Poluição do ar aumenta risco de câncer e ameaça avanço contra a doença

O ar poluído atua como um fator de risco "multicâncer", enquanto aspectos sociais marcam desigualdade na exposição a riscos.
29 de abril de 2026
câncer
uicc.org

A exposição prolongada à poluição do ar aumenta em 11% o risco de desenvolver câncer e em 12% de morrer da doença. É o que mostra um novo relatório da Union for International Cancer Control (UICC), a maior e mais antiga organização dedicada ao combate à doença.

O estudo registrou aumento de incidência de 32% do câncer de fígado e 18% do tipo colorretal por causa da poluição atmosférica. A mortalidade por câncer de mama sobe 20%; câncer de fígado, 14%; e câncer de pulmão, 13%, detalha a Folha.

Os dados reforçam que a poluição atmosférica atua como um fator de risco “multicâncer”, conceito ainda pouco explorado em pesquisas anteriores. Em relação às partículas maiores (PM10), o aumento associado é de 10% no risco geral de câncer, tendo elevações específicas para o de pulmão (13%) e o de mama (11%).

O estudo foi conduzido pelo George Institute for Global Health, que analisou 42 meta-análises publicadas entre 2019 e 2024. “Fizemos grandes avanços na redução das mortes por câncer, mas o ar poluído está minando silenciosamente esse progresso”, afirma Cary Adams, CEO da UICC.

As disparidades sociais têm destaque no estudo, informa o Euronews. Mulheres e crianças geralmente são mais expostas à fumaça proveniente da queima de combustíveis sólidos, como o carvão para cozinhar e aquecer.

Mulheres expostas à poluição do ar em ambientes domésticos enfrentam um risco 69% maior de câncer de pulmão, além de um risco aumentado de câncer de colo do útero. Além disso, trabalhadores e populações que vivem próximas às áreas industriais, associadas a regiões de comunidades de baixa renda, também estão mais expostos a essa poluição.

Segundo o relatório, as pessoas que vivem em países de baixa e média renda são as que mais sofrem, pois possuem menos recursos para prevenção e tratamento. E a projeção de aumento no número de casos de câncer, de 20 milhões em 2022 para 35 milhões até 2050, deve pressionar ainda mais os sistemas de saúde.

O estudo indica saídas como a transição para a energia renovável, melhorias nos padrões de emissão para transporte e indústria e redesenho urbano com foco na mobilidade. O programa de ruas abertas em Bogotá (Colômbia) foi descrito como exemplo a ser seguido, pois prioriza pedestres e ciclistas e reduz o tráfego de veículos.

  • Em tempo: Um estudo publicado na revista Nature analisou como a poluição do ar pode contribuir para a reincidência de câncer de pulmão, a partir da avaliação de 2.439 pacientes do Biobanco do Reino Unido que tiveram câncer de pulmão intra-hepático (CPIP). A pesquisa observou uma clara relação dose-resposta entre a exposição anual a partículas maiores (PM10) e o risco de câncer de pulmão secundário (CPSP) em sobreviventes. Notavelmente, o efeito das PM10 foi mais pronunciado em pacientes que nunca fumaram do que naqueles que já fumaram.

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