Justiça suspende licença de operação de usina carvoeira Candiota III

Termelétrica deverá apresentar análise de impacto climático das operações da usina, além de um plano de descomissionamento.
10 de maio de 2026
ute candiota
Usina carvão Candiota

A Justiça Federal determinou, em caráter liminar, a suspensão da licença de operação da usina térmica a carvão Candiota III, operada pela Âmbar Energia, empresa do grupo J&F, dos irmãos Joesley e Wesley Batista, no Rio Grande do Sul.

O processo foi movido pelo Instituto Arayara, que acusa a usina de reiteradas infrações ambientais, emissões acima dos padrões legais e apresentação de relatórios ambientais considerados insuficientes ou potencialmente fraudulentos, informa a CNN Brasil.

A 9ª Vara Federal de Porto Alegre concluiu que o IBAMA deve incorporar a análise dos impactos climáticos da usina e exigir comprovação técnica de que a operação consegue cumprir integralmente os limites legais de emissão de poluentes atmosféricos.

Além disso, deve apresentar, em até 15 dias, o histórico completo de infrações e multas que tenham sido recebidas pela empresa durante a vigência da licença atual, contam Zero Hora, Guaíba e Sul 21.

A liminar determina regras para uma eventual concessão de uma nova licença, como a análise de impactos climáticos das operações da usina; anexação do histórico de infrações, valores envolvidos, suspeitas de fraude documental, além de provar medidas corretivas implantadas; plano de descomissionamento, com cronogramas fixos e metodologia detalhada e comprovação de implementação de soluções técnicas para seguir os padrões de emissões de poluentes, como dióxido de enxofre e material particulado.

Por fim, a Justiça também determina ao IBAMA que apresente, até 5 de novembro de 2026, uma decisão final sobre o procedimento de renovação da licença, sob multa diária de dez mil reais em caso de descumprimento, relata o Jornal do Comércio.

Como a Agência Brasil lembra, o prazo de renovação de operação de Candiota III expirou em 5 de abril deste ano. A proprietária solicitou ao IBAMA autorização para manter a usina em funcionamento e aguarda o parecer.

A Lei nº 15.269/2025, sancionada em novembro de 2025, garantiu a operação da usina até dezembro de 2040. Um estudo publicado em março deste ano pelo Instituto Arayara em colaboração com o Centre for Research on Energy and Clean Air (CREA) associou as atividades carboníferas no município de Candiota a 1,3 mil mortes e prejuízos de R$ 11,7 bilhões em saúde até 2040.

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