
O empresário Fabrício de Souza Almeida, sobrinho do ex-governador de Roraima, Antonio Denarium (PP), foi indiciado pela Polícia Federal por chefiar o garimpo ilegal na Terra Indígena (TI) Yanomami. Denarium foi condenado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) à inelegibilidade por oito anos e teve sua cassação confirmada em abril, por abuso de poder político e econômico nas eleições de 2022.
Além de Fabrício Almeida, tornaram-se réus sua tia, Vanda Garcia de Almeida, João Alisson de Sousa Alencar Lima, Paulo Pessoa Silva, Rafael Silva Souza e Wellington de Oliveira Castro, marido de Vanda. O grupo responde por lavagem de dinheiro, organização criminosa e usurpação de bens da União, e suas penas, somadas, chegam a mais de 20 anos de prisão.
Segundo o g1, a investigação começou em 2020, quando Fabrício forneceu informações contraditórias sobre seu itinerário ao ser parado pela Polícia Rodoviária Federal (PRF) em Boa Vista. Ele já possuía antecedentes criminais: em 2010, foi preso em flagrante com 161 quilates de diamantes e R$ 13 mil pela Operação Roosevelt, da PF, em Rondônia, informam Folha do Estado e Poder 360.
Diante das suspeitas, a PF abriu um inquérito contra Fabrício e descobriu que ele operava um esquema de financiamento de garimpo ilegal. De acordo com a investigação, seu grupo utilizava diversas empresas para fazer movimentações financeiras.
O dinheiro era usado para pagar pilotos, combustível e máquinas – as informações foram achadas em um caderno apreendido na casa de Fabrício. Depois da extração e venda ilegal do minério, os lucros eram usados para reembolsar investidores e pagar os integrantes do grupo. Somente a empresa FB Serviços, registrada em nome do sobrinho de Denarium, movimentou cerca de R$ 64 milhões entre janeiro de 2017 e outubro de 2021, informa o InfoMoney.
O Ministério Público Federal (MPF) pede que, além do cumprimento das penas, os criminosos sejam obrigados a pagar indenização mínima de R$ 500 mil por danos morais coletivos causados aos indígenas.
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Em tempo 1: Centenas de balsas de garimpo voltaram a invadir o Rio Madeira após a prefeita de Nova Olinda do Norte, Araci Cunha, e o ex-prefeito da cidade, Adenilson Reis - ambos do MDB - manifestarem apoio público à exploração de ouro no curso d’água. O cenário reforça o diagnóstico de que o garimpo ilegal na Amazônia deixou de ser uma atividade isolada e passou a operar como uma engrenagem econômica e política com forte capacidade de regeneração, frisa o BNC Amazonas. Segundo o IBAMA, desde 2023, foram neutralizadas 3 mil dragas e balsas no rio Madeira, mas o apoio do empresariado e de políticos locais continua fortalecendo a atividade.
Em tempo 2: As operações de desintrusão da TI Munduruku, no Pará, evidenciam a capacidade de adaptação da economia ilegal do ouro. Concluídas há um ano, elas deslocaram invasores para outros territórios e não foram capazes de desmontar as engrenagens do garimpo ilegal em Jacareacanga, município do sudoeste paraense, destaca um estudo do Instituto Mãe Crioula feito em parceria com a Universidade do Estado do Pará (UEPA). O estudo lembra que a primeira fase da desintrusão, entre novembro de 2024 e fevereiro de 2025, inutilizou 90 acampamentos, 15 embarcações, 27 máquinas pesadas, 224 motores, entre outros equipamentos, causando prejuízo de R$ 112 milhões às atividades ilegais, informa o Repórter Brasil. No entanto, o estudo evidencia que as políticas públicas adotam uma estratégia “centrada predominantemente na repressão, sem o devido enfrentamento das condições estruturais que sustentam o garimpo ilegal. Assim, segundo o relatório, Jacareacanga vive uma espécie de “minero-dependência” da atividade ilegal. O garimpo injeta recursos no comércio, nos hotéis, nos restaurantes e nos serviços urbanos, detalha o Projeto Colabora.



