FMI alerta que petróleo e alimentos vão frear crescimento econômico global

Análise deveria servir de alerta aos EUA sobre as consequências duradouras da guerra no Oriente Médio para todos os países de todos os continentes.
31 de março de 2026
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A guerra imposta por EUA e Israel ao Irã impacta desigualmente os países, mas “todos os caminhos levam a preços mais altos e crescimento mais lento em todo o mundo”, alerta o Fundo Monetário Internacional (FMI). A entidade afirma que o aumento nos custos da energia e dos alimentos prejudicará o crescimento econômico deste ano e poderá deixar cicatrizes duradouras na economia global. Mais uma prova de que não há qualquer segurança, seja energética ou política, nos combustíveis fósseis.

A análise do FMI frisa que países de todos os continentes serão afetados caso o conflito no Oriente Médio continue a restringir o fluxo de petróleo, gás fóssil e fertilizantes provenientes do Golfo Pérsico. O alerta foi divulgado poucas horas depois que o presidente dos EUA, Donald Trump, ameaçou destruir a infraestrutura energética do Irã caso o país não concordasse com um acordo de paz. Por isso, segundo o Guardian, a mensagem provavelmente será vista como um alerta à Casa Branca sobre as consequências duradouras da guerra para famílias em dificuldades – como se isso importasse para o “agente laranja”.

Países da Ásia e da Europa que são grandes importadores de petróleo e gás estão sofrendo o impacto do aumento dos preços dos combustíveis e dos custos de produção. Na Europa, informam Independent e Telegraph, o Reino Unido e a Itália são particularmente afetados por dependerem de eletricidade a gás, enquanto a França e a Espanha estão mais protegidas pelo maior uso de energia nuclear e de fontes renováveis, relata o FMI. Além disso, as empresas europeias têm hoje menor capacidade para mitigar os impactos financeiros do conflito no Oriente Médio do que na invasão da Ucrânia pela Rússia, em 2022, com o Reino Unido exposto a taxas de juros mais altas, destaca o The Times.

Embora alguns países exportadores líquidos de petróleo e gás, como os EUA, ganhem com a alta dos combustíveis fósseis, o aumento nas contas de gasolina, diesel e alimentos prejudicará o padrão de vida, diz a análise. Prevê-se também que as empresas sofrerão pressão para aumentar os preços, o que poderá forçar os bancos centrais a elevar as taxas de juros para combater a inflação.

O FMI também destaca as crescentes preocupações com o aumento dos preços dos alimentos devido à interrupção dos embarques de fertilizantes do Oriente Médio. “A interrupção do fornecimento de nutrientes para as plantações ocorre justamente quando começa a época de plantio no Hemisfério Norte, ameaçando as safras e as colheitas ao longo do ano e elevando os preços dos alimentos.” E os países mais vulneráveis ​​”suportarão o fardo mais pesado”, com as pessoas em países de baixa renda gastando uma proporção maior de seus rendimentos em alimentos.

A guerra de Trump contra o Irã e sua pressão para aumentar a exploração de petróleo e gás demonstram a “perigosa volatilidade” da era dos combustíveis fósseis. Críticos afirmam que o presidente está se apegando a sistemas energéticos do século 20, mesmo que sua “aposta” em petróleo e gás “não esteja indo tão bem”, reforça o Guardian.

Mas o “agente laranja” não só mantém sua visão tosca como dobra a aposta na energia suja, cara e instável dos combustíveis fósseis. Segundo a Reuters, um comitê de altos funcionários do governo Trump votou na 3ª feira (31/3) pela isenção da aplicação de regras de proteção a espécies ameaçadas de extinção à indústria de petróleo e gás do Golfo do México. A decisão – a primeira do tipo em mais de três décadas – é o esforço mais recente de Trump para desmantelar leis ambientais.

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