Mesmo frente a incêndios sem precedentes, imprensa dos EUA ainda ignora crise climática

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Uma análise feita pela ONG Media Matters apontou que os canais de TV dos EUA seguem ignorando as conexões entre os incêndios históricos que atingem a costa oeste do país e a mudança do clima. De acordo com o levantamento repercutido pelo The Guardian, apenas 15% dos segmentos de notícias sobre os incêndios exibidos durante o feriado prolongado do Dia do Trabalho, no final de semana retrasado, mencionaram a crise climática. Ao longo do mês de agosto, quando a situação piorou na Califórnia, menos de 5% das matérias jornalísticas fizeram alusão à questão climática.

Para o público, a reticência dos principais canais de televisão em citar e abordar a crise climática na cobertura jornalística sobre os incêndios na costa oeste não faz sentido. “Mais de sete em cada 10 americanos dizem que, se houver uma conexão entre um evento climático extremo e a mudança do clima, eles querem ouvir sobre isso nas notícias”, citou Genevieve Gunther, da ONG End Climate Science, em artigo no Boston Globe. “Além disso, 75% dos [norte] americanos acham que é importante para a cobertura jornalística meteorológica explicar as conexões entre esses eventos extremos e as mudanças climáticas”.

Enquanto a imprensa silencia sobre a crise climática, os incêndios ganham proporção histórica no oeste dos EUA. Na Califórnia, o governador Gavin Newsom visitou algumas áreas afetadas pelas chamas e criticou duramente aqueles que insistem em questionar a realidade e a gravidade da crise climática – uma crítica direta a Trump, que culpa “problemas de gestão florestal local” como a principal causa dos incêndios. Já os estados do noroeste testemunham uma situação inédita, pois o clima tradicionalmente mais temperado costuma impedir o avanço das chamas do sudoeste. Cidades do Oregon e de Washington, como Portland e Seattle, estão sofrendo com a poluição causada pelos incêndios.

Para piorar, as autoridades locais têm dificuldades para conter a desinformação, com pessoas espalhando acusações infundadas sobre possíveis responsáveis pelos incêndios. Um grupo de extrema-direita, por exemplo, divulgou que ativistas antifascistas e do movimento Black Lives Matter estariam por trás do fogo no Oregon, atacando comunidades para expulsar seus moradores e facilitar o saque dos imóveis. Por essa razão, algumas pessoas estão se recusando a evacuar áreas ameaçadas pelas chamas para “proteger suas propriedades”.

Pelo menos 22 pessoas morreram até ontem (13/9) em decorrência do fogo na costa oeste dos EUA.

 

ClimaInfo, 14 de setembro 2020.

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