Corrente oceânica que regula clima global poderá enfraquecer mais do que o previsto

Vital para o movimento das águas oceânicas, o sistema tem um impacto fundamental na distribuição do calor no planeta.
16 de abril de 2026
corrente oceânica clima global
Chris Munnik / Pexels

A corrente oceânica AMOC (sigla em Inglês para Circulação de Revolvimento Meridional do Atlântico) está enfraquecendo mais do que o previsto, prevê  um novo estudo publicado na revista Science Advances. Vital para o movimento das águas oceânicas, o sistema tem um impacto crucial na distribuição do calor no planeta. Portanto, uma mudança drástica na corrente pode provocar grandes alterações no clima.

Cientistas já sabiam que a AMOC está em seu ponto mais fraco em 1.600 anos por conta da crise climática. Mas a média das previsões dos modelos usados pelo IPCC – o painel científico da ONU sobre mudanças climáticas – é de uma desaceleração de 32% do sistema até 2100, em um cenário de emissões intermediárias, informa o g1.

Contudo, o estudo da Universidade de Bordeaux chegou a uma estimativa de 51% de desaceleração, com margem de erro de 8 pontos percentuais. A diferença está na metodologia: uma das questões é a representação da salinidade da superfície do Atlântico Sul como mais baixa do que de fato é, o que faz a circulação parecer mais estável. Ao corrigir esse ponto e adotar novas metodologias em modelos climáticos, o enfraquecimento projetado aumentou, explica o Daily Mail.

A situação já é grave e pode piorar. Isso porque os modelos usados na pesquisa não incorporaram o derretimento da calota de gelo da Groenlândia, que está injetando água doce no oceano e pode acelerar ainda mais o processo. Os autores reconhecem essa limitação e apontam que estudos futuros devem considerá-la.

O colapso da AMOC alteraria a faixa de chuvas tropicais, mergulharia a Europa Ocidental em invernos extremamente frios e verões mais secos e aumentaria o nível do mar de 50 a 100 cm no Atlântico.

Stefan Rahmstorf, professor do Instituto Potsdam para Pesquisa do Impacto Climático (PIK), estuda a AMOC há 35 anos e afirmou ao Guardian que um colapso deve ser evitado “a todo custo”. “Eu defendia isso quando pensávamos que a probabilidade de um colapso da AMOC era de talvez 5% e, mesmo assim, dizíamos que esse risco era muito alto, dados os impactos massivos. Agora parece ser superior a 50%. As mudanças climáticas mais dramáticas e drásticas que vimos nos últimos 100.000 anos da história da Terra ocorreram quando a AMOC mudou de estado”, reforçou.

Outro estudo, publicado na Communications Earth & Environment, aponta que o colapso da corrente levaria o Oceano Atlântico a liberar dióxido de carbono. A liberação de CO2 acrescentaria 0,2°Cà temperatura média do planeta, informam IFLScience, Olhar Digital e O Cafezinho. As consequências seriam catastróficas, em especial, para a Europa, África e Américas.

“O oceano tem sido nosso maior aliado, absorvendo um quarto das emissões de CO₂ da economia humana. Um colapso da AMOC poderia transformar o Oceano Austral de um sumidouro em uma fonte de carbono, liberando vastas quantidades de dióxido de carbono e alimentando o aquecimento global. Quanto mais CO₂ houver em nossa atmosfera no estágio do desligamento, maior a probabilidade de aquecimento adicional. Simplificando, o aumento das emissões hoje aumenta o risco de uma resposta climática mais forte no futuro”, disse o coautor do estudo, Johan Rockström.

Continue lendo

Assine Nossa Newsletter

Fique por dentro dos muitos assuntos relacionados às mudanças climáticas

Em foco

Aprenda mais sobre

Justiça climática

Nesta sessão, você saberá mais sobre racismo ambiental, justiça climática e as correlações entre gênero e clima. Compreenderá também como esses temas são transversais a tudo o que é relacionado às mudanças climáticas.
2 Aulas — 1h Total
Iniciar