RS começa semana com ciclone extratropical, temporais e aulas suspensas

Desastre no RS é o maior sinistro enfrentado por seguradoras no Brasil
Rafa Neddermeyer/Agência Brasil

Depois de lixo ter piorado o alagamento de Porto Alegre na semana passada, prefeitura pede à população para suspender o descarte de resíduos nas ruas.

A catástrofe climática no Rio Grande do Sul está prestes a completar 1 mês com poucos dias de alívio nas chuvas e inundações nesse período. E a semana começou com más notícias. O canal São Gonçalo, em Pelotas, no sul gaúcho, atingiu nível recorde, segundo o g1. E um ciclone extratropical no litoral deve provocar temporais em boa parte do estado nos próximos dias.

Para 2ª feira (27/5), a previsão era de chuva e vento fortes acompanhados de descargas elétricas nos sul, norte e metade leste do estado gaúcho. Nos sul, costa doce, vales, nordeste, região metropolitana de Porto Alegre e litoral, os acumulados de chuva variam entre 40 mm e 60 mm por dia, informam Correio Braziliense, Agência Brasil e Jornal do Comércio.

O CEMADEN emitiu um alerta de risco muito alto para inundações na capital e cidades banhadas pela Lagoa dos Patos, relata o g1. No domingo (26/5), o nível do Guaíba seguia acima dos 4 m.

Por conta da previsão, o governo do Rio Grande do Sul suspendeu as aulas na rede estadual pelo menos até esta 3ª feira (28/5) em Porto Alegre, Pelotas e Rio Grande. Segundo o Executivo estadual, quase 250.000 alunos ainda não voltaram às aulas – 33% de todos os estudantes. Para mais de 91.000 deles não há data de retorno prevista. 

O prefeito de Porto Alegre, Sebastião Melo, também suspendeu as aulas nas 2ª e 3ª feiras e pediu para que as pessoas fiquem em casa. Dessa vez, a pronta resposta à previsão meteorológica e a adoção de medidas foi bem diferente em relação à forte chuva que caiu na capital na última quinta-feira (23/5), quando Defesa Civil e prefeitura se manifestaram tarde demais, lembra a Matinal.

Outra mudança foi o pedido para a população suspender o descarte de resíduos nas ruas devido à previsão de chuva. A orientação era para descartarem os resíduos nas calçadas para serem recolhidos. Mas, na quinta passada, o lixo não recolhido ajudou a entupir bueiros e, após fortes chuvas, até mesmo bairros de Porto Alegre que até então não tinham sido atingidos foram inundados.

Enquanto isso, na zona Norte, uma das mais carentes da cidade, muitas pessoas resistem em casas e à beira da BR-290 alegando medo de saques. Moradores do Humaitá e de outros bairros da região, como o Sarandi, reclamam da demora de uma solução pelo poder público, destaca o Valor.

No domingo (26/5), subiu para 169 o número de mortos em decorrência da tragédia no RS, informa a Agência Brasil, com 56 vítimas ainda desaparecidas. Mais de 600 mil pessoas estavam desalojadas, em abrigos ou em casas de parentes e conhecidos.

Em tempo 1: O Ministério Público investiga a suspeita de desvio de doações a pessoas atingidas pela enchente em Eldorado do Sul, na Região Metropolitana de Porto Alegre, informa o g1. Três integrantes da Defesa Civil do município foram alvo da ação, que apura “fins eleitorais” na atuação do grupo. Segundo o MP, ao menos dois investigados seriam pré-candidatos nas eleições deste ano. Por causa do desvio, o MP negocia para que o Exército assuma a entrega dos donativos na cidade, relatam BBC e Poder 360.

Em tempo 2: Militares da 14ª Brigada de Infantaria Motorizada que divulgaram no domingo (26/5) a fake news de que um dique havia rompido em Canoas, também na Grande Porto Alegre, foram afastados de suas funções pelo alto comando da força armada, relatam g1 e CNN. Na noite de domingo, moradores do bairro Mathias Velho foram orientados por militares a evacuar imediatamente o bairro por conta do suposto rompimento do dique, o que inundaria a região – mas a estrutura não rompeu. A própria prefeitura de Canoas, segundo a GZH, desmentiu a informação em suas redes sociais.

 

ClimaInfo, 28 de maio de 2024.

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