
Um relatório elaborado em conjunto pela Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) e pela Organização Meteorológica Mundial (OMM) apontou como o calor extremo está levando os sistemas agroalimentares globais à beira do colapso.
Especialistas afirmam que temperaturas elevadas atuam como multiplicadores de riscos. Agricultores de regiões já quentes, como Índia, sul da Ásia, África subsaariana tropical, América Central e do Sul, sentem dificuldade em trabalhar com segurança em mais de dois terços do ano, informa o Guardian.
A produtividade começa a reduzir após os 30°C para a maioria das culturas agrícolas, com danos que incluem o enfraquecimento das paredes celulares e a produção de toxinas, informa o Channel África. As produções de milho e trigo chegam a diminuir cerca de 10% em algumas áreas.
O calor também aumenta a taxa de mortalidade de animais. Para o gado, o estresse térmico começa a partir de 25°C. Porcos e galinhas são incapazes de transpirar e podem enfrentar problemas digestivos, falência de órgãos e choque cardiovascular. O calor extremo também reduz a produção de leite e seu teor de gordura e proteína. Já no mar, as ondas de calor diminuem o nível de oxigênio dissolvido na água, causando declínio massivo nas populações de peixes, destacam Straits Times e Folha.
Segundo Richard Waite, diretor de iniciativas agrícolas do WRI, adaptações simples podem ser feitas para auxiliar os agricultores expostos às condições extremas. Fornecer ferramentas e conhecimento antecipado, como previsões meteorológicas, pode ajudá-los a se proteger contra eventos climáticos extremos, explica.
Mas a adaptação tem limites. Para Molly Anderson, professora de estudos alimentares no Middlebury College, em Vermont, nos Estados Unidos, a única resposta duradoura é “combater os combustíveis fósseis, acelerar a transição para energias renováveis e investir maciçamente em adaptação”.
Em tempo: Um estudo do Instituto Internacional para a Democracia e Assistência Eleitoral avaliou como os desastres naturais afetam as eleições. A pesquisa mostra que desastres ligados à crise climática interromperam 23 eleições em 18 países em 2024. Nas últimas duas décadas, foram 94 eleições e referendos em 52 países. À medida que os riscos se intensificam, a pressão sobre sistemas democráticos já frágeis - particularmente na África e na Ásia - deverá aumentar.A coautora do relatório, Sarah Birch, professora de ciência política no King's College London, afirmou que as eleições devem ser programadas para evitar ameaças climáticas previsíveis, informa o Guardian. "Em alguns casos, os órgãos de gestão eleitoral também precisarão considerar alterações nos cronogramas eleitorais para reduzir a probabilidade de interrupções causadas por desastres de curta duração", afirmou.



