
Frente a novas medidas antiambientais tomadas recentemente, a Alemanha não deve conseguir cumprir suas metas climáticas para 2030. O diagnóstico foi divulgado na 2ª feira (18/5) pelo Conselho de Especialistas em Mudanças Climáticas, painel independente nomeado em setembro de 2020 para analisar as políticas climáticas e o progresso do país.
Apresentado em março pelo chanceler Friedrich Merz, o plano climático do país destinará € 8 bilhões (R$ 47 bilhões) para financiar medidas como a expansão de energia eólica e o aumento da venda de veículos elétricos. A meta é reduzir as emissões de gases de efeito estufa em pelo menos 65% em relação aos níveis de 1990 até 2030 e ser neutra em carbono até 2045.
Até o momento, o país chegou ao patamar de 48%. No entanto, o conselho considerou o programa do governo insuficiente, informam Reuters e edie. Segundo a análise do grupo, a Alemanha poderá ultrapassar suas projeções de emissões de dióxido de carbono em até 100 milhões de toneladas métricas. A agência ambiental do governo apontava para uma possível ultrapassagem de apenas 4,5 milhões de toneladas.
As reduções de emissões “provavelmente serão consideravelmente menores do que o previsto pelo governo federal”, afirmou Barbara Schlomann, presidente do painel, em um relatório. “Há uma necessidade urgente de ação política.”
O conselho aponta que, apesar do declínio das emissões da indústria e do setor de energia em 2025, o valor foi compensado pelo aumento nos setores de construção e transporte. A silvicultura e o uso da terra também foram apontados como áreas problemáticas, informam Clean Energy Wire e Deutsche Welle.
Quanto à ação climática, o país tem dado largos passos no sentido contrário ao discurso ambiental. O governo aprovou a exploração de gás fóssil em uma zona marinha protegida no Mar do Norte; propôs a flexibilização das regras de eficiência energética para empresas; e sugeriu a eliminação da exigência de que as operadoras de rede priorizem as conexões de energia renovável.
Além disso, na semana passada, os parlamentares alemães concordaram em não aumentar o preço do carbono no próximo ano, medida em consonância com a decisão da União Europeia de adiar o mercado de carbono para combustíveis de aquecimento e transporte.



