BP enfrenta revolta de acionistas por transparência climática em assembleia anual

Resolução da petrolífera contrária à obrigação da divulgação de informações climáticas recebe menos apoio do que o necessário para entrar em vigor.
23 de abril de 2026
acionistas bp investimentos petróleo e gás 
Mike Mozart BP Gasoline/Flickr

A petrolífera britânica BP – que reduziu investimentos em fontes renováveis e ampliou recursos para combustíveis fósseis – enfrentou uma “rebelião” de acionistas em sua assembleia geral anual, realizada na 5ª feira (23/4). Investidores rejeitaram uma resolução da administração que diminuía a transparência das informações climáticas da empresa. E o presidente do conselho de administração, Albert Manifold, recebeu um número significativo de votos de protesto.

Além do fim de duas exigências específicas de divulgação climática, o comando da BP propôs aos acionistas a realização de assembleias exclusivamente online. Cada resolução precisava de 75% dos votos para ser aprovada, segundo CNBC e Times Brasil. No entanto, ambas receberam menos de 50% de apoio e, portanto, não vingaram.

Ainda, 82% dos acionistas votaram pela eleição de Manifold para comandar o conselho da companhia. Embora precisasse de 50% mais um voto para se manter no posto, a votação é uma clara rejeição, segundo a Bloomberg, já que diretores normalmente recebem aprovações próximas a 100%.

Antes da assembleia, o conselho da BP bloqueou uma proposta do Follow Thisgrupo ativista de acionistas que lidera votações em assembleias de grandes petrolíferas exigindo metas de emissão mais rígidas. O texto exigia que a petrolífera apresentasse planos para gerar valor aos acionistas em cenários futuros de queda na demanda por petróleo e gás.

O fundador do Follow This, Mark van Baal, classificou o resultado das votações como “extremamente constrangedor” para a BP. Nick Mazan, líder de estratégia para petróleo e gás do grupo climático ACCR, afirmou que o resultado foi “sem precedentes e mostra que os investidores estão cansados da falta de disciplina de capital da BP e de sua postura em relação aos direitos dos acionistas.”

“Essa demonstração coletiva de força coloca a nova liderança da BP sob pressão: a empresa precisa provar que o aumento planejado nos investimentos em exploração e produção [de petróleo e gás] pode gerar valor aos acionistas”, acrescentou Mazan.

Reuters, Net Zero Investor e The Independent também repercutiram a rebelião de acionistas na assembleia anual da BP.

  • Em tempo: Parlamentares republicanos estão tentando proteger petrolíferas da obrigação de arcar com suas contribuições para a crise climática nos EUA, destaca o Guardian. Novos projetos de lei na Câmara e no Senado, liderados por Harriet Hageman, deputada do Wyoming, e Ted Cruz , senador do Texas, concederiam às empresas de petróleo e gás ampla imunidade legal contra políticas e processos judiciais que visam responsabilizar o setor pelos danos causados ​​por suas emissões. Nos últimos anos, mais de 70 governos estaduais e locais dos EUA processaram petrolíferas por enganarem o público sobre os perigos de seus produtos. Enquanto isso, Nova York e Vermont também aprovaram leis de “superfundo” climático que exigem que os principais poluidores paguem pelos danos causados ​​por emissões passadas, e outros estados estão considerando políticas semelhantes.

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