MPF pede novamente suspensão de licença da Petrobras na Foz do Amazonas

Órgão recorre de derrota em tentativa de barrar perfuração do poço Morpho após vazamento de 18 mil litros de fluido sintético em janeiro.
14 de maio de 2026
apo foz do amazonas
Cezar Fernandes/Agência Petrobras

O Ministério Público Federal (MPF) entrou com um recurso no Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF1) na 3ª feira (12/5) para suspender imediatamente os efeitos da licença do IBAMA que autoriza a Petrobras a perfurar o poço Morpho no bloco FZA-M-59, na Foz do Amazonas. A medida busca reverter decisão da Justiça Federal no Amapá que negou a paralisação das atividades, mesmo após o vazamento de mais de 18 mil litros de fluido de perfuração no início do ano.

O MPF reitera que o estudo de impacto ambiental apresentado pela Petrobras tem “fragilidades técnicas, inconsistências e omissão”. O órgão afirma ainda que o processo de licenciamento violou Direitos de Comunidades Tradicionais, que não foram consultadas, informam Folha e g1.

Além da nulidade da licença, o MPF pede que uma entidade técnica independente, sem vínculos com a Petrobras, realize uma nova modelagem hidrodinâmica e de dispersão de óleo. Segundo o órgão, os dados atuais são insuficientes para prever cenários reais de chegada de substâncias na costa ou o comportamento do óleo em caso de afundamento, pondo em risco ecossistemas sensíveis e transfronteiriços.

Quanto aos Povos Indígenas, Quilombolas e Comunidades Tradicionais, o MPF pede a realização imediata de Consulta Prévia, Livre, Informada e de Boa-fé, como determina a Convenção 169 da Organização Internacional do Trabalho (OIT), da qual o Brasil é signatário. Além disso, o órgão quer que sejam realizados Estudos de Componente Indígena (ECI), Quilombola (ECQ) e das demais Comunidades Tradicionais. O objetivo é mapear como a logística da exploração de petróleo – que inclui o tráfego intenso de aeronaves e embarcações de apoio – afeta a pesca artesanal, o extrativismo e a dinâmica socioterritorial dessas populações.

Por fim, o MPF quer a condenação solidária da União, da Petrobras e do IBAMA ao pagamento de indenização por danos morais coletivos. Caso a Justiça acate o pedido, os valores deverão ser revertidos diretamente em benefício das Comunidades Tradicionais afetadas pela operação no bloco 59.

No início desta semana, a diretora de Exploração e Produção (E&P) da Petrobras, Sylvia dos Anjos, disse que a sonda NS-42 [ODN-II], a serviço da empresa, já perfurou 5.000 metros do poço Morpho, a partir do leito do mar. Segundo Sylvia, faltam 1.000 metros para que a perfuração atinja o reservatório de petróleo e gás, o que deve acontecer até meados de junho.

Valor, Agência Infra, Jornal de Brasília e BNC Amazonas também noticiaram o recurso do MPF contra a licença para a Petrobras na Foz do Amazonas.

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