Matriz elétrica brasileira se torna mais suja por causa do gás fóssil

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Divulgação TBG

Apesar do crescimento expressivo das fontes eólica e solar, aumento da implantação de termelétricas fez com que peso das renováveis caísse de 97% para 89%.

A participação de usinas eólicas e solares na matriz elétrica brasileira cresceu expressivamente nos últimos 20 anos. De praticamente zero em 2004, quando foi regulamentado o Programa de Incentivo às Fontes Alternativas de Energia Elétrica (Proinfa), hoje essas fontes representam quase 20% da capacidade elétrica do país. No entanto, também cresceu o peso da termeletricidade a gás fóssil, sujando a matriz elétrica nacional.

É o que mostra um estudo da Federação das Indústrias de Minas Gerais (FIEMG). A participação das fontes renováveis caiu de 97% para 89% na matriz elétrica nacional em 27 anos, entre 1995 e 2022. Tudo por conta da expansão da potência instalada das fontes não renováveis, principalmente das termelétricas a gás, informam Folha e Poder 360.

O percentual das fontes sujas, que inclui também o carvão mineral, na matriz elétrica começa a crescer nos anos 1990 e registra um pico a partir de 2010, chegando a passar de 20% do total. Em 2022, somavam 10,6%.

O encolhimento da energia renovável ocorreu apesar do avanço das fontes solar, biomassa e eólica. Elas ocuparam um espaço antes quase que exclusivamente ocupado pela geração hidráulica, que já chegou a 94,2% em 1995 e estava em 64% em 2022, segundo a análise da FIEMG.

As térmicas a gás podem gerar eletricidade de forma contínua, mas a um custo muito maior que as renováveis. Além disso, pelo fato do combustível fóssil ter seu preço atrelado a cotações internacionais, a volatilidade é uma marca dessa geração elétrica. Como são acionadas nos períodos de estiagem hídrica, isso encarece a conta de luz do consumidor.

E como o lobby pró-energia suja se mantém firme e forte, com apoio de deputados e senadores, a tendência de sujeira da matriz pode continuar. O que vai se refletir não apenas no aumento das emissões do setor elétrico brasileiro, mas também no preço pago pelo consumidor, mostra o relatório “Regressão energética: como a expansão do gás fóssil atrapalha a transição elétrica brasileira rumo à Justiça Climática”, lançado pela Coalizão Energia Limpa.

Em tempo: Um dos caminhos do Brasil para reduzir suas emissões passa pela eletrificação do transporte público. Entretanto, a troca dos ônibus convencionais por elétricos tem esbarrado em dificuldades como o alto custo dos veículos e a infraestrutura de operação. Com isso, mostra o Estadão, o país está ficando para trás também na América Latina. Segundo o E-BUS, plataforma que monitora o uso desses veículos na região, o Chile tinha 2.310 ônibus elétricos em dezembro de 2023, seguido por Colômbia (1.590) e México (654). O Brasil tinha apenas 444. Uma tentativa de acelerar esse processo está no Novo PAC Seleções, lançado em setembro, que prevê R$ 10,6 bilhões e condições especiais de financiamento para municípios e estados renovarem suas frotas de trens e ônibus – em especial, para comprar veículos elétricos.

 

ClimaInfo, 18 de junho de 2024.

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