Deputado que tenta flexibilizar multas ambientais recebeu doações de fazendeiro punido pelo IBAMA

Desde 2018, Sérgio Botelho Teixeira doou R$ 250 mil para campanhas eleitorais de Lúcio Mosquini, autor da proposta.
25 de março de 2026
deputado
Reprodução Instagram Lucio Mosquini via BBC Brasil

Uma investigação da BBC News Brasil mostra que o autor do projeto de lei que altera as regras de fiscalização ambiental do IBAMA, o deputado federal Lúcio Mosquini (MDB-RO), teve como seu maior doador individual de campanha, em 2022, um empresário e fazendeiro que foi multado pelo órgão por infração ambiental. Na semana passada, a Câmara dos Deputados aprovou a urgência do PL, que permite sua análise diretamente no plenário, sem passar por comissões temáticas.

Sérgio Botelho Teixeira é sócio-diretor de uma empresa de laticínios responsável pela marca Italac. Desde 2018, Teixeira doou R$ 250 mil para campanhas de Mosquini, dos quais R$ 150 mil apenas na eleição de 2022, quando o deputado se reelegeu pela segunda vez. Foi a única doação do empresário na eleição.

O IBAMA multou uma fazenda no Tocantins – da qual Teixeira é um dos donos – em R$ 5,5 milhões, em dezembro de 2025. Segundo o órgão, os donos da fazenda impediram a regeneração da vegetação natural da reserva legal da propriedade ao plantar pasto no local, informam Folha e Terra.

Questionado, Mosquini disse que seu projeto tem como objetivo defender produtores rurais – categoria da qual ele faz parte – e não tinha conhecimento da multa aplicada à fazenda de Teixeira. “Com relação ao Sérgio, eu não sabia (da multa), mas defendo mesmo. Pode ser ele ou qualquer um que seja injustiçado sem o direito de defesa”, afirmou.

O deputado também disse que, apesar da proximidade com o empresário, nunca debateu projetos de lei com ele. Já a defesa de Teixeira alega que a multa decorreu de engano nos registros cadastrais da fazenda e que o assunto está sendo analisado pela Justiça Federal.

O PL apresentado por Mosquini proíbe a aplicação de embargos por órgãos de fiscalização ambiental com base, exclusivamente, em dados de satélite, o chamado “embargo remoto”. O método de fiscalização aumenta a capacidade de ação em áreas remotas, onde atuam redes organizadas e não há viabilidade logística para a remoção de maquinário, e foi uma das principais ferramentas que contribuíram para a redução do desmatamento nos últimos anos.

“Caso o projeto seja aprovado, ele poderá afetar cerca de dois terços das autuações realizadas anualmente pelo IBAMA, comprometendo a efetividade da fiscalização ambiental”, ressaltou o diretor de Proteção Ambiental do Ibama, Jair Schmitt.

Na semana passada, o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), disse que ainda não há previsão de colocar o projeto em votação.

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