Guerra pressiona companhias aéreas no Brasil  e setor prevê impacto na aviação regional

Preços dispararam, mas associação das aéreas brasileiras não vê risco de falta de combustível, um risco crescente na Europa.
11 de maio de 2026
guerra companhias aéreas brasil
MARCO AURÉLIO ESPARZ / Wikimedia Commons

No início deste mês, a Petrobras aumentou novamente o preço do querosene de aviação (QAV) – efeito dos ataques de Estados Unidos e Israel contra o Irã, que fez os preços de petróleo, gás e derivados dispararem. Com isso, segundo a Associação Brasileira das Empresas Aéreas (ABEAR), o principal item de custo do transporte aéreo dobrou no país. Agora, as companhias começam a contabilizar os impactos no setor aéreo e no caixa das empresas.

A ABEAR prevê aumento no número de cancelamentos, com um baque esperado para a aviação regional, informam Folha e O Tempo. De acordo com o presidente da entidade, Juliano Noman, o custo mais elevado das passagens, decorrente da alta dos combustíveis, pode desestimular a demanda. Por isso, as companhias já vêm ajustando a malha, reduzindo os voos previstos para os próximos meses.

Um levantamento da ABEAR a partir de dados da Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC) mostra uma queda no número de voos projetados para o mês de maio. O número considera especificamente o mercado doméstico e regular, sem táxis aéreos, fretados, aviação executiva etc.. 

Em 2 de abril de 2026, eram previstos para maio 2.193 voos por dia no Brasil, patamar que caiu para 2.121 voos diários em 6 de maio, quando a associação voltou a monitorar. No total projetado para o mês, há 2.225 voos a menos em todo o país em relação à primeira projeção.

O preço do querosene de aviação afetou os resultados financeiros das companhias aéreas. Nos balanços de janeiro a março, divulgados na semana passada, as empresas anunciaram prejuízo decorrente da alta dos combustíveis. A LATAM, por exemplo, disse que a guerra causou um impacto de US$ 40 milhões (cerca de R$ 200 milhões) no primeiro trimestre.

Se o valor preocupa, o mesmo não ocorre com a oferta de combustível de aviação no Brasil. A ABEAR não vê risco de falta nos próximos meses, já que a maior parte do QAV utilizado pelas empresas aqui é produzida no país.

Uma situação bem diferente do que vem ocorrendo na Europa. Sem reforço no abastecimento, a escassez de combustível pode provocar mais atrasos e cancelamentos de voos no continente às vésperas da alta temporada de verão, destaca a BBC Brasil.

Sem falar, claro, no preço. No fim de fevereiro, antes do conflito no Oriente Médio, o combustível de aviação era negociado a US$ 831 (R$ 4.150) por tonelada na Europa. No início de abril, chegou a US$ 1.838 (R$ 9.190) – alta de mais de 120%. Recuou, mas mantém-se acima de US$ 1.500 (R$ 7.500).

  • Em tempo 1: Marcelo Leite traz na Folha o custo real do petróleo para a economia mundial. “O dado portentoso parte da OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico), não do Observatório do Clima nem do Greenpeace: para apoiar fósseis em 2024, o planeta arcou com custo fiscal de US$ 916,3 bilhões (um terço do PIB do Brasil). O FMI (Fundo Monetário Internacional) estima o ônus fiscal em pouco mais de US$ 725 bilhões decorrente de subsídios explícitos. Computados os subsídios ocultos, como despesas com poluição do ar e eventos climáticos extremos, acrescentam-se outros US$ 6,7 trilhões. Tudo somado, quase três PIBs do Brasil”, detalha. “Não dá para entender por que se gasta tanto com um insumo energético condenado a desaparecer neste século, se for para evitar a pior mudança do clima”, reforça Leite. Com a palavra, os lobistas do petróleo e seus políticos de estimação

  • Em tempo 2: Os contratos futuros do petróleo tiveram forte alta ontem (11/5), com investidores voltando a precificar um prêmio de risco maior diante de novas tensões no Oriente Médio. O Brent com vencimento em julho teve alta de 2,88%, cotado a US$ 104,21 por barril, enquanto o WTI com entrega prevista para junho subiu 2,78%, a US$ 98,07 por barril, informa o Valor.

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