Aldeias montam barreiras sanitárias para proteger indígenas da COVID-19

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Sem o apoio do governo federal para conter a pandemia de COVID-19 e tratar os pacientes infectados, muitas aldeias indígenas recorreram a medidas voluntárias de isolamento para reduzir a velocidade de contágio do novo coronavírus entre os Povos Indígenas.

Em muitos casos, indígenas instalaram bloqueios de acesso e monitoramento da circulação de pessoas dentro de suas aldeias, o que tem impossibilitado o acesso de pessoas de fora a essas comunidades. Segundo o De Olho nos Ruralistas, ao menos 40 etnias instalaram barreiras desse tipo em 17 estados, sendo 8 deles na Amazônia Legal. Esses bloqueios têm interceptado desde turistas que trafegam em áreas indígenas para visitar praias e cachoeiras até vendedores e, em casos mais extremos, traficantes de armas e de animais silvestres.

Em abril passado, a Funai já tinha emitido alerta para que os indígenas não bloqueassem os acessos a seus territórios, mas a falta de apoio e ação do governo federal para conter a pandemia forçou muitas aldeias a recorrer a esse expediente.

Para Sonia Guajajara, coordenadora da Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (APIB), os bloqueios são fundamentais para a segurança sanitária das aldeias. “A Funai atua de forma totalmente criminosa. Esses órgãos do governo estão fazendo tudo na contramão do que deve ser feito. Se não somos atacados de um jeito, somos atacados de outro. E já que o estado não faz, a gente faz, arriscando a própria vida”.

 

ClimaInfo, 2 de junho de 2020.

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