
O Brasil fechou 2025 com um aumento de 3,8% ante 2024 em suas reservas provadas – aquelas com 90% ou mais de probabilidade de serem produzidas nas condições econômicas e tecnológicas atuais. Segundo dados da Agência Nacional do Petróleo, Gás e Biocombustíveis (ANP), as reservas provadas do combustível fóssil totalizaram 17,5 bilhões de barris em 31 de dezembro do ano passado, informam UOL, Brasil 247, CNN Brasil e Monitor Mercantil.
Somando-se as reservas provadas e prováveis – com 50% de chance de serem extraídas -, o país totalizou 24,3 bilhões de barris em 2025. Volume que sobe para 28,9 bilhões de barris agregando-se as reservas possíveis – 10% de probabilidade de produção, sob os padrões econômicos e tecnológicos atuais.
Os números das reservas provam que o país não precisa explorar combustíveis fósseis na Foz do Amazonas e em outras bacias da Margem Equatorial, no litoral norte. Considerando o que o Brasil produziu de petróleo no ano passado – 3,8 milhões de barris por dia (bpd), em média -, as reservas provadas garantem quase 13 anos de produção, até 2038/2039. Com as reservas prováveis, há petróleo até 2043. E até 2045, com as reservas possíveis.
Se a conta for feita com base no consumo nacional, o prazo temporal é ainda maior. Afinal, apesar de ainda importar derivados de petróleo por limitações no refino, o Brasil é exportador líquido do combustível fóssil, produzindo mais do que o dobro do que consome. Ou seja, o país poderia até mesmo estocar reservas estratégicas para garantir seu mercado em casos de restrições à oferta – como ocorre atualmente devido aos ataques de EUA e Israel contra o Irã.
Se as contas incluírem a projeção da Agência Internacional de Energia (IEA) de que a demanda por petróleo atingirá seu pico em 2030 e entrará em declínio, é bem provável que o Brasil tenha de deixar o petróleo já descoberto no chão. Que, aliás, era o que o mundo deveria estar fazendo para reverter as mudanças climáticas, causadas principalmente pela queima de combustíveis fósseis.
Em tempo: A exploração de petróleo no mar do Sudeste continua rendendo mais reservas, apesar da falácia dos defensores da exploração de combustíveis fósseis na Foz do Amazonas de que há risco do país voltar a importar petróleo em meados da próxima década. A Petrobras fez uma nova descoberta na Bacia de Campos, informa a Folha. A empresa identificou a presença de hidrocarbonetos em um poço exploratório perfurado no bloco C-M-477. O poço está localizado a 201 km da costa do estado do Rio de Janeiro, em profundidade d’água de 2.984 metros. A Petrobras é operadora do bloco C-M-477, com participação de 70%, em parceria com a BP, que detém os demais 30%.



