Petróleo fecha com sinais trocados após ameaça de destruição do Irã feita por Trump

Brent cai e WTI sobe com contínuas incertezas sobre a guerra e a ameaça do “agente laranja” de que “uma civilização inteira morrerá”.
7 de abril de 2026
Trump presidência EUA enfraquecimento de negociações climáticas internacionais
Navy Petty Officer 1st Class Dominique A. Pineiro

Os contratos futuros do petróleo fecharam em direções opostas na 3ª feira (7/4), após uma sessão volátil, de baixa liquidez, com a escalada das tensões na guerra de Estados Unidos e Israel contra o Irã. Terminava na noite de ontem (21h, horário de Brasília) o prazo dado pelo presidente dos EUA, Donald Trump, para a abertura do Estreito de Ormuz. O “agente laranja” havia dito mais cedo que “uma civilização inteira morrerá esta noite” se o Irã não cedesse. Mas o país do Oriente Médio não só negou qualquer acordo, como também ameaçou retaliar qualquer ataque.

Pouco tempo antes do prazo final, Trump recuou mais uma vez e concordou com um cessar-fogo de duas semanas, mas o condicionou à abertura de Ormuz. Minutos depois, o Irã anunciou que concordava com a proposta.

Referência mundial, o petróleo tipo Brent com vencimento em junho fechou a sessão de ontem cotado a US$ 109,27 o barril, uma queda de 0,45% na Intercontinental Exchange (ICE). Já o WTI (referência estadunidense) com entrega para maio subiu 0,48%, cotado a US$ 112,95 o barril, na New York Mercantile Exchange (NYMEX), detalha o Valor.

A terça-feira começou com forte pressão sobre os preços do combustível fóssil, informam Metrópoles e Vero Notícias. Às 10h45 (horário de Brasília), o Brent avançava 0,84%, a US$ 110,69 o barril, enquanto o WTI disparou 3,3%, chegando a US$ 116,12. Os valores, porém, recuaram ao longo do dia.

Poucas horas antes da declaração genocida de Trump, o Irã analisava favoravelmente um pedido do Paquistão de um cessar-fogo de duas semanas, a fim de dar mais tempo à diplomacia, disse à Reuters um alto funcionário iraniano. A Casa Branca afirmou que o “agente laranja” estava ciente da proposta e que responderia. Deu no que deu.

A ameaça de Trump para que o Irã encerrasse o bloqueio em Ormuz ou veria os EUA destruírem todas as pontes e usinas de energia – algo sem precedentes até mesmo para um presidente do país mais belicista do planeta – gerou ampla condenação. As críticas vieram tanto do secretário-geral da ONU, António Guterres, como do Papa Leão XIV.

Com o tempo se esgotando, os ataques ao Irã se intensificaram, atingindo pontes ferroviárias e rodoviárias, um aeroporto e uma planta petroquímica. As forças dos EUA atacaram alvos na Ilha de Kharg, onde fica o principal terminal de exportação de petróleo do país.

O Irã respondeu, declarando que não hesitaria mais em atacar a infraestrutura de seus vizinhos do Golfo Pérsico e afirmou ter realizado novos ataques contra um navio no Golfo e contra um enorme complexo petroquímico saudita. Explosões foram ouvidas em Doha, capital do Catar.

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