Megavazamentos de metano continuam impactando o clima, mesmo sendo de simples solução

Consertar um vazamento de metano pode ser simples e equivalente a fechar uma usina a carvão, tornando a inação irritante, dizem analistas.
22 de março de 2026
vazamento de metano
Montagem ClimaInfo sobre gráficos Carbon Mapper

Uma análise inédita com base em dados de satélite revelou os maiores vazamentos de metano do mundo em 2025. Estancar esses escapes é essencial para conter as emissões de gases de efeito estufa e, com isso, reverter as mudanças climáticas. O metano, embora dure menos tempo na atmosfera, tem um poder de efeito estufa cerca de 80 vezes maior do que o do dióxido de carbono. Além disso, segundo os pesquisadores, cada um desses megavazamentos tem um impacto climático equivalente ao de uma usina a carvão em operação.

Os megavazamentos ocorrem em todo o mundo, mas a lista dos 25 maiores, elaborada pelo Stop Methane Project da Universidade da Califórnia, Los Angeles (UCLA), é dominada por instalações no Turcomenistão, com 15 deles. A escala dos vazamentos de metano nesse país já foi descrita como “estarrecedora”, frisa o Guardian.

No total, foram identificadas cerca de 4.400 plumas de metano no último ano, cada uma emitindo mais de 100 quilos por hora. De acordo com o Um só planeta, o dado mais preocupante é que boa parte dessas emissões está associada a falhas operacionais simples, como manutenção inapropriada em instalações de petróleo e gás.

Os pesquisadores disseram ser “irritante” que uma ação tão simples para combater a crise climática não estivesse sendo tomada e afirmaram que as pessoas deveriam estar indignadas. Estancar os vazamentos pode até ser gratuito, visto que o gás capturado pode ser vendido – o metano alimenta termelétricas e também é usado na produção de fertilizantes.

Também foram observadas plumas superpoluentes nos Estados Unidos, sendo a maior delas detectada em 2025 no Texas, com um vazamento de 5,5 toneladas de metano por hora – o equivalente ao consumo de combustível de cerca de um milhão de SUVs. A Venezuela (cinco) e o Irã (três) também apresentaram múltiplos megavazamentos em instalações estatais.

O Stop Methane Project também analisou plumas superpoluentes de aterros sanitários, nos quais a decomposição de resíduos orgânicos pode liberar enormes volumes de metano quando não gerenciados adequadamente. Os piores locais estavam espalhados pelo mundo, da Turquia à Argélia e da Malásia aos EUA.

O metano responde por cerca de 25% do aquecimento global, segundo estimativas científicas, e suas emissões têm aumentado gradativamente desde 2007. Por outro lado, há consenso de que reduzir as emissões desse gás é uma das estratégias mais eficazes no curto prazo. Como permanece menos tempo na atmosfera do que o CO2, cortes rápidos nas emissões de metano podem gerar impactos climáticos mais imediatos.

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