“Não vamos mais voltar”: 3 a cada 10 moradores do RS pensam em mudar de casa em razão dos eventos climáticos

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Fabio Tito/g1

Chuva volta a assustar: em Guaíba, moradores das margens de lago foram orientados a procurar locais seguros, e em Bento Gonçalves houve chuva de granizo.

“A gente não pensou nem duas vezes, a gente se olhou mesmo e disse assim,: ó, não vamos mais voltar, não vamos mais voltar.”

O depoimento é da empresária Camila Portela. Ela mora em Venâncio Aires, cidade entre os vales dos rios Pardo e Taquari, a 133 km de Porto Alegre. O município foi duramente atingido pela catástrofe climática que atingiu o Rio Grande do Sul no mês passado. Camila se mudou do bairro União para a região central de Venâncio Aires, após a água atingir 1,70 metro na casa onde morava. A decisão foi imediata e considerou que a situação poderia se repetir.

A tragédia climática de maio fez 30% dos gaúchos pensarem em mudar de casa, segundo um estudo realizado no início de junho pela startup Loft, em parceria com a Offerwise. Entre os entrevistados, 80% revelaram que os eventos climáticos extremos afetaram a própria residência, detalha o g1.

Foi o caso da aposentada Eloir Loreto, de 79 anos. Moradora do Sarandi, um dos bairros de Porto Alegre mais afetados pela inundação que tomou conta da capital gaúcha: ela abandonou sua casa e foi morar com um filho.

“Era uma cachoeira pra dentro. Eu achava que não ia encher de água. Nada deu para guardar, para tirar”, lembrou Eloir. A água atingiu 1,77 m. Todos os móveis ficaram inutilizados. No futuro, a família tem planos de vender a residência.

Mesmo que o pior da catástrofe climática aparentemente tenha passado, o retorno quase semanal das chuvas mantém elevada a preocupação dos gaúchos. Na madrugada de 2ª feira (24/6), a Defesa Civil de Guaíba, a 32 km de Porto Alegre, divulgou um alerta pedindo para que as pessoas em áreas de alagamento procurassem locais seguros ou o abrigo no ginásio do Coelhão, informam Folha, g1 e Brasil 247. Isso porque o nível do lago Guaíba chegou a 3,41 m – a cota de alerta é de 3,15 m, e a de inundação, 3,60 m.

Em Bento Gonçalves, na serra gaúcha, um temporal com granizo e vento forte assustou moradores na noite de domingo (23/6). A prefeitura da cidade pediu que fossem evitados deslocamentos para as áreas de encostas ou com declives, consideradas de risco. Outras cidades gaúchas também registraram granizo, segundo o g1, com algumas pedras de gelo do tamanho de ovos de galinha.

O fim de semana não trouxe apenas apreensão, mas também solidariedade. Cerca de 1.500 pessoas, entre militares e voluntários, reuniram-se para ajudar a limpeza de mais de 100 casas atingidas pelas enchentes nos bairros Humaitá e Vila Farrapos, em Porto Alegre, destaca o g1.

Mas nem tudo está correndo bem na limpeza da capital gaúcha. Um dia após assumir o transporte de resíduos e entulhos da enchente de Porto Alegre para um aterro em Gravataí, na região metropolitana, a empresa Master Construções e Serviços Ambientais desistiu do serviço, de acordo com o Sul21. A empresa alegou “dificuldades com maquinário e mão de obra”.

 

ClimaInfo, 25 de junho de 2024.

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