Óleo chega ao Espírito Santo e pode ter vindo de um “navio fantasma”

11 de novembro de 2019

Óleo no Sudeste: Na 5ª feira, pequenas manchas de óleo chegaram à praia de Guriri, no norte do Espírito Santo. As manchetes da Folha e do Estadão deram destaque ao óleo que chegou ao Sudeste. No sábado, o óleo apareceu em mais duas praias do estado.

Mariscos mortos nas Alagoas: Há mais de uma semana aparecem mariscos mortos na praia de Maragogi, Alagoas. O biólogo da Universidade Federal de Alagoas (UFAL), Cláudio Sampaio, disse ao Maragogi News que o aparecimento dos mariscos mortos não pode ser considerado normal: “Possivelmente esteja associado à chegada do óleo, mas somente análises da qualidade da água, sedimento e especialmente do massunim, tanto o morto quanto o vivo, é que poderemos afirmar as causas das mortes. Enquanto não houver essas análises, será bem difícil essa situação de dúvida”.

Rede profunda: O governo do Ceará instalou uma barreira para segurar o óleo parecida com a usada para conter a lama do desastre da Vale. O óleo, como a lama, flui abaixo da superfície. Artur Bruno, secretário do meio ambiente do Ceará, explicou a ideia ao Estadão: “Colocamos uma barreira comum em cima, fixamos uma aba especial de rede no fundo do mar e adicionamos correntes embaixo para que funcionasse como uma espécie de âncora. Dessa forma, a manta, que tem de três a quatro metros de profundidade, segura o óleo”.

De onde veio o óleo? Análise feita a pedido d’O Globo indica que navio grego Bouboulina, principal suspeito apontado pela Marinha, não deve ser a origem da mancha de óleo. Mostra também que a origem da mancha – em forma de rastro negro – deve ser um “navio fantasma”, destes que navegam com seus transponders desligados. A matéria de Rafael Garcia conta que a empresa Marine Traffic, a qual monitora o tráfego naval de todo o planeta, cruzou seu banco de dados com o rastro negro identificado em uma imagem de satélite pelo cientista Humberto Barbosa, coordenador do laboratório LAPIS da UFAL. A imagem mostra três pontos brancos (embarcações), um deles a 40 km ao norte de São Miguel do Gostoso (RN), entre 8h00 e 8h06 do dia 24 de julho. Duas destas embarcações estavam com seus transponders desligados. A que tinha o equipamento ligado era um navio norte-americano de transporte de veículos que trafegava no sentido oposto ao do rastro negro, não podendo, portanto, ser a origem do vazamento. A Marine Traffic registrou as trajetórias dos cinco navios gregos que o governo brasileiro destacou como suspeitos pelo derramamento. Mas, segundo o professor Humberto, nenhum deles teve trajetória que se encaixasse na imagem do rastro. Estes navios são os Bouboulina, Maran Apollo, Maran Libra, Cap. Pembroke e o Minerva Alexandra.

Mas Roberta Jansen, do Estadão, ao comentar a mesmo notícia, destacou a seguinte declaração da Marinha: “As análises efetuadas, por meio de imagens de satélites e geointeligência, classificaram essa ocorrência como falso-positivo. A região mencionada apresenta um sistema de correntes marítimas constantes no sentido oeste-noroeste, o que não possibilitaria a chegada da mancha de óleo ao litoral leste nordestino.”

Escanteando Salles: Leonardo Cavalcanti, do Poder 360, conta dos que a Marinha está coordenando os esforços de limpeza junto com gente dos estados, municípios e voluntários, e tem trabalhado com a Polícia Federal para encontrar o culpado pelo vazamento.

Segundo Cavalcanti, “sem informações e escanteado tanto pela Marinha como pela Polícia Federal, restou [ao ministro] Salles ouvir a oposição gritar contra o governo Bolsonaro na última 4ª feira na Câmara. Poderia ter [tido] uma participação melhor neste episódio. Se na beira do cais o mais inocente sabe o valor da informação, Salles teve poucas – ou quase nenhuma.”

Em tempo: vale ver as fotos publicadas pela NatGeo no último dia 28, feitas por fotógrafos que foram às praias documentar a tragédia.

 

ClimaInfo, 11 de novembro de 2019.

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