Decisões do meio ambiente passam antes pela agricultura

Duas associações de servidores ligados ao Ministério do Meio Ambiente soltaram uma longa carta denunciando uma série de retrocessos promovidos pelo ministro Salles. A maior parte já foi divulgada. Mas uma das denúncias escancara quem, de fato, responde pelo meio ambiente no país. Diz a carta: “todas as decisões e cargos do MMA têm sido submetidos, previamente, à anuência do setor agrícola.” A carta também toca em um dos mantras de Salles (ter encontrado o Ibama e o ICMBio com prédios, veículos e equipamentos deteriorados): “O Ministro prossegue em suas alegações, e usa a precariedade da infraestrutura dedicada à conservação da sociobiodiversidade como uma ‘prova’ da ineficiência de ‘administrações anteriores’. A precariedade de fato sempre existiu, mas não é possível superá-la pelo caminho do enfraquecimento das instituições públicas (…) reclama-se que um processo rigoroso (de licenciamento) seja lento, mas nega-se ao Ibama e ao ICMBio a possibilidade de realização de concursos públicos para dotar os órgãos de pessoal suficiente para o cumprimento de suas missões com mais ‘celeridade’. A grande diferença, repita-se, é que todos os ministros anteriores se empenharam pelo fortalecimento da pasta nos mais variados contextos, sendo o atual um caso inédito, onde parte da própria pasta a tentativa de desmoralizar as ações dos órgãos ambientais e os servidores que neles atuam.”

Em tempo: segundo a Época, Salles baixará uma ordem proibindo a destruição de equipamentos encontrados em ações de fiscalização na Amazônia. Segundo o artigo, “é um pleito antigo de políticos da bancada ruralista” e foi objeto de declarações do presidente. Os equipamentos apreendidos e, de vez em quando destruídos, são encontrados junto com criminosos que extraem madeira e minérios ilegalmente.

Esta ordem de Salles equivale a prender criminosos e devolver as armas apreendidas, não?

 

ClimaInfo, 13 de maio de 2019.