
Os ataques dos EUA e de Israel ao Irã continuam afetando significativamente o mercado global de petróleo. Segundo o relatório mensal “Oil Market Report”, lançado pela Agência Internacional de Energia (IEA) na 4ª feira (13/5), a demanda mundial pelo combustível fóssil deverá cair 420 mil barris por dia (bpd) em 2026, para 104 milhões de barris diários. No documento anterior, lançado em abril, a IEA projetava uma redução menor, de 80 mil bpd. Antes da guerra, a agência previa um aumento da demanda de 850 mil bpd para este ano.
A maior queda ocorrerá no 2º trimestre, com uma redução de 2,45 milhões de bpd no consumo, segundo a IEA. Será uma redução de demanda de 930 mil barris diários em países da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) – que reúne cerca de 40 nações com alto PIB e Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) – e de 1,5 milhão de bpd em países não pertencentes ao grupo.
A agência ainda alerta para uma queda ainda mais pronunciada na oferta, que ficará abaixo da demanda ao longo do ano. Com o fechamento do Estreito de Ormuz – por onde passa cerca de 20% do petróleo produzido no mundo -, a oferta caiu mais 1,8 milhão de bpd em abril, chegando a 95,1 milhões de bpd, o que representa uma redução de 12,8 milhões de bpd desde fevereiro.
A produção dos países do Golfo Pérsico afetados pelo fechamento de Ormuz ficou 14,4 milhões de bpd abaixo dos níveis pré-guerra, segundo o relatório. O aumento da produção e das exportações da Bacia do Atlântico proporciona algum alívio. No entanto, a oferta global de petróleo deverá cair 3,9 milhões de barris por dia em 2026, para 102,2 milhões de bpd.
O cenário-base da IEA pressupõe que os fluxos pelo estreito serão retomados gradualmente a partir de junho, com o crescimento da demanda retornando a patamares positivos apenas em agosto e, em seguida, oscilando em torno dos níveis de 2025 pelo restante do ano. No entanto, o fornecimento se recuperaria muito mais lentamente, por causa de danos à infraestrutura, gargalos logísticos e à necessidade de remover as minas iranianas de Ormuz antes que a exportação possa ser retomada normalmente, informam Valor, InfoMoney, Reuters, Wall Street Journal e Economic Times.
A agência destaca que os estoques de petróleo estão caindo em todo o mundo em ritmo recorde e continuarão a diminuir por meses, à medida que a interrupção no fornecimento do Oriente Médio se intensifica, segundo a Bloomberg. Os estoques globais de petróleo observados diminuíram a uma taxa de 4 milhões de bpd em março e abril, segundo o relatório.
Em tempo: Aqui, o governo Lula anunciou que subsidiará a gasolina produzida no Brasil ou importada de outros países, devido à alta do barril de petróleo causada pelo conflito no Oriente Médio, informa O Globo. O subsídio será pago diretamente aos produtores e importadores de gasolina, pela Agência Nacional do Petróleo, Gás e Biocombustíveis (ANP). A medida provisória sobre o tema - que também vale para o óleo diesel - estabelece que a subvenção não pode ultrapassar o teto dos tributos federais incidentes sobre os combustíveis, hoje de R$ 0,89 por litro, o que inclui PIS, COFINS e CIDE. O diesel teve a sua tributação de R$ 0,35 de PIS e COFINS por litro suspensa em março.



