Conselho de Saúde do RS está preocupado com riscos à saúde colocados pelo carvão

Silvia Franz Marcuzzo – 15/10/2019

O Rio Grande do Sul, assim como boa parte dos estados brasileiros, carece de informações específicas sobre a saúde da população que vive no entorno de empreendimentos poluidores. No caso gaúcho, não se tem este tipo de dado para a saúde dos moradores dos municípios das regiões de mineração de carvão. Essa é uma das preocupações do Conselho Estadual de Saúde (CES), que promoveu hoje o seminário Os impactos da megamineração e do projeto Mina Guaíba ao meio ambiente e à saúde da população. O evento foi realizado na Associação Médica do RS e contou com a participação de médicos e outros profissionais da área da saúde.

O presidente do CES, Claudio Augustin, disse que o evento serviu de “espaço para diálogo entre setores que não se conversavam”. Ele também chamou a atenção para a necessidade de se levantar informações para o Ministério Público que vem acompanhando o caso. A promotora de Justiça Ana Marchesan estava na plateia e fez várias perguntas que evidenciaram a necessidade de mais pesquisas sobre o assunto.

Augustin disse que o Conselho solicitou sem sucesso estudos e dados sobre estas regiões para a Secretaria Estadual da Saúde. Ele acrescenta que, a partir deste ano, o Plano Estadual de Saúde contará com planos regionais. A ideia é que os conselhos pressionem os municípios para que se tenha mais dados sobre atendimentos, internações e óbitos de casos envolvendo doenças provocadas pela extração do carvão.

A conselheira Ana Walls, representante da Associação Gaúcha de Proteção ao Ambiente Natural (Agapan), destacou que na hora do atendimento, muitas vezes, nem se pergunta a atividade do paciente, além disso, não se relaciona o que a pessoa está sentindo com o local onde mora.

De modo diferente do Conselho Estadual do Meio Ambiente, que não deu abertura para tratar do caso do Polo Carboquímico, o CES vem se manifestando contrariamente à exploração do carvão a 16km de Porto Alegre. A composição do CES dá mais autonomia ao Conselho, porque na sua composição, 50% são usuários do sistema de saúde, 25% trabalhadores em saúde, 25% representantes do governo e de empresas prestadoras de serviço ao SUS.

O evento foi transmitido numa live do Facebook e sua gravação pode ser vista aqui.