BR 319: ministério da infraestrutura anuncia obra que pode quadruplicar desmatamento da Amazônia

foto Amazonia.org

O ministério da infraestrutura anunciou hoje (16/12) a pavimentação de um trecho de 52 km da BR-319 (Manaus-Porto Velho). O ministro Tarcisio Freitas foi ao Twitter dizer que a obra é “fundamental para o transporte de pessoas e a integração social dos estados do Amazonas e Rondônia”. Mas, também no Twitter, o professor Raoni Rajão, da UFMG, publicou uma imagem de satélite mostrando claramente que os assentamentos humanos na região ficam ao longo dos rios e estão “completamente abandonados pelo Estado”. No tuíte, Rajão pergunta: “Que tal ajudar essa população ao invés dos grileiros?”

Longe de ser retórica, a pergunta tem base no conhecimento acumulado sobre o desmatamento impulsionado pela construção e pavimentação de rodovias na Amazônia.

Em uma nota técnica divulgada em novembro, “os pesquisadores da UFMG Britaldo Soares Filho, Juliana Leroy Davis e Raoni Rajão projetam que a pavimentação da via aumentará em quatro vezes o desmatamento na Amazônia no decorrer das próximas três décadas, impedindo, assim, que o Brasil alcance as metas de redução de emissões de carbono com as quais se comprometeu no Acordo de Paris”, segundo reportou à época o site da UFMG. 

A matéria destaca este trecho da nota técnica: “40 unidades de conservação, 6 milhões de hectares de terras públicas e 50 terras indígenas estariam ameaçadas pelo empreendimento, que abrirá as veias dessa maciça porção de floresta a grileiros”, e ressalta “o fato do projeto estar avançando sem nenhuma consulta às populações indígenas que vivem na região.” 

Os pesquisadores da UFMG recomendam “que a rodovia não seja pavimentada” e colocam com alternativa a modernização do transporte fluvial, considerando que “o Rio Madeira é a principal via de transporte para o escoamento da produção agropecuária” da região e que “Manaus já se encontra bem servida por transporte fluvial”.

 

ClimaInfo, 16 de dezembro 2020.

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