“Custos ocultos” da produção de alimentos chegam a US$ 10 trilhões anuais

FAO custo produção alimentos
UNDP Lebanon

Cerca de 20% desses custos estão relacionados ao ambiente, incluindo emissões de gases do efeito estufa, alteração do uso do solo e utilização da água.

A nova edição do relatório “O Estado da Alimentação e da Agricultura 2023”, da Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO), concluiu que os atuais sistemas agroalimentares impõem enormes “custos ocultos” à saúde da população, ao ambiente e à sociedade. Segundo a FAO, o custo equivale a pelo menos US$ 10 trilhões por ano – quase 10% do PIB global.

Cerca de 20% do valor total, cerca de US$ 2 trilhões anuais, estão relacionados ao meio ambiente, incluindo emissões de gases do efeito estufa, alteração do uso do solo e utilização da água. Segundo a entidade, é um problema que afeta todos os países e pode estar subestimado, pela limitação de dados, explica a Agência Brasil.

Quase 73% dos custos ocultos estão relacionados com dietas pouco saudáveis, ricas em alimentos ultraprocessados, gorduras e açúcares, o que leva à obesidade e a doenças crônicas. A situação, que afeta especialmente países de renda alta e média-alta, destaca o estudo, provoca ainda perdas de produtividade no trabalho.

Foi a primeira vez que a FAO calculou esse custo no relatório. O objetivo é ter dados detalhados sobre os “custos reais” dos alimentos para poder ajustar, se necessário, recursos fiscais, subsídios, leis ou regulamentos, explica a IstoÉ Dinheiro.

Apesar disso, a entidade reconhece deficiências nos dados coletados e que alguns impactos ficaram de fora do estudo, como a exposição a pesticidas, a degradação dos solos, a resistência aos antimicrobianos e a intoxicação alimentar. A FAO destaca ainda a dificuldade de avaliar alguns critérios, como o uso de agrotóxicos para aumentar a produtividade. O uso permite, por exemplo, reduzir a pobreza, mas ao mesmo tempo afeta o meio ambiente a longo prazo.

 

ClimaInfo, 13 de novembro de 2023.

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