Aos poucos, o agronegócio começa a admitir sua adicção a subsídios

As matérias sobre os custos do agronegócio para o Tesouro Nacional na forma de subsídios, anistias e similares apontam para um rumo ligeiramente diferente dos discursos altaneiros da bancada ruralista. Depois que o ministro da economia trancou o cofre a sete chaves, começam a surgir discursos que admitem que os pedidos por mais e mais subsídios não se coadunam com a narrativa do agro-que-é-tudo. Mas, como qualquer viciado sabe, tirar todos os subsídios de uma vez resultaria em uma quebradeira digna das maiores crises de absenteísmo que se tem notícia. Assim, os agroboys aceitam que se reduza um pouco do subsídio ao Plano Safra e ao crédito à irrigação, desde que se possa solicitar os dois. Pela vontade dos agroboys, o subsídio nas contas de luz também poderia desaparecer, mas mais lentamente do que o previsto. A trincheira principal, agora, é o seguro rural, aquele que o produtor compra para eventualidades como secas, inundações e pragas, todas aquelas coisas desagradáveis que a mudança do clima vem intensificando. Chega a ser irônico ver a bancada ruralista, que tudo faz para aumentar o desmatamento, aumentando assim o ritmo do aquecimento global, pedir ao contribuinte brasileiro que garanta seu lucro bancando um seguro contra a mudança do clima.

 

Boletim ClimaInfo, 8 de março de 2019.