‘Tragam planos, não discursos’, exige o Secretário Geral da ONU

António Guterres, secretário geral da ONU, mandou um recado direto e reto para governos ao falar da reunião da Cúpula do Clima que acontecerá em setembro. “Tragam planos, não discursos”. Guterres – e, aliás, o mundo – espera que os países aumentem suas ambição de combate às mudanças climáticas. Em nota, os organizadores da Cúpula avisam que não haverá espaço para discursos. “A Cúpula será orientada para a ação. As iniciativas e entregáveis que serão apresentadas precisam ser implementáveis, escaláveis e replicáveis e ter o potencial de alinhar o mundo aos compromissos do Acordo de Paris.” Guterres quer que os governos tragam planos concretos ou, pelo menos, mostrem que estarão prontos no ano que vem, quando as metas serão revistas nas negociações climáticas, sempre no sentido do aumento da ambição. O Relatório Especial 1,5oC do IPCC publicado em outubro do ano passado indicou que será preciso um corte de 45% nas emissões globais até 2030, e chegar em 2050 com emissões líquidas iguais a zero. A Cúpula acontece no dia 23 de setembro, na sede da ONU, em Nova York.

Chandra Bhushan, do Centro de Ciência e Meio Ambiente em Nova Delhi, discorda. Em um artigo publicado na Climate Change News, Chandra diz que, diante do tamanho do desafio climático, os esforços de 25 anos da Convenção do Clima (UNFCCC) deram poucos resultados. Ela entende que o Acordo de Paris é bem-intencionado, mas “agora, a Convenção é só uma plataforma para coletar, sintetizar e disseminar informação. Ela não tem os instrumentos para dirigir a ação coletiva de combate à mudança do clima”. Chandra defende a criação de plataformas setoriais e regionais por meio das quais fosse possível realizar a transição para modos de emissão nula. E complementa dizendo que “a mudança do clima é séria demais para que a deixemos nas mãos dos governos”. É preciso engajar o setor privado, mas não nos termos voluntários de Paris. “Para impulsionar o setor privado, teremos que fazer das mudanças climáticas um dever fiduciário das corporações e responsabilizá-las por poluir o clima”. Ela admite que a ideia é pouco viável, mas “é melhor tentar alguma coisa diferente agora do que lamentar depois”.

 

Boletim ClimaInfo, 28 de março de 2019.