
Daqui a cerca de 10 meses, a bola começará a rodar nos campos da América do Norte para a Copa do Mundo de Futebol de 2026. Enquanto as seleções que participarão do torneio ainda não estão totalmente definidas, uma coisa já é certa: quem estiver em campo sofrerá com o forte calor do próximo verão do Hemisfério Norte. Pior: se as mudanças climáticas continuarem nesse ritmo, o torneio do próximo ano poderá ser o último a acontecer na temporada quente.
O relatório Pitches in Peril, elaborado pela Football for Future e Common Goal e divulgado nesta 3a feira (9/9), fez um quadro sobre o clima potencial nos 16 estádios que receberão jogos da Copa do Mundo de 2026 nos EUA, Canadá e México. Desse total, 10 correm risco muito alto de sofrer com condições extremas de estresse por calor.
Segundo a análise, 14 dos estádios que serão utilizados na Copa excederam os limites de segurança em 2025 para pelo menos três grandes riscos climáticos – calor extremo, chuvas intensas e inundações – e 13 já registram, em pelo menos um dia a cada verão, a temperatura máxima permitida pela FIFA para intervalos de hidratação (32oC).
Para as próximas edições do torneio, o quadro pode ser ainda pior. A Copa de 2030 acontecerá na Espanha, em Portugal e Marrocos, países que vêm sofrendo de forma contínua com o calor extremo nos últimos verões. Além do calor, a seca também se tornou um problema crônico que pode contribuir para jogos mais difíceis para os atletas e para o público. Já a Copa de 2034 acontecerá em um dos lugares mais quentes e secos do planeta – a Arábia Saudita.
“Como espanhol, não posso ignorar a realidade da crise climática. Estamos vendo isso com mais clareza do que nunca, desde ondas de calor recordes até inundações como as de Valência. O futebol sempre uniu as pessoas, mas agora também é um lembrete do que podemos perder se não agirmos”, afirmou o meia Juan Mata, campeão mundial com a Espanha em 2010.
“À medida que avançamos na década, os riscos continuarão crescendo, a menos que tomemos medidas drásticas, como transferir as competições para os meses de inverno ou regiões mais frias”, disse Piers Forster, diretor do Priestley Centre for Climate Futures em Leeds, citado pelo Guardian.
O relatório defende que a indústria do futebol se comprometa com a neutralidade líquida das emissões de carbono até 2040 e se mobilize em torno da adaptação dos campos, especialmente nos países mais pobres e vulneráveis.
A análise teve grande repercussão na imprensa, com matérias na CNN Brasil, Exame, Gizmodo Brasil, GloboEsporte e InfoMoney, além de destaques em Forbes, NY Times e Reuters.
Em tempo: Além dos jogadores de futebol, outros atletas também sofrem com o calor extremo. A BBC relatou a expectativa do presidente da World Athletics, Sebastian Coe, de forte calor na disputa do campeonato mundial de atletismo, que começa no próximo sábado (13) no Japão. O país asiático vive o verão mais quente de sua história, com temperaturas 2,36oC acima da média. O ex-atleta britânico, que agora dirige a principal associação de atletismo do mundo, reclamou da omissão dos líderes políticos internacionais com a crise climática. “Os governos não assumiram a responsabilidade e o esporte terá que tomar algumas decisões e julgamentos unilaterais aqui”, disse.



