
A Lei da Mata Atlântica completa 20 anos em 2026. E no ano passado, o desmatamento no bioma caiu ao seu menor índice histórico, segundo dados de duas plataformas da Fundação SOS Mata Atlântica.
A primeira delas, o Atlas dos Remanescentes Florestais da Mata Atlântica, criado em conjunto com o INPE, monitora grandes fragmentos de floresta madura. A ferramenta mostra que em 2025 houve queda de 40% na supressão de vegetação nativa – foram 8.668 hectares, ante 14,3 mil hectares no ano anterior. Este é o menor índice desde 2011 e a primeira vez em que o desmate fica abaixo de 10 mil hectares.
Já o Sistema de Alertas de Desmatamento (SAD) Mata Atlântica, desenvolvido em parceria com MapBiomas e Arcplan, possibilita a análise de matas menores e mais jovens. No ano passado, o SAD registrou queda de 28% no desmatamento, que saiu de 53,3 mil hectares em 2024 para 38,3 mil hectares. O menor número desde o início dos registros, em 2002, relata O Globo.
A área de vegetação perdida na Mata Atlântica em 2025 levou à emissão de 4,14 milhões de toneladas de gases de efeito estufa – o equivalente às emissões anuais de 965 mil carros. O bioma, que abriga 80% da população brasileira, também concentra 80% dos alertas para desastres ambientais e eventos climáticos extremos no Brasil, como os ocorridos em Recife, João Pessoa, Petrópolis e Rio Grande do Sul, destacam Um Só Planeta e CNN Brasil.
As regiões com maior taxa de desmatamento estão no Vale do Jequitinhonha, entre Minas Gerais e Bahia, e no Piauí, em uma região de transição com o Cerrado e a Caatinga. O Atlas ainda destaca focos no Mato Grosso do Sul, na transição com o Pantanal, e na parte central do Paraná e de Santa Catarina, informa o UOL.
Para Luís Fernando Guedes Pinto, diretor-executivo da Fundação SOS Mata Atlântica, a queda histórica no desmate é resultado da aplicação de embargos remotos e do corte do crédito para quem desmatou ilegalmente. “Isso tem muito mais impacto”, disse à Folha. “O proprietário da terra é punido por não poder vender e por não poder acessar dinheiro. Pega no bolso. A sensação de impunidade, da inconsequência do desmatamento, diminui cada vez mais.”
Hoje restam apenas 12,4% da cobertura original da Mata Atlântica. Por isso, Guedes Pinto reforça que cada fragmento perdido faz a diferença.
Em entrevista à CBN, o diretor da Fundação SOS Mata Atlântica expressou sua preocupação com mudanças legislativas recentes, como a nova Lei Geral do Licenciamento Ambiental – a Lei da Devastação. “O principal ponto de alerta é a gente manter fortalecida a lei da Mata Atlântica. Infelizmente, ainda temos muitos ataques à legislação ambiental brasileira no Congresso Nacional, nas assembleias legislativas, tentando afrouxar a legislação”, afirmou.
Em tempo: Na 4ª feira (13/5), a Mata Atlântica registrou a primeira emissão de crédito de carbono de restauração, sob responsabilidade da re.green, informa o Valor. Foram geradas 36.877 unidades de carbono verificadas (VCU, sigla em Inglês) pela estadunidense Verra, pela restauração de 1.620 hectares de Mata Atlântica no sul da Bahia, nos municípios de Eunápolis e Potiguará, entre 2022 e 2025. Em três anos, árvores nativas, como jequitibá-rosa, ipê, pau-brasil e jatobá, chegaram a sete e dez metros de altura. Os créditos foram comprados pela Microsoft. A floresta segue monitorada, em crescimento, acumulando biomassa e gerará novos créditos de carbono.



