vendem o resto para virar carvão.” Vale ler a matéria de Ana Lucia Azevedo n’O Globo.

 

A caçada de Salles às ONGs chega ao Fundo Amazônia

O ministro Ricardo Salles está criando caso com os técnicos do BNDES que gerem o Fundo Amazônia. Salles quer auditar a aplicação dos recursos do Fundo e não se conforma com a existência de informações sigilosas nos contratos firmados entre o Banco e os tomadores de recursos. A lista de tomadores inclui ONGs, prováveis alvos de Salles, mas também inclui Secretarias de Meio Ambiente de estados e municípios e outras entidades do setor público, incluindo universidades. Os recursos do Fundo foram importantes para os estados montarem seus sistemas de Cadastro Ambiental Rural e capacitar técnicos e proprietários para realizá-lo. O Fundo Amazônia recebe recursos do governo da Noruega e chegou a receber, também, do governo alemão e da Petrobrás. Segundo a matéria do Valor, “o banco disse que a auditoria externa das contas do fundo é de responsabilidade da KPMG e, da auditoria de compliance, da BDO. O fundo foi recentemente avaliado positivamente pelo banco alemão KFW.” Salles está, segundo piada no Twitter do Observatório do Clima, em busca de mais um factoide.

 

Aos poucos, o agronegócio começa a admitir sua adicção a subsídios

As matérias sobre os custos do agronegócio para o Tesouro Nacional na forma de subsídios, anistias e similares apontam para um rumo ligeiramente diferente dos discursos altaneiros da bancada ruralista. Depois que o ministro da economia trancou o cofre a sete chaves, começam a surgir discursos que admitem que os pedidos por mais e mais subsídios não se coadunam com a narrativa do agro-que-é-tudo. Mas, como qualquer viciado sabe, tirar todos os subsídios de uma vez resultaria em uma quebradeira digna das maiores crises de absenteísmo que se tem notícia. Assim, os agroboys aceitam que se reduza um pouco do subsídio ao Plano Safra e ao crédito à irrigação, desde que se possa solicitar os dois. Pela vontade dos agroboys, o subsídio nas contas de luz também poderia desaparecer, mas mais lentamente do que o previsto. A trincheira principal, agora, é o seguro rural, aquele que o produtor compra para eventualidades como secas, inundações e pragas, todas aquelas coisas desagradáveis que a mudança do clima vem intensificando. Chega a ser irônico ver a bancada ruralista, que tudo faz para aumentar o desmatamento, aumentando assim o ritmo do aquecimento global, pedir ao contribuinte brasileiro que garanta seu lucro bancando um seguro contra a mudança do clima.

 

Estações de baterias chegam (finalmente) ao Brasil

Com quase dez anos de atraso, uma estação de baterias começou a operar em Uberlândia, no final do mês passado. Ela tem capacidade de armazenar 1.360 kWh, o suficiente, segundo os proprietários, para alimentar quase 200 casas o dia inteiro. O sistema faz parte de um parque solar construído pelas Cemig e Alsol Energia Renováveis. As baterias foram compradas da BYD, a gigante chinesa no mundo das aplicações destas baterias.

 

Índia dará subsídios de US$ 1,4 bilhão para veículos elétricos

A segunda etapa do esquema de adoção e fabricação rápida de veículos elétricos da Índia (FAME II) entrará em vigor a partir de 1º de abril, com orçamento ampliado dos meros US$ 290 milhões da primeira fase para US$ 1,4 bilhão. O orçamento subsidiará a compra de até 1 milhão de veículos elétricos de 2 rodas para particulares, 500.000 veículos elétricos de 3 rodas e 55.000 veículos elétricos de 4 rodas, estes principalmente para operadores comerciais, e até 7.000 ônibus elétricos. Além disso, o esquema propõe a instalação de 2.700 estações de recarga nas grandes cidades do país, de modo a que haja uma destas estações em cada parcela de 3×3 km, bem como uma provisão financeira para o financiamento de uma estação de recarga a cada 25 km das principais rodovias. O esquema foi muito bem recebido pelos fabricantes de veículos da Índia e responde à demanda do setor por incentivos que impulsionem a adoção de veículos elétricos.

 

Índia: um grande impulso à geração solar distribuída nos telhados

No que talvez seja o maior impulso já dado à geração solar distribuída em telhados, o governo indiano alocou US$ 6,5 bilhões para os produtores agrícolas que dependem de bombas de água movidas a diesel, importante fonte de emissão de carbono naquele país. Os fundos serão liberados entre 2019 e 2022 e incluem subsídios de até 30% para associações de moradores interessadas na instalação de sistemas solares em telhados; com a medida, espera-se instalar até 4 GW, 10% da meta para a atividade, que é de 40 GW, contribuir com a meta nacional de instalação de 100 GW definida para 2022, além de reduzir o consumo de 1,2 bilhão de litros de diesel e a emissão de 27 milhões de toneladas de CO2 a cada ano.

 

ThyssenKrupp promete descarbonizar produção de aço até 2050

Mais um grande produtor de aço assumiu um compromisso de descarbonização. A gigante alemã ThyssenKrupp prometeu deixar de usar carvão na fundição de minério de ferro até 2050. Atualmente, a produção de aço contribui com cerca de 40 milhões de toneladas de CO2 por ano, cerca de um terço das emissões totais da indústria alemã. O hidrogênio será usado para transformar o minério em ferro-gusa que, depois, será refundido em fornos elétricos a arco para a produção de aço. Atualmente, o uso do hidrogênio é muito mais caro do que o do carvão, mas os fabricantes alemães estão sob pressão para mostrar como se livrarão dos combustíveis fósseis. A ThyssenKrupp estima que a transição para o hidrogênio custará mais de 30 bilhões de euros.

A quantidade de eletricidade que será necessária para produzir o hidrogênio e fazer funcionar os fornos elétricos a arco será enorme. Na fronteira da Áustria, a Voestalpine, fabricante local de aço, sugere que a conversão para o hidrogênio da sua principal fábrica necessitará de 30 terawatt-hora por ano, da ordem de 50% da atual demanda total da Áustria.

 

Efeitos colaterais da geoengenharia podem recair mais sobre o Hemisfério Sul

A maioria das ideias da geoengenharia para a contenção do aquecimento global, se implantada, acirraria a desigualdade Norte-Sul, segundo avaliação recém publicada na Nature. Por serem mais vulneráveis e menos aptos a se adaptar, os efeitos colaterais destas ideias recairiam com mais força sobre os países do Hemisfério Sul. Acontece que as ideias estão sendo pesquisadas e desenvolvidas nos países do Hemisfério Norte por gente que não pensa no Sul. Segundo os autores do trabalho, isto aparece claramente nas análises de impactos realizadas nos centros de pesquisa dedicados à geoengenharia. Por conta disso, os autores propõem a criação de mecanismos de decisão representativos de todos os povos.

A preocupação com a governança da geoengenharia foi objeto de uma resolução apresentada pela Suíça que será discutida em uma reunião da ONU neste mês. A ideia é analisar as principais linhas em desenvolvimento e propor as estruturas de governança mais adequadas a cada uma. Franz Perrez, da FOEN (agência ambiental suíça), disse à Climate Home News que “já existe gente fazendo testes de controle da radiação solar e a pesquisa científica está indo em frente. Não podemos mais fechar os olhos e dizer que isso é apenas ficção científica”.

 

A concentração de CO2 na atmosfera bate recorde “antes da hora”

A concentração de CO2 na atmosfera varia ao longo do ano, sendo que as mínimas aparecem por volta de agosto e setembro e as máximas entre maio e junho. Esta sazonalidade é mais pronunciada no Hemisfério Norte, onde a relação entre as áreas continental e oceânica é maior do que no Hemisfério Sul, onde uma maior área oceânica amortece as variações. Mas, em pleno fevereiro, a concentração média global chegou a 411,66 ppm, o mais alto valor medido desde o início da era industrial. A ver se o viés de alta segue até maio e junho.

Um trabalho publicado recentemente na Paleoceanography and Paleoclimatology, mostra que o atual ritmo de acúmulo de CO2 na atmosfera é cerca de 10 vezes maior que o dos registros fósseis de há 56 milhões de anos, no chamado Máximo Térmico do Paleoceno-Eoceno (PETM, na sigla em inglês). A continuar assim, a concentração atmosférica de CO2 chegará à máxima registrada durante o PETM em menos de cinco gerações, muito, mas muito mesmo mais rápido que no PETM, quando a temperatura média global levou cerca de 20 mil anos para subir 6oC. Naquele momento da vida na Terra, muitas espécies desapareceram e houve uma mudança importante entre os mamíferos, com a extinção de muitas famílias. A Medium comentou o trabalho.

 

Para ver

Lines (57° 59′ N, 7° 16’W)

Fotos da instalação que projeta a elevação do nível do mar em uma das ilhas Hébridas Exteriores, na costa ocidental da Escócia. Na instalação, sensores detectam o nível das atuais marés altas e projetam a linha das futuras marés em casas e muros. Os criadores finlandeses Timo Aho e Pekka Niittyvirta dizem que “a instalação explora o impacto catastrófico de nossa relação com a natureza e seus efeitos em longo prazo. A obra provoca um diálogo sobre como a subida do nível do mar afetará as zonas costeiras, os seus habitantes e o uso do solo no futuro”.

 

Para ver

Gráficos sobre a mudança climática do New York Times

O New York Times traz, com frequência, gráficos que contam mais que as proverbiais mil palavras. O título da matéria que acaba de sair é: “Ensine sobre a mudança do clima com esses 24 gráficos do New York Times”. Perspectivas novas são prenhes de novos conhecimentos.

 

Para ler

Especial da Economist sobre Água

A Economist publicou uma série especial sobre a água no planeta e deu à primeira matéria o sugestivo título de “Água – um planeta com sede”. A matéria trata da perspectiva de um mundo com mais gente e menos água. A segunda matéria trata da água doce dos rios e lagos, ou melhor, da sua sobre-exploração e das tensões que desta decorrem. A terceira aborda os conflitos, declarados ou não, pela água ou pela falta dela. Os aquíferos, cada vez mais deplecionados, e uma humanidade gastando a poupança de milhões de anos são o objeto da quarta matéria, que leva o título de “Blues Subterrâneos”. As duas matérias seguintes falam de possíveis caminhos: a economia e a eficiência, pelo lado do consumidor, e a dessalinização, pelo lado tecnológico. O especial termina falando de um leque de soluções.

 

Para ler

Women, Business and the Law

Um trabalho do Banco Mundial que, se não toca diretamente na questão climática, é extremamente relevante, dado que as mulheres e as meninas serão as que arcarão com o peso maior dos impactos do clima em mudança. O trabalho mensura a desigualdade de gênero perante a lei em todo o mundo. Acompanha um banco de dados sobre as barreiras à uma maior participação das mulheres na economia.

 

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