Tragédia climática no RS: Guaíba pode chegar a 5,50 metros e bater novo recorde

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Gustavo Mansur/ Palácio Piratini

Em apenas 10 dias, o rio Guaíba superou por duas vezes a cota de 4,76 metros atingida na histórica enchente de 1941 na capital gaúcha.

Os temporais que castigam o Rio Grande do Sul há 15 dias devem dar alguma trégua a partir desta 3ª feira (14/5), mas as perdas de vidas e histórias com a catástrofe climática não param de crescer. Na manhã de ontem, a Defesa Civil contabilizava 147 mortos, 127 desaparecidos e 806 feridos. Havia ainda 79.540 desabrigados, 538.241 desalojados e 2.115.703 pessoas afetadas – 1 em cada 5 habitantes do estado.

Mesmo com o alívio nas tempestades, as fortes chuvas do fim de semana em regiões do estado voltaram a elevar o nível de rios e podem fazer o lago Guaíba, em Porto Alegre, bater novo recorde de cota máxima. O lago pode chegar aos 5,5 metros, em projeção do Instituto de Pesquisas Hidráulicas (IPH) da UFRGS, informa a Folha, em matéria reproduzida pelo ICL Notícias. Com isso, superaria o recorde batido semana passada, de 5,35 metros.

O motivo para isso é que o Guaíba recebe água dos rios Taquari, Caí, dos Sinos, Gravataí e Jacuí – e todos estavam subindo, informa o MetSul. O Taquari e o Caí já voltaram a transbordar, segundo o g1, alagando cidades já devastadas. A situação na região dos Vales é de alerta máximo para novas inundações severas.
Mesmo que não registre um novo recorde, o Guaíba já superou por duas vezes em apenas 10 dias a cota de 4,76 metros atingida na histórica enchente de 1941 na capital gaúcha, lembra o MetSul. Em 5 de maio, chegou aos 5,35 metros. Após recuar, voltou a subir e no começo da manhã de 2ª feira (13/5) atingiu 4,78 metros. E à tarde superou os 5 metros, segundo o UOL.

As pancadas de chuva devem voltar na 5ª feira (16/5), atingindo principalmente a capital, Porto Alegre, sua região metropolitana, a porção central e noroeste do estado, informa a Folha. O restante do RS pode registrar chuvas isoladas. O frio deve aumentar e as temperaturas mínimas devem ficar entre 2ºC e 9ºC, com previsão de geada na fronteira com o Uruguai.

Não bastasse as chuvas, o RS ainda foi atingido por 2 tornados no fim de semana, informam g1, CNN, Agência Brasil e Metrópoles. Ventos de até 140 km/h atingiram a cidade de Cambará do Sul, na Serra Gaúcha, danificando 57 casas. O outro tornado foi registrado em Gentil, no norte do estado, agravando os prejuízos em propriedades rurais já afetadas pelas tempestades.

E moradores de Caxias do Sul, Pinto Bandeira e Bento Gonçalves, na Serra Gaúcha, sentiram tremores ontem, relatam Exame e Metrópoles. A Rede Sismográfica Brasileira (RSBR), com dados do Observatório Sismológico da UnB e do Centro de Sismologia da USP confirmou o registro de quatro pequenos tremores de magnitudes 2,3 e 2,4 de terra nessas localidades.

Folha, g1, Agência Brasil, CNN e g1 também repercutiram a catástrofe climática no RS e seus desdobramentos.

Em tempo 1: Vale lembrar que em setembro do ano passado, quando o Rio Grande do Sul sofreu com tempestades que até então tinham sido as mais graves enfrentadas pelo estado, o Instituto Escolhas lançou um estudo chamando atenção para a necessidade de recuperação urgente de 1,16 milhão de hectares – área equivalente a 10 cidades do Rio de Janeiro – em áreas de preservação permanente e reserva legal em território gaúcho. Agora em que se começa a desenhar os planos de adaptação após a destruição, parece evidente que tal ação deve estar no pacote de medidas. “A vegetação nativa é uma infraestrutura natural para prevenir a repetição de tragédias como essa”, reiterou Sergio Leitão, diretor-executivo do Escolhas.

Em tempo 2: As fortes chuvas que afetam o Rio Grande do Sul também atingem uma parte do Uruguai e da Argentina. De acordo com dados das autoridades locais, há cerca de 4.000 e 500 evacuados nos dois países, respectivamente, em regiões afetadas pela cheia do Rio Uruguai, informa o R7. Segundo o último boletim do Sistema Nacional de Emergências (Sinae) do Uruguai, 9 das 19 províncias do país tiveram seus habitantes evacuados – dos quais 598 precisaram de resgate para sair. Além dos deslocados, há cerca de 3,2 mil pessoas sem energia elétrica por conta das enchentes. Já na Argentina, a maioria dos afetados mora em Concordia, província de Entre Ríos. Outra cidade em estado de alerta é Gualeguaychú, onde 15 pessoas já foram evacuadas, detalha o Último Segundo.

 

 

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ClimaInfo, 14 de maio de 2024.

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