Desmate em Terras Indígenas da Amazônia cai, mas pressão criminosa continua

Balanço da FUNAI sobre desmatamento em 2025 aponta forte concentração de atos criminosos em 13 territórios da Amazônia Legal.
17 de maio de 2026
desmatamento tis
FUNAI/FSP

O desmatamento em Terras Indígenas (TIs) na Amazônia Legal caiu 25% em 2025. Foram contabilizados 30.128 hectares de corte raso no ano passado, ante 40.178 hectares em 2024. No corte raso, toda a vegetação é derrubada, deixando a área completamente desflorestada. Normalmente, ele é feito para dar lugar ao pasto e, depois, ao plantio de soja e outras commodities agrícolas.

Se a redução é motivo de celebração, a concentração da devastação preocupa, já que metade do desmatamento ocorreu em apenas 13 dos 395 territórios indígenas demarcados e monitorados pela FUNAI na região. Ou seja, a pressão dos criminosos permanece intensa em áreas específicas.

O balanço faz parte de um relatório da FUNAI ao qual a Folha teve acesso. De acordo com os dados, 324 TIs da Amazônia Legal sofreram com esse tipo de exploração mais crítica – o equivalente a 82% das terras monitoradas pela autarquia.

Dos cerca de 30 mil hectares desmatados, 15,3 mil foram registrados em 13 TIs localizadas no Maranhão, Pará, Mato Grosso, Amazonas e Roraima. Os territórios estão no chamado “arco da devastação” – faixa que inclui o sul e o leste da Amazônia Legal e que sofre com o avanço da agropecuária, do garimpo, da extração ilegal de madeira e da ocupação irregular de Terras Públicas.

O relatório também registra os locais onde houve degradação de terras, quando a ação na floresta é mais seletiva, como o roubo de madeira. Uma terceira categoria diz respeito a danos à regeneração da mata, quando o crime afeta áreas que já estavam se recuperando.

Assim, os casos de degradação chegaram a 43 mil hectares. Também foram atingidos 8,5 mil hectares em regeneração. Somando os três tipos de crimes contra a Floresta Amazônica, a área total afetada nos 395 pontos monitorados foi de 82 mil hectares. O resultado é 36% inferior ao total verificado em 2024, quando foram atingidos 128 mil hectares em TIs demarcadas.

O Centro de Monitoramento Remoto da FUNAI também identificou que 195 Territórios Indígenas da Amazônia Legal foram alvos de queimadas em 2025. Assim como ocorre com o desmate, o impacto dos incêndios concentra-se em poucas áreas. Seis delas responderam por metade do total queimado: Parque do Araguaia (MT), Raposa Serra do Sol (RR), São Marcos (RR), Parambubure (MT), Parque do Tumucumaque (AP) e (PA) e Kraolândia (TO e MA).

  • Em tempo: O cacique Raoni Metuktire, de 94 anos, líder do Povo Kayapó e um dos defensores mais emblemáticos da Amazônia, foi internado em uma UTI para tratar de problemas respiratórios. Raoni foi internado no Hospital Dois Pinheiros, na cidade de Sinop (MT), "como medida preventiva" e está em situação "estável", afirma um comunicado divulgado pela equipe médica no domingo (17/5), informa a Folha. No começo de maio, o cacique passou cinco dias no mesmo hospital após sentir dores abdominais e foi submetido a uma cirurgia para correção de uma hérnia. Na 5ª feira (14/5), ele retornou ao centro médico após um novo mal-estar.

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