Desmatamento na Amazônia tem menor índice para fevereiro em 8 anos

Degradação também segue em queda na Amazônia; apesar da redução, números ainda seguem preocupantes.
29 de março de 2026
stf desmatamento amazônia
Agência Pará

Um novo levantamento do Sistema de Alerta de Desmatamento (SAD) do Imazon mostrou que a Amazônia registrou a menor área de floresta derrubada em fevereiro desde 2017. O desmatamento passou de 119 km² em 2025 para 69 km² em 2026 – uma diferença equivalente a 5 mil campos de futebol no mês, quase 180 por dia.

Fevereiro é o sétimo mês do “calendário de desmatamento” de 2026, que segue o regime de chuva da Amazônia de agosto de um ano a julho do ano seguinte, explica o Um Só Planeta. Desde o início do calendário atual, a derrubada foi 41% menor que no período anterior.

Entre os destaques de maior área desmatada de agosto de 2025 a fevereiro de 2026 estão os estados de Pará, Amazonas e Acre. O Pará, que está no topo do ranking, teve acumulado de 54% menor do que o período anterior, com 863 km² desmatados. Amazonas e Acre tiveram 200 km² e 190 km² desmatados, com redução de 32% na derrubada.

Segundo a pesquisadora do Imazon, Larissa Amorim, o aumento no Acre pode ser explicado pelo avanço da fronteira agropecuária e pressão sobre Terras Públicas ainda florestadas na região oeste da Amazônia, conhecida como AMACRO (Acre, Amazonas e Rondônia).

Anteriormente, o 3º lugar era de Mato Grosso, mas a queda para a 4ª posição não foi pela redução do desmatamento, mas sim pela ampliação do desmatamento na AMACRO, detalha a CNN Brasil.

Roraima foi o único estado da Amazônia Legal a apresentar aumento tanto no desmatamento quanto da degradação –  o dano causado pelas queimadas e pela exploração madeireira. “Isso pode ter ocorrido porque Roraima tem um regime de chuvas diferente. Embora o início do ano seja chuvoso no restante dos estados, em Roraima é seco, o que contribui para o avanço do desmatamento”, explica a pesquisadora do Imazon, Raissa Ferreira.

Em geral, a degradação também teve queda em fevereiro. Foram 13 km² de florestas degradadas, uma redução de 93% em relação ao mesmo mês do ano passado.

Mato Grosso e Pará lideram esse ranking com grande diferença em relação aos demais estados, contam Pará Terra Boa e Gigante 163. Ambos correspondem a 85% de toda área afetada no período. Acre ficou na 3ª posição, com aumento de 50% na degradação. Em Roraima, o valor subiu de 50 km² para 55 km². Demais estados apresentaram redução nessa categoria.

  • Em tempo 1: O Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP) abriu uma investigação para apurar pagamentos de R$ 2,7 milhões por empresas e entidades do agronegócio e do setor madeireiro ao  Ministério Público (MP) de Mato Grosso de 2024 a 2025. Segundo a denúncia, as doadoras disputam processos judiciais com o MP em pelo menos oito casos e seis inquéritos civis, o que configura conflito de interesse. Projetos chegaram a receber doações de empresas como Amaggi, do ex-governador Blairo Maggi, e da Bom Futuro, que pertenceu ao seu primo Eraí Maggi. A maior doadora foi a Aprosoja-MT (Associação de Produtores Rurais de Soja e Milho de Mato Grosso), que forneceu R$ 630 mil. A Folha detalha o caso.

  • Em tempo 2: Com a saída de Sonia Guajajara do Ministério dos Povos Indígenas, o presidente Lula confirmou a indicação do advogado sul-mato-grossense Eloy Terena como novo ministro. A mudança deve ser oficializada no Diário Oficial da União (DOU) nesta 3ª feira (31/3). Eloy é indígena da aldeia Ipegue e tem longa trajetória na defesa dos Direitos dos Povos Originários. Ele ocupa o cargo de secretário-executivo da pasta desde 2023, lembra o Campo Grande News. Sonia deixa a função para disputar a reeleição como deputada federal.

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