
Os ataques dos Estados Unidos e de Israel ao Irã, iniciados em 28 de fevereiro e sob um cessar-fogo para lá de frágil, afetaram o abastecimento global de petróleo e derivados e, com isso, fizeram seus preços dispararem. O Brasil, embora seja autossuficiente na produção de óleo cru, ainda precisa importar cerca de 30% do óleo diesel e da gasolina que consome.
Para evitar que os preços elevados do mercado internacional impactem a inflação, o governo federal corre para conceder isenções tributárias e subsídios. Em outra ponta, a Petrobras também aumentou o fator de utilização total (FUT) de suas refinarias, produzindo mais derivados no país e buscando depender menos de importações.
As demonstrações financeiras da petrolífera relativas ao primeiro trimestre de 2026 mostram que o FUT de suas refinarias ficou em 95%. Especificamente em março, o FUT atingiu 97,4%, o mais alto desde dezembro de 2014, informam a Agência Brasil e a Forbes Brasil.
Em teleconferência com investidores e analistas de mercado na 3ª feira passada (12/5), a presidente da Petrobras, Magda Chambriard, antecipou que, nos meses de abril e maio, o indicador ultrapassou 100%. Informação confirmada pelo diretor de Processos Industriais e Produtos, William França, que detalhou que a empresa já está operando em 100%, 102% e 103%. O FUT pode superar 100% porque a carga de processamento pode ser um pouco maior que a capacidade de referência instalada, desde que a Agência Nacional do Petróleo, Gás e Biocombustíveis (ANP) aprove, explica França.
A medida beneficia o abastecimento de combustíveis no país. Mas também rende mais dinheiro à Petrobras, claro. O diretor relacionou a expansão do FUT ao cenário geopolítico internacional. “Tivemos o efeito da guerra. Quanto mais refinamos o nosso petróleo, mais dinheiro a gente ganha. Estamos agregando valor além das exportações de petróleo”, reforça França.
Em tempo: Mapa do Caminho para Além dos Combustíveis Fósseis? Transição energética? Infelizmente não. Em evento na cidade de Camaçari (BA), na 5ª feira (14/5), o presidente Lula voltou a defender a exploração de petróleo na Margem Equatorial - leia-se Foz do Amazonas e outras bacias sedimentares entre as costas do Pará e do Rio Grande do Norte, informa o Valor. Além disso, afirmou que pretende avançar com uma parceria com a petrolífera mexicana Pemex para exploração no Golfo do México. Ou seja, mais combustíveis fósseis extraídos e queimados. O clima do planeta que espere.



